Dificuldade para enxergar no escuro, olho ressecado e sensação de areia nos olhos podem parecer apenas cansaço visual ou uso excessivo de telas. Porém, quando esses sinais persistem, também podem indicar deficiência de vitamina A, nutriente essencial para a visão, a superfície ocular e a imunidade.
Por que a vitamina A afeta a visão
A vitamina A participa da formação de pigmentos usados pela retina para enxergar em ambientes com pouca luz. Quando está baixa, um dos primeiros sinais pode ser a cegueira noturna, que é a dificuldade de enxergar no escuro ou adaptar a visão ao apagar das luzes.
Segundo o NIH Office of Dietary Supplements, a deficiência de vitamina A pode causar xeroftalmia, quadro em que os olhos ficam secos e a córnea pode ser afetada. Sem tratamento, casos graves podem evoluir para lesões oculares importantes.

Sinais que merecem atenção
A suspeita aumenta quando os sintomas não melhoram com descanso, lubrificação ocular simples ou redução do tempo de tela. Também é importante observar se existem fatores que prejudicam a ingestão ou absorção da vitamina.
- Dificuldade para enxergar à noite ou em locais pouco iluminados;
- Olhos secos, ardendo ou com sensação de areia;
- Manchas esbranquiçadas na parte branca dos olhos;
- Infecções repetidas ou cicatrização mais lenta;
- Dieta muito restritiva, cirurgia bariátrica ou doenças intestinais.
Estudo científico sobre vitamina A
O relato clínico Bitot’s spots, dry eyes, and night blindness indicate vitamin A deficiency, publicado no The Lancet, descreveu a presença de manchas de Bitot, olhos secos e cegueira noturna como sinais associados à deficiência de vitamina A.
Esse tipo de relato ajuda a lembrar que alterações oculares podem ser pistas nutricionais importantes. Embora olho seco seja muito comum e tenha várias causas, a combinação com dificuldade para enxergar no escuro deve motivar avaliação, principalmente em pessoas com risco de deficiência.
Quem tem maior risco
A deficiência pode ocorrer por baixa ingestão, mas também por má absorção de gorduras, já que a vitamina A é lipossolúvel. Isso significa que problemas no intestino, fígado, pâncreas ou cirurgias digestivas podem dificultar seu aproveitamento.
- Pessoas com dietas muito restritivas ou baixa ingestão de alimentos de origem animal;
- Quem fez cirurgia bariátrica ou tem má absorção intestinal;
- Pessoas com doença celíaca, doença de Crohn ou fibrose cística;
- Crianças e gestantes em contextos de insegurança alimentar;
- Uso inadequado de suplementos ou dietas sem acompanhamento.

Como confirmar e cuidar
O diagnóstico deve ser feito com avaliação clínica, histórico alimentar e exames quando indicados. A suplementação não deve ser iniciada por conta própria, porque o excesso de vitamina A também pode fazer mal e causar náuseas, dor de cabeça, tontura e problemas no fígado.
Alimentos como fígado, ovos, leite e derivados fornecem vitamina A pronta para uso, enquanto cenoura, abóbora, manga, couve e espinafre oferecem carotenoides, que o corpo pode converter. Veja também mais detalhes sobre vitamina A e suas principais fontes alimentares.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









