A ruptura do tendão de Aquiles é uma das lesões mais temidas por atletas profissionais porque envolve o tendão mais forte do corpo humano e, quando se rompe, exige na maioria das vezes cirurgia e uma reabilitação que ultrapassa seis meses. O caso do atacante Ekitiké, cortado da Copa por essa lesão, ilustra como um único movimento explosivo pode encerrar temporadas inteiras, já que o tendão precisa cicatrizar em uma região de baixa vascularização, o que torna o retorno ao esporte de alto rendimento um processo lento e cauteloso.
O que é o tendão de Aquiles e qual sua função?
O tendão de Aquiles, também chamado de tendão calcâneo, é uma estrutura fibrosa espessa localizada na parte de trás do tornozelo. Ele conecta os músculos da panturrilha, o gastrocnêmio e o sóleo, ao osso do calcanhar, chamado calcâneo.
Essa estrutura é responsável pela flexão plantar do pé, movimento essencial para caminhar, correr, saltar e ficar na ponta dos pés. Sem ele, ações simples do dia a dia ficam comprometidas, e a prática esportiva se torna praticamente inviável.
Como acontece a ruptura do tendão calcâneo?
Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), a ruptura ocorre geralmente durante uma contração súbita e intensa da panturrilha, como em arrancadas, saltos ou mudanças rápidas de direção no futebol, basquete e tênis.
Muitos atletas descrevem a sensação de terem “levado uma pedrada” na parte de trás da perna, seguida por um estalo audível e dor intensa. Em alguns casos, a ruptura é favorecida por uma tendinose prévia, condição em que o tendão apresenta degeneração das fibras e perde resistência mesmo sem sinais evidentes de inflamação.

Quais sinais indicam a ruptura?
Reconhecer rapidamente a lesão é essencial para encaminhamento urgente ao ortopedista, já que o tratamento mais eficaz costuma ser iniciado nas primeiras 48 horas. Os principais sinais são:
- Estalo audível na parte de trás do tornozelo no momento da lesão;
- Dor súbita e intensa na região do calcanhar;
- Sensação de pancada ou “chute” na perna, mesmo quando o atleta está sozinho;
- Impossibilidade de ficar na ponta dos pés com o membro afetado;
- Falha palpável no trajeto do tendão, sentida como uma depressão logo acima do calcanhar;
- Inchaço e hematoma na parte posterior do tornozelo.
O diagnóstico é feito pelo exame clínico, com destaque para o teste de Thompson, e confirmado por ultrassonografia ou ressonância magnética, que ajudam a definir a extensão da lesão e o melhor tratamento para o rompimento do tendão de Aquiles.
Por que a recuperação passa de seis meses?
O tendão calcâneo tem uma região de baixa vascularização, cerca de quatro a seis centímetros acima do calcâneo, onde a cicatrização é naturalmente lenta. Além disso, a força exercida pela panturrilha tende a afastar os cotos rompidos, dificultando a união espontânea das fibras.
Por isso, mesmo após a cirurgia, o atleta precisa passar por semanas de imobilização com bota ortopédica, seguidas de meses de fisioterapia para o tendão de Aquiles, com recuperação progressiva da força, da amplitude de movimento e do controle neuromuscular, o que explica por que essa lesão pode encerrar temporadas inteiras.

Como um estudo científico embasa o tratamento cirúrgico?
A conduta cirúrgica em atletas profissionais é sustentada por revisões recentes da literatura ortopédica. Um artigo de atualização publicado na Revista Brasileira de Ortopedia (SciELO) analisou as evidências atuais sobre diagnóstico e tratamento das rupturas agudas do tendão calcâneo, com foco na comparação entre abordagens conservadoras e cirúrgicas.
Segundo o Lesões do Aquiles parte 2 rupturas publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, o tendão de Aquiles é o mais frequentemente rompido do corpo humano, com incidência estimada em 18 casos por 100 mil pessoas ao ano, e o tratamento cirúrgico tende a oferecer maior recuperação de força de flexão plantar em atletas, aspecto decisivo para o retorno ao esporte de alto rendimento.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ortopedista ou de um profissional de saúde qualificado. Em caso de dor súbita, estalo ou dificuldade para caminhar após um esforço, procure atendimento presencial imediato para diagnóstico e tratamento adequados.









