A diverticulite aguda pode começar como dor abdominal, mas não deve ser tratada como uma cólica comum quando a dor fica persistente, principalmente no lado inferior esquerdo da barriga, e vem acompanhada de febre, náuseas ou alteração no hábito intestinal. Nesses casos, pode haver inflamação ou infecção dos divertículos, pequenas bolsas na parede do intestino, com risco de abscesso, obstrução ou perfuração intestinal se o quadro evoluir sem avaliação adequada.
O que é diverticulite aguda?
A diverticulite acontece quando divertículos do intestino grosso inflamam ou infeccionam. Essas bolsas são mais comuns com o avanço da idade e costumam aparecer no cólon, especialmente na região esquerda do abdome.
Publicações de gastroenterologia usadas em educação médica pela Federação Brasileira de Gastroenterologia descrevem a doença diverticular como uma condição que pode variar de quadros leves a complicações como abscesso, fístula, obstrução, peritonite e sepse. Por isso, a intensidade e a duração dos sintomas fazem diferença.
Por que não parece uma cólica comum?
A cólica por gases ou intestino preso costuma melhorar após evacuar, eliminar gases, mudar de posição ou passar algumas horas. Já a diverticulite tende a causar dor localizada, contínua e progressiva, muitas vezes com sensibilidade ao apertar a região inferior esquerda do abdome.
Segundo a revisão por pares AGA Clinical Practice Update on Medical Management of Colonic Diverticulitis, publicada na revista Gastroenterology, a dor no quadrante inferior esquerdo é o sintoma mais comum, mas febre, mudança do hábito intestinal, náusea e marcadores inflamatórios também podem aparecer. A publicação reforça que a tomografia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e avaliar complicações.

Sintomas que exigem atendimento rápido
Alguns sinais indicam que a dor abdominal precisa ser avaliada com urgência, especialmente quando surgem juntos:
- Dor persistente no lado inferior esquerdo do abdome, que não melhora ou piora com o tempo;
- Febre, calafrios, mal-estar importante ou sensação de fraqueza intensa;
- Náuseas, vômitos ou perda importante do apetite;
- Prisão de ventre ou diarreia associada à dor localizada;
- Barriga muito sensível ao toque, rígida ou com dor ao caminhar e se movimentar;
- Sangue nas fezes, tontura, confusão mental ou sinais de desidratação.
O que aumenta o risco de complicação?
A suspeita merece ainda mais atenção quando a pessoa tem fatores que podem agravar a evolução da inflamação:
- Idade acima de 50 anos ou episódios anteriores de diverticulite;
- Uso frequente de anti-inflamatórios sem orientação médica;
- Imunidade baixa, tratamento com corticoides, quimioterapia ou transplante;
- Diabetes, doença renal, câncer ou outras doenças crônicas importantes;
- Dor que dura mais de 24 a 48 horas sem melhora;
- Vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar ou sinais de desidratação.

Como o diagnóstico é confirmado?
O diagnóstico não deve ser feito apenas pela localização da dor, porque dor do lado esquerdo da barriga também pode ocorrer por gases, constipação, infecção urinária, cálculo renal, alterações ginecológicas ou outras doenças intestinais. O médico avalia os sintomas, examina o abdome e pode solicitar exames de sangue e imagem.
Em casos suspeitos, a tomografia de abdome ajuda a diferenciar diverticulite simples de quadros complicados, como abscesso ou perfuração. O tratamento pode envolver repouso, hidratação, dieta orientada, antibióticos em situações específicas e internação nos casos mais graves. Após a crise, o gastroenterologista também pode orientar estratégias para reduzir recorrências, como melhora do padrão alimentar, consumo adequado de fibras quando liberado e acompanhamento individualizado dos sintomas de diverticulite.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dor abdominal persistente, febre, vômitos, sangue nas fezes ou suspeita de diverticulite aguda, busque orientação médica profissional ou atendimento de urgência.









