Nem toda dor no peito é infarto, mas nem toda queimação é apenas azia. O infarto agudo do miocárdio acontece quando uma artéria coronária é obstruída e parte do músculo cardíaco deixa de receber oxigênio, o que exige atendimento imediato para evitar danos permanentes. Já a azia forte, causada pelo refluxo do ácido gástrico, gera queimação retroesternal que pode confundir. Saber diferenciar os dois quadros pode salvar vidas, já que cada minuto sem tratamento aumenta a área do coração comprometida.
Como identificar os sintomas clássicos do infarto?
O sintoma mais característico é a dor opressiva no centro ou no lado esquerdo do peito, descrita como aperto, peso ou queimação intensa. Essa dor costuma durar mais de vinte minutos, não melhora com o repouso e pode irradiar para o braço esquerdo, ombro, pescoço, mandíbula ou costas.
Outros sinais frequentes incluem suor frio, palidez, falta de ar, náuseas e sensação de morte iminente. Diferentemente da azia, o desconforto do infarto não alivia com antiácidos e tende a piorar com o esforço físico ou o estresse emocional.
Como a azia forte pode se confundir com um problema cardíaco?
A azia gera queimação que sobe do estômago até a garganta, geralmente após refeições grandes, gordurosas ou ao deitar. O ardor tende a piorar em posição horizontal e melhora com antiácidos ou ao ficar em pé.
O problema é que a dor epigástrica pode ser justamente uma apresentação atípica do infarto, especialmente quando vem acompanhada de suor frio ou falta de ar. Na dúvida, buscar avaliação médica é sempre mais seguro do que assumir que se trata apenas de refluxo gastroesofágico.

O que dizem as diretrizes brasileiras sobre sintomas atípicos?
O reconhecimento das apresentações menos comuns é essencial para reduzir a mortalidade cardiovascular. Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST 2021, publicadas nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, pacientes com síndrome coronariana aguda podem se apresentar com sintomas atípicos como dor epigástrica isolada, sensação de plenitude gástrica, dor perfurante e dispneia.
O documento reforça que essas apresentações são mais frequentes em mulheres, idosos acima de 75 anos, diabéticos e pacientes com insuficiência renal ou demência. Por isso, esses grupos precisam de atenção redobrada diante de qualquer desconforto torácico ou abdominal alto persistente.
Quais sinais indicam emergência e exigem chamar o SAMU?
Alguns sintomas não devem ser ignorados em nenhuma hipótese. Diante de qualquer um deles, é preciso ligar imediatamente para o SAMU pelo número 192:
- Dor no peito em aperto que dura mais de 20 minutos e não alivia com repouso;
- Irradiação da dor para braço esquerdo, mandíbula, pescoço, ombro ou costas;
- Suor frio abundante associado a palidez e sensação de desmaio;
- Falta de ar súbita, mesmo em repouso, com ou sem dor torácica;
- Náuseas persistentes acompanhadas de tontura ou fraqueza intensa;
- Dor epigástrica forte que não melhora com antiácidos, principalmente em diabéticos, mulheres e idosos.
Chamar a ambulância é mais seguro do que dirigir até o hospital, pois a equipe do SAMU inicia o atendimento no local e pode aplicar medicações que reduzem o dano cardíaco durante o transporte. Enquanto aguarda socorro, é fundamental conhecer os passos dos primeiros socorros no infarto, como manter a pessoa em repouso e afrouxar roupas apertadas.

Por que mulheres e diabéticos apresentam quadros diferentes?
Mulheres frequentemente relatam sintomas como cansaço extremo, dor nas costas, enjoo, indigestão persistente e sensação de peso nos braços, sem a clássica dor forte no peito. Esses sinais são confundidos com ansiedade, menopausa ou problemas digestivos, o que atrasa o diagnóstico e piora o prognóstico.
Em pessoas com diabetes, a neuropatia autonômica reduz a percepção da dor visceral, o que favorece o chamado infarto silencioso, com sintomas leves ou ausentes. Idosos também apresentam quadros menos evidentes, muitas vezes limitados a falta de ar, confusão mental ou cansaço desproporcional. Nestes grupos, qualquer mal-estar torácico ou epigástrico persistente deve ser investigado com urgência.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Diante de qualquer suspeita de infarto, procure imediatamente o pronto-socorro ou ligue para o SAMU pelo número 192. Consulte regularmente um cardiologista, especialmente se você apresenta fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade ou histórico familiar de doença coronariana.









