Tanto o chá de hortelã quanto o chá de gengibre são aliados naturais da digestão, mas atuam de formas diferentes no organismo. A hortelã se destaca pelo efeito antiespasmódico do seu óleo essencial, relaxando a musculatura do trato gastrointestinal, enquanto o gengibre tem comprovada ação contra náuseas e vômitos. A escolha ideal depende do sintoma predominante, do histórico de saúde e de possíveis contraindicações que merecem atenção antes do consumo regular.
Como o chá de hortelã age na digestão?
O chá de hortelã contém mentol, principal componente do seu óleo essencial, com ação antiespasmódica sobre a musculatura lisa do trato digestivo. Esse efeito ajuda a aliviar cólicas, gases e a sensação de estômago pesado após refeições volumosas.
A hortelã é reconhecida pela Anvisa no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira como recurso tradicional para distúrbios digestivos leves. Por relaxar o esfíncter esofágico, contudo, pode agravar quadros de refluxo gastroesofágico e azia em pessoas sensíveis.
Quando o chá de gengibre funciona melhor?
O gengibre é indicado principalmente para o alívio de náuseas, sejam elas causadas por enjoo matinal na gravidez, cinetose, quimioterapia ou pós-operatório. Seus compostos ativos, gingerol e shogaol, aceleram o esvaziamento gástrico e reduzem a sensação de estômago revirado.
Além disso, o gengibre estimula a produção de enzimas digestivas, o que auxilia na quebra dos alimentos. Ele costuma ser a escolha mais eficaz quando o desconforto vem acompanhado de vontade de vomitar, e não apenas de peso abdominal.

O que diz um estudo científico sobre esses chás?
Diversas revisões científicas já avaliaram a eficácia dessas plantas medicinais no controle de sintomas gastrointestinais. Segundo a revisão sistemática Ginger in gastrointestinal disorders A systematic review of clinical trials, publicada no periódico Food Science and Nutrition e indexada no PubMed, o gengibre demonstrou eficácia significativa no alívio de náuseas, vômitos e inchaço abdominal, com boa tolerância em doses de até 1.500 mg por dia.
Já a hortelã-pimenta tem estudos robustos sobre síndrome do intestino irritável, com efeito antiespasmódico comparável a medicamentos convencionais em ensaios controlados. Isso reforça que as duas plantas têm papéis complementares, e não concorrentes.
Quais são os benefícios de cada chá?
Compreender as propriedades específicas de cada um ajuda a escolher o mais adequado para cada situação. Veja as principais indicações:
- Chá de hortelã: alívio de cólicas intestinais, gases, indigestão e desconforto após refeições gordurosas;
- Chá de hortelã: auxílio no tratamento da síndrome do intestino irritável, com redução de dor abdominal;
- Chá de gengibre: combate a náuseas na gravidez, enjoo em viagens e mal-estar após quimioterapia;
- Chá de gengibre: estímulo à digestão de proteínas e redução da sensação de estômago cheio;
- Ambos: ação anti-inflamatória leve e efeito calmante sobre o sistema digestivo.
A escolha entre eles depende do sintoma principal. Se o incômodo é gasosidade e cólica, a hortelã tende a resolver mais rápido. Se há enjoo e náuseas, o gengibre costuma ser mais eficaz.

Quais as contraindicações e cuidados no consumo?
Apesar de naturais, esses chás não são isentos de riscos e exigem atenção em situações específicas. Confira os principais cuidados antes de incluí-los na rotina:
- Hortelã: deve ser evitada por pessoas com refluxo gastroesofágico, hérnia de hiato e cálculos biliares;
- Hortelã: não é recomendada para bebês e crianças pequenas devido à ação intensa do mentol;
- Gengibre: pode potencializar o efeito de anticoagulantes como varfarina, aumentando o risco de sangramento;
- Gengibre: em doses elevadas pode causar azia, diarreia e desconforto estomacal;
- Gestantes e lactantes: devem consultar o obstetra antes do consumo regular de qualquer um dos chás;
- Uso de medicamentos: pessoas em tratamento com anti-hipertensivos ou hipoglicemiantes precisam de acompanhamento.
Ambos podem ser consumidos entre 2 e 3 xícaras ao dia, preferencialmente após as refeições. Para tirar melhor proveito, combine o consumo com hábitos saudáveis como mastigação lenta e uma rotina alimentar equilibrada, evitando frituras e excesso de gorduras.
Este conteúdo tem caráter meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado. Consulte sempre um médico ou nutricionista antes de iniciar o uso regular de plantas medicinais, especialmente em caso de doenças preexistentes, gravidez, amamentação ou uso contínuo de medicamentos.









