Depois dos 50 anos, a forma como caminhamos passa a ter impacto direto sobre a saúde da articulação que mais sustenta o corpo. Pequenos desvios na pisada, calçados inadequados e a perda gradual de força no core somam pressão sobre o quadril e aceleram o desgaste da cartilagem. Ajustar a postura durante a caminhada é uma das estratégias mais simples e eficazes para retardar a progressão da artrose e preservar a mobilidade nos próximos anos.
O que muda no quadril depois dos 50 anos?
A partir dos 50, a cartilagem que reveste a articulação do quadril perde espessura e capacidade de absorção de impacto. Esse processo natural torna o quadril mais sensível a sobrecargas mecânicas repetidas, como passos longos demais ou pisadas mal distribuídas.
Ao mesmo tempo, ocorre redução da massa muscular dos glúteos e do core, estruturas que estabilizam a pelve durante a marcha. Quando essas regiões enfraquecem, o quadril passa a receber forças que deveriam ser absorvidas por outros grupos musculares, intensificando os sinais iniciais de artrose de quadril.

Por que pisada, calçado e core afetam diretamente o quadril?
Uma pisada incorreta altera o eixo de força que sobe da planta do pé até a bacia. Calçados gastos, com solado fino ou sem amortecimento adequado, transmitem o impacto direto para o quadril a cada passo, especialmente em superfícies duras como asfalto e piso de cimento.
A fraqueza no core agrava esse cenário, pois reduz o controle da pelve durante a fase de apoio da marcha. Sem essa estabilidade, o quadril compensa o movimento e sofre microlesões repetidas, acelerando o desgaste da cartilagem ao longo dos meses.

O que diz uma análise científica sobre marcha e força do quadril?
A relação entre qualidade da marcha e desgaste articular tem sido investigada com análise tridimensional do movimento, que mede com precisão como o corpo se comporta a cada passo. Os resultados ajudam fisioterapeutas a definir prioridades de tratamento.
Segundo o estudo The Gait Deviation Index Is Associated with Hip Muscle Strength and Patient-Reported Outcome in Patients with Severe Hip Osteoarthritis, publicado na revista PLOS ONE, pacientes com maior força nos músculos abdutores e flexores do quadril apresentaram melhor qualidade de marcha, menos dor ao caminhar e melhor função física no dia a dia.
Quais ajustes na postura ao caminhar protegem o quadril?
Fisioterapeutas costumam orientar correções simples na marcha, capazes de reduzir o impacto sobre a articulação a cada passo. Incorporar esses ajustes na rotina é uma forma eficaz de retardar a progressão do desgaste.
- Apoiar primeiro o calcanhar e rolar suavemente o pé até a ponta, em vez de pisar com a sola inteira de uma vez
- Manter passada curta e cadência regular, evitando passos largos que projetam o tronco para frente
- Olhar para o horizonte, não para o chão, mantendo a cabeça alinhada com o tronco
- Contrair levemente o abdômen e os glúteos ao longo da caminhada para estabilizar a pelve
- Deixar os braços oscilarem livremente ao lado do corpo, ajudando o equilíbrio rotacional
- Escolher tênis com bom amortecimento, solado flexível e contraforte firme no calcanhar, trocando o par a cada 600 a 800 quilômetros
Como fortalecer o core para sustentar a articulação?
O fortalecimento do core complementa as correções posturais e ajuda a distribuir melhor as cargas durante a marcha. Técnicas como a ginástica hipopressiva e a fisioterapia para artrose ativam a musculatura profunda e protegem a articulação ao longo do tempo.
- Ponte de glúteos, deitado de barriga para cima, elevando o quadril e contraindo glúteos e abdômen por alguns segundos
- Prancha frontal ou prancha apoiada nos joelhos, mantendo o corpo alinhado por 20 a 40 segundos
- Abdução de quadril deitado de lado, elevando a perna superior sem girar o tronco, para fortalecer o glúteo médio
- Caminhada na água ou hidroginástica, que reduz o impacto e ativa o core de forma contínua
- Alongamento de flexores do quadril e isquiotibiais, mantendo cada posição por 30 segundos após a caminhada
- Exercícios de equilíbrio em apoio unipodal por alguns segundos, com supervisão profissional para evitar quedas
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação médica individual. Procure sempre um ortopedista ou fisioterapeuta para receber um diagnóstico preciso e um plano de exercícios e correção postural adequado ao seu caso.









