Unhas quebradiças e com estrias costumam levantar suspeita de falta de cálcio, mas essa associação nem sempre faz sentido. Na prática clínica, alterações na lâmina ungueal podem aparecer junto de mudanças na alimentação, na absorção de nutrientes, na circulação e até em quadros de anemia. Entre as causas nutricionais mais lembradas estão biotina, deficiência de ferro e ingestão insuficiente de proteína.
O que as unhas quebradiças podem sinalizar?
Unhas quebradiças nem sempre apontam para uma carência isolada. Elas podem ficar finas, opacas, com descamação, sulcos e pontas que lascam com facilidade quando há ressecamento, contato frequente com água, removedores, detergentes ou microtraumas repetidos.
Quando o problema persiste, vale pensar em causas internas. A formação da unha depende de queratina, aminoácidos, ferro, vitaminas do complexo B e bom estado metabólico. Por isso, unhas quebradiças podem surgir em pessoas com baixa ingestão proteica, reserva de ferro reduzida, emagrecimento importante ou rotina alimentar muito restrita.
O que a pesquisa mostra sobre deficiência de ferro e alterações ungueais?
A relação entre deficiência de ferro e alterações nas unhas é mais consistente do que a ideia de falta de cálcio. Uma revisão publicada em 2021 reuniu sinais cutâneos de carências nutricionais e destacou que mudanças em pele e unhas podem ajudar no raciocínio clínico, especialmente quando há ferro baixo ou desnutrição proteico-energética. Isso aparece em alterações ungueais ligadas a carências nutricionais.
Em alguns casos, a falta de ferro evolui com unhas mais frágeis e, em estágios mais marcados, com deformidades como a unha em colher. Esse sinal não aparece em toda pessoa com anemia, mas reforça que o exame das unhas pode dar pistas úteis quando vem acompanhado de cansaço, palidez, queda de cabelo ou falta de ar aos esforços.

Biotina realmente pode influenciar a resistência da unha?
Biotina participa de processos ligados ao metabolismo de gorduras, carboidratos e proteínas, e por isso costuma entrar na conversa quando a unha perde resistência. Ela não é a única explicação possível, mas níveis insuficientes ou ingestão inadequada podem afetar a qualidade da queratina em pessoas suscetíveis.
Antes de recorrer a suplementos por conta própria, faz mais sentido revisar o contexto. Dietas muito restritivas, consumo insuficiente de ovos, laticínios ou leguminosas, além de problemas de absorção, podem contribuir. Se a dúvida for sobre causas frequentes e condutas iniciais, vale consultar as causas de unhas fracas em um material com orientações práticas.
Qual é o papel da proteína na formação das unhas?
A proteína é essencial porque a unha é formada principalmente por queratina, uma estrutura rica em aminoácidos. Quando a ingestão proteica cai por tempo prolongado, o organismo prioriza funções vitais e estruturas como cabelos e unhas podem perder qualidade, espessura e resistência.
Alguns sinais que podem acompanhar esse quadro incluem:
- crescimento ungueal mais lento
- lascas nas pontas com frequência
- perda de brilho e maior opacidade
- maior fragilidade junto de queda de cabelo
Isso não significa que toda unha fraca seja falta de proteína. O ponto central é avaliar o padrão alimentar, o peso recente, a massa muscular e a presença de doenças intestinais ou inflamatórias que prejudiquem o aproveitamento dos nutrientes.
Quando estrias e fragilidade pedem avaliação médica?
Estrias longitudinais finas podem surgir com o envelhecimento e nem sempre indicam doença. O alerta muda quando as unhas quebradiças aparecem de forma recente, pioram rápido ou vêm junto de sintomas gerais. Nessa situação, a investigação costuma incluir histórico alimentar, uso de produtos químicos, medicamentos, doenças da tireoide e exames laboratoriais.
Vale procurar avaliação se houver:
- cansaço persistente ou palpitações
- palidez, tontura ou falta de ar
- queda de cabelo acentuada
- perda de peso sem explicação
- mudança de formato, cor ou espessura da unha
Quando a unha muda junto com outros sinais do corpo, o mais útil é buscar a causa de base. Corrigir ferro, biotina ou proteína sem confirmação pode atrasar o diagnóstico e mascarar problemas como anemia, distúrbios de absorção ou inflamações crônicas. Observar a lâmina ungueal, a alimentação e os sintomas associados ajuda a direcionar uma conduta mais precisa.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.









