Sentir falta de ar ao subir escadas nem sempre é apenas sedentarismo. Em pessoas com tosse persistente, chiado, catarro frequente ou histórico de tabagismo, esse sinal pode indicar DPOC, uma doença respiratória crônica que limita a passagem do ar pelos pulmões.
A novidade é que um inalatório por nebulização, chamado ensifentrina e vendido nos Estados Unidos como Ohtuvayre, trouxe uma nova forma de ação para o tratamento de manutenção da DPOC. Ele não cura a doença, mas pode ajudar no controle da respiração em pacientes selecionados.
O que muda no tratamento da DPOC
A FDA aprovou o Ohtuvayre para o tratamento de manutenção da DPOC em adultos. O medicamento é usado por inalação oral, duas vezes ao dia, com nebulizador de jato padrão.
Seu diferencial é atuar como inibidor das enzimas PDE3 e PDE4, combinando efeito broncodilatador e ação anti-inflamatória. Isso pode complementar terapias já usadas, como broncodilatadores de longa ação e corticosteroides inalados, quando indicado pelo pneumologista.
O que o estudo científico ENHANCE mostrou
Segundo os ensaios clínicos de fase 3 Ensifentrine, a Novel Phosphodiesterase 3 and 4 Inhibitor for the Treatment of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, publicados no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, a ensifentrina foi avaliada em adultos com DPOC moderada a grave nos estudos ENHANCE-1 e ENHANCE-2.
Os resultados mostraram melhora significativa da função pulmonar em comparação ao placebo, medida pelo volume expiratório forçado no primeiro segundo. Também houve redução de exacerbações moderadas ou graves, eventos em que a DPOC piora e pode exigir corticoide, antibiótico ou atendimento médico.

Sinais que vão além do sedentarismo
Ficar ofegante após esforço intenso pode acontecer em pessoas sedentárias, mas alguns sinais sugerem que a falta de ar merece investigação. A DPOC costuma evoluir lentamente e pode ser confundida com “idade”, “fumo antigo” ou falta de preparo físico.
- Falta de ar ao subir escadas, caminhar rápido ou carregar peso.
- Tosse frequente, com ou sem catarro.
- Chiado ou aperto no peito.
- Piora da respiração em infecções respiratórias.
- Histórico de tabagismo ou exposição prolongada à fumaça, poeira ou poluição.
O que o novo inalatório não faz
Apesar da novidade, a ensifentrina não deve ser vista como remédio de alívio imediato para crises. Ela é um tratamento de manutenção, ou seja, usado de forma regular para ajudar no controle da DPOC ao longo do tempo.
- Não substitui avaliação com pneumologista.
- Não dispensa parar de fumar, quando há tabagismo.
- Não substitui vacinas, reabilitação pulmonar ou atividade física orientada.
- Não deve ser iniciado, suspenso ou combinado com outros inaladores sem prescrição.
- Pode causar efeitos adversos, como dor nas costas, hipertensão, infecção urinária e diarreia.

Quando procurar avaliação
Quem sente falta de ar progressiva, cansaço desproporcional, chiado ou tosse crônica deve procurar atendimento para investigar a causa. O diagnóstico da DPOC costuma envolver história clínica, exame físico e espirometria, que mede o fluxo de ar nos pulmões.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores as chances de reduzir crises, preservar a capacidade de esforço e melhorar a qualidade de vida. O tratamento ideal depende da gravidade dos sintomas, risco de exacerbações e resposta aos medicamentos.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









