Unhas que ficam finas, curvadas para dentro e com o centro tão rebaixado que pareceriam capazes de segurar uma gota d’água podem apresentar coiloniquia, alteração conhecida popularmente como unhas em colher. Esse formato surge quando a lâmina ungueal perde a curvatura natural e passa a assumir um aspecto côncavo, geralmente ao longo de semanas ou meses. Embora seja um achado clássico associado à anemia por deficiência de ferro, o formato isolado não confirma a falta do mineral e sempre exige avaliação médica com exames de sangue para esclarecer a causa.
O que é a coiloniquia?
A coiloniquia é uma alteração em que a unha se torna fina, mole e côncava, com aparência escavada no centro e bordas levemente elevadas. O padrão pode afetar uma única unha ou várias, e costuma ser mais perceptível nos dedos das mãos.
O quadro se instala de forma gradual e reflete uma mudança na matriz ungueal, região onde a unha é formada. Em bebês e crianças pequenas, a coiloniquia pode ser fisiológica e desaparecer com o crescimento, sem indicar doença.
Qual é a relação com a deficiência de ferro?
O ferro participa da formação de proteínas e de enzimas envolvidas na estrutura das unhas e na oxigenação dos tecidos. Quando o mineral está reduzido por longos períodos, essas funções são prejudicadas, o que pode enfraquecer a lâmina ungueal e favorecer o aspecto côncavo.
A coiloniquia é considerada um dos sinais clínicos clássicos da anemia ferropriva, mas costuma aparecer em quadros de deficiência prolongada e não em todos os pacientes. A presença isolada do formato em colher não confirma a falta de ferro, e outras causas precisam ser consideradas na investigação.

Quais outros sinais podem acompanhar o quadro?
Reconhecer o conjunto de sintomas ajuda a orientar a suspeita de deficiência de ferro. Os principais sinais que podem aparecer junto da coiloniquia incluem:
- Cansaço excessivo, mesmo após noites bem dormidas
- Palidez na pele, mucosas e dentro das pálpebras inferiores
- Falta de ar ou palpitações em pequenos esforços
- Queda de cabelo difusa e mais intensa que o habitual
- Vontade incomum de mastigar gelo, terra ou substâncias não alimentares
- Dor ou ardência na língua e feridas nos cantos da boca
- Unhas quebradiças, com estrias verticais e crescimento lento
- Tontura, dor de cabeça ou dificuldade de concentração
Quando dois ou mais desses sinais aparecem junto da coiloniquia, a investigação com exames laboratoriais torna-se ainda mais importante.
Como um estudo científico confirma essa associação?
A literatura dermatológica tem revisado as evidências que sustentam a relação entre coiloniquia e alterações sistêmicas, especialmente a deficiência de ferro. Essa revisão ajuda o médico a diferenciar os casos idiopáticos das formas ligadas a doenças de base.
De acordo com a revisão Koilonychia an update on pathophysiology differential diagnosis and clinical relevance, publicada no Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology e indexada no PubMed, a coiloniquia é reconhecida como um achado clínico associado à deficiência de ferro, mas também pode surgir em contextos como distúrbios da tireoide, hemocromatose, trauma repetitivo e uso de solventes. Os autores destacam que o diagnóstico depende da avaliação clínica em conjunto com exames complementares, e não do formato da unha isolado.

Quais outras causas podem provocar unhas em colher?
A coiloniquia não aparece só na deficiência de ferro. Diferentes fatores locais e sistêmicos podem produzir esse formato. Os principais são:
- Trauma repetitivo nas unhas, como uso frequente de saltos apertados, instrumentos musicais ou manicure agressiva
- Contato prolongado com solventes, detergentes, sabões e produtos químicos, especialmente em quem trabalha com limpeza
- Alterações da tireoide, como hipotireoidismo e hipertireoidismo
- Doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide
- Psoríase, líquen plano e outras condições dermatológicas
- Hemocromatose, condição em que há acúmulo excessivo de ferro no organismo
- Formas hereditárias raras, presentes desde a infância
- Causas idiopáticas, quando nenhum fator específico é identificado
Diante do aparecimento de unhas côncavas, finas e frágeis, a avaliação com clínico geral, dermatologista ou hematologista é o caminho mais seguro. Exames como hemograma, ferritina, saturação de transferrina e função tireoidiana ajudam a identificar a causa e orientar o tratamento, que pode envolver ajustes na alimentação, reposição de ferro ou controle da doença de base. Adotar uma dieta rica em alimentos ricos em ferro pode apoiar a recuperação, mas nunca substitui a orientação profissional.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.







