Conhecida cientificamente como cardiomiopatia de Takotsubo, a síndrome do coração partido é uma alteração transitória do músculo cardíaco que aparece após um forte impacto emocional ou estresse intenso. Os sintomas são quase idênticos aos de um infarto, com dor no peito, falta de ar e palpitações, mas, ao contrário do que ocorre em um ataque cardíaco, as artérias não estão obstruídas. Reconhecer os sinais e adotar hábitos que protegem o coração são passos importantes para prevenir essa condição, especialmente em mulheres a partir dos 50 anos.
O que é a síndrome do coração partido?
A síndrome do coração partido é uma disfunção temporária do ventrículo esquerdo provocada por uma descarga repentina de adrenalina. Diante de um evento emocional intenso, o músculo cardíaco se contrai de forma anormal e perde, momentaneamente, a capacidade de bombear o sangue com eficiência.
O nome Takotsubo vem do japonês e faz referência a um vaso usado para capturar polvos, formato que o coração assume durante o episódio. A condição costuma ser reversível e a maioria das pessoas se recupera por completo em poucas semanas.
Quais são os principais sintomas e como diferenciar de um infarto?
Os sintomas surgem de forma súbita, geralmente logo após uma situação de grande sofrimento emocional, como a perda de alguém querido, uma separação, problemas financeiros ou notícias inesperadas. Por se parecerem muito com um infarto, exigem atendimento médico imediato.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Dor intensa no peito, com sensação de aperto, peso ou opressão
- Falta de ar ou dificuldade para respirar mesmo em repouso
- Palpitações e batimentos acelerados
- Suor frio, náuseas e tonturas
- Em alguns casos, desmaios ou queda da pressão arterial
- Cansaço extremo e fraqueza nos membros
O diagnóstico é feito principalmente por meio do ecocardiograma, que mostra o padrão típico de deformação do ventrículo, e da angiografia, que confirma a ausência de obstrução nas artérias coronárias.

O que diz um estudo publicado no New England Journal of Medicine?
Apesar de ser uma condição relativamente recente nos consultórios, a síndrome de Takotsubo já conta com pesquisas robustas que ajudam a entender seu comportamento. Os dados mostram que o quadro é mais comum do que se imaginava e tem um perfil bem definido entre os pacientes afetados.
Segundo o estudo Características clínicas e desfechos da cardiomiopatia de Takotsubo (estresse), publicado no New England Journal of Medicine e que analisou 1.750 pacientes em 26 centros médicos da Europa e dos Estados Unidos, cerca de 89,8% dos casos ocorreram em mulheres, com idade média de 66,8 anos, e o estresse emocional ou físico foi identificado como gatilho na maioria dos episódios.
Quem tem maior risco e por que mulheres na menopausa são mais afetadas?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a síndrome, mulheres após a menopausa representam de 8 a 9 a cada 10 casos. A queda dos níveis de estrogênio nesse período parece deixar o coração mais sensível à ação da adrenalina e de outros hormônios do estresse.
Outros fatores que aumentam a vulnerabilidade incluem episódios de ansiedade, depressão e estresse crônico, além de hábitos como sono insuficiente, alimentação desequilibrada e sedentarismo.
Como prevenir a síndrome e proteger o coração no dia a dia?
A prevenção total nem sempre é possível, já que muitos gatilhos vêm de eventos imprevisíveis da vida. Ainda assim, cuidar da saúde física e emocional reduz significativamente o risco e fortalece o coração para enfrentar momentos difíceis com mais resiliência.
Especialistas recomendam adotar hábitos como:

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um profissional de saúde. Diante de qualquer sintoma cardíaco ou emocional preocupante, procure imediatamente um médico de confiança.









