O ataque cardíaco em mulheres costuma se manifestar de forma diferente do quadro clássico observado nos homens, com sintomas mais sutis que podem ser confundidos com cansaço, ansiedade ou problemas digestivos. Reconhecer esses sinais femininos é fundamental, já que o atraso na busca por atendimento aumenta significativamente o risco de complicações graves e de morte por infarto.
Por que o infarto feminino é diferente?
Antes da menopausa, o hormônio estrogênio oferece proteção natural ao coração da mulher, reduzindo o colesterol ruim e mantendo a elasticidade dos vasos. Após essa fase, o risco aumenta progressivamente e supera o dos homens em algumas faixas etárias.
Outra diferença importante está na anatomia: as artérias coronárias femininas são mais estreitas e o infarto tende a ocorrer em vasos de menor calibre. Isso explica porque a dor costuma ser menos intensa e mais difusa, o que dificulta o reconhecimento precoce do quadro.
Quais são os principais sintomas de ataque cardíaco em mulheres?
Os sinais femininos podem aparecer dias ou semanas antes do evento agudo, em episódios que vão e voltam. Por isso, qualquer combinação dos sintomas abaixo merece avaliação médica imediata, especialmente em mulheres com fatores de risco como hipertensão, diabetes ou histórico familiar.

O que aumenta o risco de infarto em mulheres?
Além dos fatores tradicionais, como tabagismo, sedentarismo e obesidade, as mulheres apresentam gatilhos específicos que merecem atenção redobrada. O controle dessas condições é parte essencial da prevenção das doenças cardiovasculares ao longo da vida.
A menopausa precoce, o uso de anticoncepcionais combinados ao tabagismo, complicações na gravidez como pré-eclâmpsia e a chamada síndrome metabólica estão entre as causas mais relevantes. O estresse crônico e a depressão também afetam mais o coração feminino, sendo importante manter o controle da pressão alta e do colesterol alto com acompanhamento regular.
Como um estudo brasileiro confirma essas diferenças?
A literatura científica reforça que mulheres com infarto chegam aos hospitais mais tarde e recebem tratamento com mais demora, o que piora o prognóstico. Compreender essa realidade ajuda a quebrar o mito de que o ataque cardíaco é uma doença predominantemente masculina e a estimular o atendimento ágil em emergências.
Segundo o estudo Diferenças entre os Sexos no Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, mulheres apresentam mais sintomas atípicos, menos dor torácica clássica e maior frequência de choque cardiogênico na chegada ao hospital, além de maior tempo até a reperfusão coronária quando comparadas aos homens.

O que fazer diante da suspeita de infarto?
Toda suspeita de ataque cardíaco é uma emergência médica e deve ser tratada com urgência absoluta. O atendimento na primeira hora após o início dos sintomas é decisivo para preservar o músculo cardíaco e reduzir sequelas.
- Ligue imediatamente para o SAMU (192) ou Bombeiros (193);
- Mantenha a pessoa sentada, em local arejado, evitando esforços;
- Afrouxe roupas apertadas e mantenha a calma para reduzir a frequência cardíaca;
- Não ofereça água, alimentos ou medicamentos por conta própria;
- Se houver perda de consciência e ausência de respiração, inicie a massagem cardíaca até a chegada do socorro.
Mulheres com fatores de risco devem realizar consultas regulares com o cardiologista e nunca ignorar sintomas persistentes, mesmo que pareçam leves. Diante de qualquer sinal suspeito, procure atendimento médico de imediato para avaliação clínica e exames adequados.
Este conteúdo é meramente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento de um médico.









