A pele seca é frequentemente atribuída ao clima frio, ao ar-condicionado ou à falta de hidratação, mas nem sempre a causa é tão simples. Quando o ressecamento persiste apesar dos cuidados tópicos, pode estar refletindo alterações internas do organismo, como a queda na produção de hormônios tireoidianos ou a carência de vitamina A. Reconhecer a diferença entre o ressecamento comum e o ressecamento de origem patológica é o primeiro passo para buscar o tratamento adequado.
Ressecamento comum ou ressecamento patológico?
A pele seca causada por fatores externos costuma ser temporária e responde bem ao uso de hidratantes, à ingestão adequada de água e à adaptação dos cuidados conforme o clima. Ela tende a afetar áreas mais expostas, como mãos, rosto e pernas, e melhora rapidamente quando o fator desencadeante é eliminado.
Já o ressecamento patológico apresenta características diferentes. Ele é mais difuso, atinge o corpo inteiro, persiste mesmo com hidratação regular e pode vir acompanhado de descamação intensa, aspereza ao toque e até pequenas fissuras. Quando esse quadro se associa a outros sinais como fadiga, ganho de peso, queda de cabelo ou alterações na visão, é importante investigar causas sistêmicas que vão além da superfície da pele.
Como os hormônios tireoidianos regulam a saúde da pele?
A tireoide produz hormônios que influenciam diretamente o metabolismo das células cutâneas. Receptores de T3 e T4 já foram identificados em queratinócitos, fibroblastos, folículos pilosos e glândulas sebáceas, o que significa que a pele é um órgão altamente sensível às variações desses hormônios. Quando há hipotireoidismo, as glândulas sebáceas reduzem a produção de oleosidade natural e as glândulas sudoríparas também desaceleram, comprometendo a barreira de hidratação da pele.
Além da diminuição da lubrificação natural, o hipotireoidismo altera o ciclo de renovação dos queratinócitos e favorece o acúmulo de mucopolissacarídeos na derme, o que deixa a pele mais espessa, pálida e áspera. Esses sinais cutâneos costumam aparecer de forma gradual e são frequentemente confundidos com envelhecimento ou efeitos do clima, o que atrasa o diagnóstico.

O papel da vitamina A na renovação celular da pele
A vitamina A é essencial para o processo de diferenciação e renovação das células da epiderme. Ela regula a queratinização, que é o mecanismo pelo qual as células da camada basal da pele se transformam em queratinócitos maduros e migram até a superfície. Quando os níveis dessa vitamina estão baixos, esse processo se desorganiza, resultando em acúmulo excessivo de queratina nos folículos pilosos e em uma pele seca, descamativa e com textura áspera.
A deficiência de vitamina A pode se manifestar com sinais específicos na pele:

Estudo identifica o edema facial e a pele seca como manifestações frequentes do hipotireoidismo
As alterações cutâneas provocadas pela disfunção tireoidiana são bem documentadas na literatura dermatológica. Segundo a revisão de literatura Dermatologic manifestations of thyroid disease: a literature review, publicada na revista Frontiers in Endocrinology em 2023, a xerose cutânea (pele excessivamente seca) foi a manifestação dermatológica mais frequente entre pacientes com hipotireoidismo, presente em mais de 57% dos casos avaliados. A revisão também registrou queda de cabelo difusa em 46% dos pacientes e edema facial em cerca de 29%, reforçando que sinais visíveis na pele podem funcionar como marcadores clínicos importantes para o diagnóstico precoce da doença.
Quando procurar um dermatologista ou endocrinologista
A pele seca que persiste por semanas, não melhora com cuidados externos e aparece junto com outros sintomas sistêmicos deve ser investigada. Cansaço crônico, inchaço no rosto, ganho de peso sem causa aparente, cabelos quebradiços e sensação constante de frio são sinais que sugerem problemas na tireoide e justificam a dosagem de TSH e T4 livre. Já a hiperqueratose folicular associada a alterações visuais e imunológicas pode indicar deficiência de vitamina A, especialmente em pessoas com dietas restritivas ou com problemas de absorção de gorduras.
Em ambos os casos, o diagnóstico é simples e o tratamento costuma trazer melhora significativa dos sintomas cutâneos. No entanto, a automedicação com suplementos de vitamina A ou hormônios tireoidianos pode ser prejudicial. Consultar um dermatologista ou endocrinologista é o caminho mais seguro para identificar a causa e iniciar o tratamento correto.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico ou profissional de saúde qualificado.









