Usada há gerações nas comunidades litorâneas do Brasil para tratar inflamações e infecções, a planta conhecida como periquito da praia ou túnica de São José acaba de receber respaldo científico importante. Um estudo experimental conduzido por três universidades brasileiras demonstrou que o extrato etanólico da espécie reduz inflamação, dor e danos nas articulações em modelos animais de artrite, aproximando o saber popular da evidência farmacológica moderna.
O que é o periquito da praia?
O periquito da praia, de nome científico Alternanthera littoralis, é uma planta herbácea nativa do litoral arenoso brasileiro. Pertence à mesma família de folhas populares como a bredo e a amaranto, e cresce de forma silvestre em áreas de restinga, especialmente no Sudeste e no Nordeste.
Nas comunidades costeiras, suas partes aéreas são preparadas em infusões e decocções para aliviar processos inflamatórios, infecções microbianas e doenças parasitárias. Também é consumida como verdura silvestre e tempero, o que a coloca no grupo dos alimentos bioativos com potencial medicinal.
O que o estudo encontrou na planta?
Pesquisadores identificaram uma concentração importante de flavonoides bioativos nas partes aéreas da planta, compostos conhecidos por suas ações antioxidantes e anti-inflamatórias. Entre as substâncias detectadas estão vitexina, isovitexina, quercetina e glicosídeos de isoramnetina.
Esses flavonoides já aparecem em outros alimentos funcionais e ajudam a explicar os efeitos observados nos experimentos, já que atuam em vias celulares envolvidas na resposta inflamatória e na proteção dos tecidos contra o estresse oxidativo. A ação é semelhante à descrita em outras fontes de antioxidantes naturais.
Quais efeitos foram observados nos testes?
Os experimentos usaram modelos animais de inflamação articular para testar a ação do extrato etanólico. Os resultados mostraram melhora em vários parâmetros ligados à artrite experimental, com efeitos comparáveis, em alguns aspectos, aos da prednisolona, um corticoide usado como referência no tratamento de doenças inflamatórias.
Entre os achados do estudo estão:

Esses efeitos sugerem um potencial terapêutico relevante para quadros como artrite reumatoide e outras condições inflamatórias crônicas, que hoje dependem de medicamentos com efeitos colaterais importantes.
O que diz a publicação científica?
A pesquisa foi conduzida por equipes da Universidade Federal da Grande Dourados, da Universidade Estadual de Campinas e da Universidade Estadual Paulista, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Os cientistas avaliaram tanto a eficácia quanto a segurança do extrato.
Segundo o estudo Ethanolic extract of Alternanthera littoralis aerial parts Safety assessment and efficacy in experimental models of articular, publicado no Journal of Ethnopharmacology, o extrato etanólico apresentou atividade anti-inflamatória, analgésica e antiartrítica significativa, sem causar mortalidade em doses orais de até 2000 mg/kg, o que indica ampla margem de tolerância nos testes toxicológicos agudos e subagudos conduzidos segundo protocolos internacionais.

O extrato já pode ser usado em humanos?
Apesar dos resultados animadores, os próprios pesquisadores alertam que ainda não é possível recomendar o uso clínico da planta em pessoas. Os experimentos foram realizados em laboratório, com modelos animais, e os achados não podem ser transpostos diretamente para a realidade humana sem etapas adicionais de pesquisa.
Para avançar, serão necessários estudos de toxicidade crônica, isolamento dos compostos ativos, análises farmacocinéticas e, futuramente, ensaios clínicos controlados, além da aprovação de órgãos reguladores. Por isso, o uso caseiro de chás ou extratos da planta para tratar dor nas articulações pode oferecer riscos e não substitui o acompanhamento médico adequado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, reumatologista ou outro profissional de saúde qualificado. Nenhuma planta medicinal deve ser usada como tratamento para artrite sem orientação profissional. Diante de dores articulares persistentes, procure avaliação médica individualizada.








