Sentir uma dor latejante que parece impedir qualquer atividade comum é uma realidade para milhões de pessoas, mas saber diferenciar uma cefaleia comum de uma crise de enxaqueca é o que garante o alívio real. A enxaqueca não é apenas uma “dor forte”; ela é uma condição neurológica complexa que envolve uma cascata de reações no cérebro e pode durar dias. Entender os sinais que o seu corpo envia antes e durante a crise é a ferramenta mais poderosa para retomar o controle da sua rotina e buscar o tratamento que realmente funciona para o seu caso.
Quais são os sintomas clássicos de uma crise?
A enxaqueca se manifesta de forma multissensorial, afetando muito mais do que apenas a região da cabeça. A ciência nos mostra que a dor costuma ser unilateral e latejante, sendo frequentemente acompanhada por uma intolerância aguda a estímulos externos que seriam inofensivos em momentos normais.
- Dor pulsátil: Uma sensação de “coração batendo” em um dos lados da cabeça que piora com o movimento.
- Sensibilidade à luz e ao som: Luzes fortes ou ruídos comuns tornam-se insuportáveis durante a crise.
- Náuseas e vômitos: O sistema digestivo muitas vezes fica lentificado, causando desconforto abdominal e enjoos.
- Aura visual: Ver pontos brilhantes, linhas em zigue-zague ou sofrer perda temporária de parte da visão.
- Tonturas e vertigens: Sensação de desequilíbrio ou de que o ambiente está girando ao redor.
- Sensibilidade a odores: Cheiros de perfumes, comida ou cigarro podem intensificar a dor drasticamente.
- Dificuldade de concentração: Conhecida como “nevoeiro mental”, torna difícil formular frases ou focar em tarefas.
- Alterações de humor: Irritabilidade ou depressão podem surgir antes ou durante o pico da dor.
- Cansaço extremo: Uma sensação de exaustão profunda que permanece mesmo após a dor de cabeça passar.
Quem apresenta maior risco de sofrer com isso?
Existem grupos específicos que, devido a fatores biológicos e hormonais, possuem uma predisposição muito maior a desenvolver crises recorrentes. Especialistas da Sociedade Brasileira de Cefaleia explicam que a genética desempenha um papel crucial, onde ter parentes de primeiro grau com o problema aumenta significativamente as chances.
Além da hereditariedade, o gênero feminino é estatisticamente mais afetado devido às flutuações de estrogênio. Evidências da revisão científica “Carga global, regional e nacional da enxaqueca em 204 países e territórios, de 1990 a 2019“, confirmam que mulheres em idade reprodutiva são o principal grupo de risco mundial para a condição.

Como as fases da enxaqueca se manifestam?
Muitos não sabem, mas a crise começa muito antes da dor aparecer, em uma fase chamada de pródromo. Evidências do guia “Classificação Internacional das Cefaleias, 3ª edição“ descrevem que sintomas como bocejos excessivos, desejo por doces e rigidez no pescoço podem surgir até 48 horas antes.
Identificar esses sinais precoces permite que o paciente inicie o protocolo de alívio antes que a dor se torne incapacitante. Compreender o ciclo completo — pródromo, aura, dor e pósdromo, ajuda a desmistificar a doença e a melhorar a comunicação com o médico durante o diagnóstico.
Quais fatores do cotidiano funcionam como gatilhos?
Identificar o que “liga” a sua dor é essencial para reduzir a frequência das crises sem depender apenas de remédios. Embora os gatilhos variem muito de pessoa para pessoa, alguns fatores ambientais e hábitos modernos são universalmente reconhecidos pela comunidade científica como perigosos para quem tem predisposição.
| 😴 Privação de Sono | 🍽️ Jejum Prolongado | ⚡ Estresse Emocional | 🧀 Alimentos Gatilho |
|---|---|---|---|
| Dormir menos (ou mais) que o habitual desregula o sistema nervoso central. | A queda nos níveis de açúcar no sangue atua como um gatilho metabólico clássico. | Alta tensão libera substâncias neuroinflamatórias nos vasos sanguíneos cerebrais. | Queijos curados, embutidos e cafeína em excesso podem precipitar os episódios. |
Como agir para reduzir a frequência das crises?
O próximo passo ideal é manter um “diário da dor”, anotando o que você comeu e como dormiu antes de cada episódio. O guia “Diretriz de 2021 para a prevenção de acidente vascular cerebral em pacientes com AVC e ataque isquêmico transitório: uma diretriz da American Heart Association/American Stroke Association” sugere que mudanças no estilo de vida, como exercícios regulares e hidratação adequada, são tão importantes quanto o tratamento medicamentoso.
Buscar um neurologista é fundamental para diferenciar a enxaqueca de outras condições mais graves e receber uma prescrição personalizada. Com o suporte adequado e o conhecimento dos seus gatilhos, é perfeitamente possível viver com muito mais dias de bem-estar e menos interrupções causadas pela dor.









