A VPPB costuma causar uma sensação súbita de que o quarto gira ao virar na cama, deitar ou levantar. Embora muita gente chame qualquer crise de labirintite, a tontura provocada por essa alteração do ouvido interno tem duração e gatilhos característicos. Reconhecer o padrão da vertigem posicional ajuda a buscar a avaliação adequada e evita tratamentos sem indicação.
Como a VPPB aparece ao virar na cama?
Na VPPB, pequenas partículas de carbonato de cálcio, chamadas otocônias, saem do lugar e entram nos canais semicirculares. Ao movimentar a cabeça, elas estimulam o labirinto de forma inadequada. Surge então a vertigem posicional, geralmente intensa, mas com duração de poucos segundos ou menos de um minuto.
A tontura pode vir acompanhada de náusea, desequilíbrio e nistagmo, um movimento involuntário dos olhos. Os gatilhos mais relatados incluem:
- virar para um dos lados na cama;
- deitar ou sentar rapidamente;
- inclinar a cabeça para trás;
- abaixar o corpo e tornar a levantar;
- mudar a posição durante exercícios no chão.
O que as manobras revelam sobre a causa?
O exame clínico usa movimentos da cabeça para reproduzir a crise e observar os olhos. Testes como o de Dix-Hallpike ajudam a identificar o canal afetado. Um ensaio clínico randomizado publicado em setembro de 2022 comparou técnicas terapêuticas e mostrou a eficácia das manobras de reposicionamento para aliviar a VPPB.
Esse resultado faz sentido porque o problema é mecânico. A manobra de Epley, por exemplo, conduz as partículas de volta a uma região na qual deixam de provocar sintomas. Algumas pessoas apresentam instabilidade ou tontura residual por alguns dias. A execução deve ser orientada por médico, fisioterapeuta vestibular ou outro profissional habilitado, principalmente quando há limitação cervical.

Quando o quadro pode ser labirintite?
A labirintite verdadeira é uma inflamação do labirinto e pode afetar tanto o equilíbrio quanto a audição. Em vez de crises breves provocadas por uma posição específica, é mais comum haver vertigem persistente por horas ou dias, dificuldade para caminhar, náusea forte e sintomas auditivos, como redução da audição ou zumbido.
Nem toda vertigem prolongada é labirintite. Neurite vestibular, doença de Ménière, enxaqueca vestibular e efeitos de medicamentos também entram na investigação. Para comparar o padrão das crises e as formas de confirmação, vale consultar os sinais característicos do quadro posicional. A presença de febre ou infecção recente também precisa ser informada na consulta.
Quais sinais exigem atendimento sem demora?
Episódios de tontura merecem avaliação, mas certos sintomas não combinam com uma alteração posicional simples. Uma suposta labirintite pode, em alguns casos, esconder um problema neurológico ou circulatório. Procure atendimento urgente diante de:
- perda auditiva súbita em um ou nos dois ouvidos;
- fraqueza, dormência ou assimetria no rosto;
- fala enrolada, confusão ou desmaio;
- visão dupla ou dificuldade intensa para caminhar;
- dor de cabeça abrupta e diferente do habitual;
- vômitos persistentes ou dor no peito.
Esses sinais neurológicos precisam ser examinados rapidamente. Até esclarecer a causa, evite dirigir, subir em escadas sem apoio ou tomar remédios por conta própria. Medicamentos que reduzem o enjoo podem ser úteis em situações específicas, mas o uso prolongado pode atrasar a compensação do sistema vestibular.
Como agir até chegar à consulta?
Anote quanto tempo dura cada crise, qual movimento a provoca, o lado para o qual você virou e se houve zumbido, pressão no ouvido ou alteração da audição. Levante devagar, acenda a luz antes de caminhar à noite e mantenha apoio próximo à cama. A avaliação vestibular, associada ao exame dos olhos, da audição e do equilíbrio, permite diferenciar uma crise mecânica de causas inflamatórias, neurológicas ou metabólicas.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se os sintomas forem intensos, recorrentes ou acompanhados de sinais de alerta, procure orientação médica.








