O alecrim contém ácido carnósico, um composto bioativo que tem chamado a atenção de pesquisadores por sua possível ação sobre mecanismos envolvidos no controle da pressão arterial. Estudos experimentais encontraram redução da pressão e efeitos sobre o sistema que regula a contração dos vasos sanguíneos, mas as evidências ainda vêm principalmente de pesquisas em animais e laboratório. Portanto, usar alecrim na alimentação não equivale a um tratamento para hipertensão.
O que o ácido carnósico tem a ver com a pressão arterial?
O ácido carnósico é um dos compostos naturais encontrados no alecrim e possui propriedades antioxidantes estudadas há décadas. Mais recentemente, pesquisadores passaram a investigar sua possível atuação em vias diretamente relacionadas ao funcionamento dos vasos sanguíneos e à pressão arterial.
Um dos alvos de interesse é o receptor AT1 da angiotensina II. Quando ativado, esse receptor participa de mecanismos que provocam contração dos vasos e contribuem para elevar a pressão. Ele também é alvo de medicamentos conhecidos como bloqueadores dos receptores da angiotensina, utilizados no tratamento da hipertensão.
O que o estudo encontrou?
Em uma pesquisa sobre ácido carnósico e hipertensão publicada e indexada no PubMed, cientistas avaliaram o composto em ratos com hipertensão espontânea e também realizaram análises moleculares. O ácido carnósico apresentou atividade anti-hipertensiva nos animais e mostrou capacidade de interagir com o receptor AT1 da angiotensina II.
Os pesquisadores observaram um mecanismo de antagonismo desse receptor, o que poderia ajudar a explicar a redução da pressão encontrada nos animais. O resultado é promissor para o desenvolvimento de novas pesquisas, mas não demonstra que comer alecrim ou tomar seu extrato produza o mesmo efeito em pessoas com hipertensão.

Por que isso ainda não transforma o alecrim em tratamento?
Existe uma diferença importante entre testar um composto isolado em condições controladas e consumir a planta como alimento. Em estudos experimentais, os pesquisadores conseguem controlar concentração, dose e forma de administração do ácido carnósico. Um ramo de alecrim usado para temperar uma refeição contém diversos compostos e não fornece uma quantidade padronizada dessa substância.
Além disso, o estudo sobre pressão arterial foi realizado em animais. Antes que o ácido carnósico possa ser considerado uma opção terapêutica, ainda são necessários estudos clínicos em seres humanos capazes de avaliar pontos como:
- qual dose poderia produzir efeito;
- quanto do composto é absorvido pelo organismo;
- por quanto tempo o efeito poderia permanecer;
- quais seriam os possíveis efeitos adversos;
- se existem interações com medicamentos;
- se realmente há benefício para pessoas com hipertensão.
Vale a pena consumir alecrim pensando no coração?
O alecrim pode fazer parte de uma alimentação equilibrada como erva aromática e é uma alternativa interessante para acrescentar sabor aos alimentos. Conhecer as propriedades e formas de usar o alecrim também ajuda a diferenciar o consumo culinário do uso de extratos ou preparações concentradas.
Na prática, utilizar ervas e especiarias para temperar alimentos pode ainda ajudar a reduzir a dependência de grandes quantidades de sal nas preparações, algo particularmente relevante para quem precisa controlar a pressão. No entanto, não existe evidência suficiente para definir uma quantidade de alecrim que baixe a pressão arterial ou recomendar suplementos de ácido carnósico com essa finalidade.

Quem tem pressão alta pode substituir o remédio pelo alecrim?
Não. Os medicamentos anti-hipertensivos possuem doses estudadas, indicações definidas e evidências clínicas em seres humanos. Os resultados obtidos com o ácido carnósico representam uma linha de pesquisa que poderá ajudar a compreender novas possibilidades terapêuticas, e não uma alternativa já disponível aos tratamentos atuais.
Quem usa remédio para pressão alta não deve reduzir a dose, interromper o medicamento ou substituí-lo por alecrim, chá, extrato ou suplemento. Também é importante ter cautela com produtos concentrados, especialmente quando outros medicamentos são utilizados ao mesmo tempo. O acompanhamento da pressão e eventuais mudanças no tratamento devem ser feitos com orientação médica.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com hipertensão devem manter o tratamento prescrito e conversar com um profissional de saúde antes de utilizar extratos ou suplementos de plantas com finalidade terapêutica.








