O anticoncepcional hormonal é um dos métodos contraceptivos mais utilizados no mundo, mas sua prescrição segura depende de uma avaliação individualizada dos fatores de risco de cada mulher. Especialistas consideram condições como tabagismo, obesidade, trombofilias e histórico familiar de trombose antes de indicar qualquer método hormonal, já que esses fatores influenciam diretamente a segurança do tratamento. A escolha correta reduz complicações graves como o tromboembolismo venoso e garante uma contracepção eficaz e alinhada às necessidades de saúde da paciente.
Por que a avaliação médica é essencial antes da prescrição?
A avaliação clínica detalhada permite identificar contraindicações e ajustar o método ao perfil da mulher. Não existe uma pílula considerada a melhor para todas, já que cada organismo responde de forma distinta aos hormônios sintéticos.
Além do histórico pessoal e familiar, o ginecologista analisa idade, tabagismo, pressão arterial, índice de massa corporal e uso de outros medicamentos. Essa análise minuciosa é a base para uma prescrição segura e para a prevenção de eventos adversos, como a trombose venosa profunda.
Quais são os principais fatores de risco avaliados?
Certas condições clínicas aumentam significativamente o risco de complicações com o uso de anticoncepcionais hormonais combinados, especialmente os que contêm estrogênio. Os fatores mais analisados na consulta são:
- Tabagismo, principalmente em mulheres acima de 35 anos
- Obesidade e sobrepeso, que elevam o risco trombótico
- Trombofilias hereditárias, como fator V de Leiden e mutação da protrombina
- Histórico pessoal ou familiar de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar
- Hipertensão arterial descompensada e diabetes com complicações vasculares
- Enxaqueca com aura, associada a maior risco de eventos cerebrovasculares
- Imobilização prolongada, cirurgias recentes ou pós-parto imediato

O que um documento oficial da Febrasgo revela sobre o risco de tromboembolismo?
As orientações da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia são referência nacional para a prescrição segura de contraceptivos hormonais. A entidade reforça que o risco de tromboembolismo venoso varia conforme o tipo de hormônio, a via de administração e os fatores individuais de cada mulher.
Segundo o Position Statement Use of hormones and risk of venous thromboembolism, publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia em 2024, mulheres que usam contraceptivos orais combinados ou adesivos transdérmicos apresentam risco cerca de oito vezes maior de tromboembolismo em comparação a não usuárias, enquanto os métodos reversíveis de longa duração com progestagênio isolado não aumentam esse risco. O documento reforça a importância de uma escolha personalizada, baseada no perfil clínico de cada paciente.
Como escolher o método anticoncepcional mais adequado?
A decisão sobre o método ideal envolve o equilíbrio entre eficácia contraceptiva, perfil de segurança e preferências pessoais da mulher. Diferentes opções apresentam vantagens conforme a fase da vida e as condições de saúde:
- Pílulas combinadas: eficazes, mas contraindicadas em fumantes acima de 35 anos e portadoras de trombofilia
- Minipílula de progestagênio: opção segura para lactantes e mulheres com risco trombótico aumentado
- DIU hormonal com levonorgestrel: alta eficácia, poucos efeitos sistêmicos e sem aumento do risco de trombose
- DIU de cobre: alternativa não hormonal para quem apresenta contraindicações aos hormônios
- Implante subdérmico: praticidade e duração prolongada, indicado para quem esquece a pílula
- Injetáveis mensais ou trimestrais: opção para quem prefere administração espaçada, com avaliação individual
Vale destacar que existem várias formas de escolher o melhor método anticoncepcional, sempre com orientação profissional.

Quando o anticoncepcional hormonal deve ser evitado?
Existem situações em que os anticoncepcionais hormonais combinados são absolutamente contraindicados, conforme os critérios de elegibilidade médica. Casos de trombose atual ou pregressa, câncer de mama ativo, hepatopatia grave, hipertensão descompensada e enxaqueca com aura configuram contraindicações formais ao uso.
Nessas situações, alternativas não hormonais ou métodos com progestagênio isolado são preferidos. A avaliação deve considerar também condições transitórias, como pós-parto recente e imobilização, além de sinais de alerta que exigem interrupção imediata, como dor intensa na panturrilha, falta de ar súbita ou cefaleia incomum, típicos de quando começar a tomar anticoncepcional exige acompanhamento adequado.
As informações apresentadas neste conteúdo têm caráter exclusivamente informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou a prescrição de um médico ginecologista. Nunca inicie, altere ou interrompa o uso de anticoncepcional hormonal sem orientação profissional individualizada.








