O tipo de café pode ser o mesmo, mas a forma de preparo muda quanto de alguns compostos naturais do grão chega à xícara. O filtro de papel retém grande parte dos diterpenos cafestol e kahweol, enquanto a prensa francesa permite a passagem de quantidades maiores. Esses compostos podem elevar o colesterol quando consumidos em quantidade relevante, mas isso não significa que trocar o método de preparo, sozinho, seja suficiente para tratar colesterol alto.
O que muda entre o café filtrado e a prensa francesa?
Na prensa francesa, o pó permanece em contato com a água e depois é separado da bebida por uma tela metálica. Esse sistema deixa passar mais óleos naturais e partículas finas do café. Já o filtro de papel consegue reter uma parcela importante desses componentes.
Um estudo sobre filtros de papel e diterpenos do café, realizado por pesquisadores brasileiros e publicado em 2018, encontrou baixas concentrações de cafestol e kahweol nas bebidas preparadas com papel. Características do filtro e do pó também influenciaram a quantidade que chegou à bebida.
Por que cafestol e kahweol importam para o colesterol?
Cafestol e kahweol são diterpenos encontrados naturalmente na parte oleosa dos grãos. O cafestol é especialmente relevante porque estudos em humanos mostram que sua ingestão em quantidades maiores pode elevar o colesterol total e o LDL.
Uma metanálise de ensaios clínicos sobre café e lipídios sanguíneos observou que o consumo de café não filtrado aumentou o colesterol total e o LDL, enquanto os estudos com café filtrado mostraram alterações muito menores. Isso ajuda a explicar por que o método de preparo faz diferença.

Então a prensa francesa precisa ser evitada?
Não necessariamente. O efeito depende também da quantidade e da frequência de consumo. Beber eventualmente uma xícara preparada na prensa é diferente de consumir várias porções de café não filtrado diariamente durante um período prolongado.
Estudos que analisam diferentes métodos mostram que a quantidade de diterpenos pode variar bastante. Em uma pesquisa publicada em 2025, a prensa francesa apresentou concentrações intermediárias de cafestol e kahweol, enquanto o café preparado em filtro de papel doméstico apresentou níveis consideravelmente menores.
Quem tem colesterol alto pode preferir o filtro de papel?
Para uma pessoa que bebe café todos os dias e já apresenta colesterol alto, optar pelo filtro de papel pode ser uma maneira simples de reduzir a exposição aos diterpenos sem necessariamente abandonar a bebida.
Isso não significa, porém, que o método de preparo seja o principal responsável pelo resultado do exame. Alimentação, genética, peso corporal, atividade física, doenças associadas e medicamentos também influenciam o colesterol. O café pode fazer parte da alimentação, mas seu impacto precisa ser considerado dentro do conjunto de hábitos.

Trocar a prensa pelo filtro pode baixar o colesterol?
Reduzir o consumo frequente de café não filtrado pode diminuir a ingestão de cafestol e kahweol e, dessa forma, retirar um fator capaz de contribuir para o aumento do colesterol. A magnitude dessa diferença varia conforme o volume consumido, o método de preparo e a resposta individual.
Trocar a prensa francesa pelo filtro de papel não deve ser vista como tratamento isolado para colesterol alto. Quem apresenta LDL elevado precisa avaliar o resultado com um profissional e seguir as medidas indicadas para seu risco cardiovascular, incluindo alimentação, atividade física e medicamentos quando necessários.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Pessoas com colesterol elevado ou doença cardiovascular devem receber orientação individualizada sobre alimentação, consumo de café e tratamento.








