O ibuprofeno pode ser útil para aliviar dor, febre e inflamação, mas exige mais atenção em pessoas idosas. Isso acontece porque os rins tendem a perder parte da sua reserva funcional com o envelhecimento e podem ficar mais sensíveis aos efeitos dos anti-inflamatórios. O risco não depende apenas da dose: desidratação, doenças prévias e outros medicamentos usados ao mesmo tempo também fazem diferença.
O que muda nos rins com o passar dos anos?
Com o envelhecimento, podem ocorrer alterações estruturais nos rins e redução gradual da taxa de filtração glomerular, que indica quanto sangue esses órgãos conseguem filtrar. Isso não significa que toda pessoa idosa tenha doença renal, mas a margem para lidar com determinadas agressões pode ser menor.
Uma revisão científica sobre o envelhecimento dos rins, publicada em 2017 na série Progress in Molecular Biology and Translational Science, descreve esse declínio progressivo da função renal associado à idade e as mudanças estruturais que podem acompanhá-lo.
Por que o ibuprofeno pode afetar a função dos rins?
O ibuprofeno pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos como AINEs. Esses medicamentos reduzem a produção de prostaglandinas, substâncias envolvidas na dor e na inflamação, mas que também ajudam a manter o fluxo de sangue adequado para os rins em determinadas situações.
Quando essa proteção diminui, uma pessoa mais vulnerável pode apresentar queda da filtração renal e retenção de sódio e líquidos. Por isso, até uma dose considerada baixa merece cuidado quando existem outros fatores de risco, especialmente se houver desidratação ou uso repetido do medicamento.

Quem precisa ter atenção redobrada?
O risco de complicações não é igual para todos. O cuidado deve ser maior quando o idoso apresenta uma ou mais destas situações:
- doença renal já conhecida;
- insuficiência cardíaca ou pressão alta;
- desidratação por vômitos, diarreia ou baixa ingestão de líquidos;
- uso de diuréticos ou determinados medicamentos para pressão;
- uso frequente ou prolongado de anti-inflamatórios;
- uso simultâneo de outros medicamentos que podem afetar os rins.
Isso não significa que idosos nunca possam usar ibuprofeno. Em determinadas situações, o médico pode considerar o medicamento apropriado, levando em conta dose, duração do tratamento, função renal e demais condições de saúde.
Quais sinais merecem atenção durante o uso?
Algumas alterações podem indicar retenção de líquidos, efeitos gastrointestinais ou comprometimento renal e justificam avaliação médica. Entre elas estão:
- diminuição importante da quantidade de urina;
- inchaço nas pernas, pés ou tornozelos;
- falta de ar ou aumento rápido de peso por retenção de líquidos;
- fraqueza ou mal-estar intenso;
- dor forte no estômago;
- fezes muito escuras ou presença de sangue.
Esses sintomas não confirmam uma complicação causada pelo ibuprofeno, mas devem ser investigados, principalmente em quem já apresenta doença renal, cardiovascular ou utiliza vários medicamentos.

Dose baixa significa que o medicamento é sempre seguro?
Não. Em geral, riscos relacionados aos anti-inflamatórios aumentam com doses maiores e tratamentos mais longos, mas uma quantidade pequena não elimina completamente a possibilidade de efeitos adversos. O estado de hidratação, a função dos rins e as interações medicamentosas também precisam ser considerados.
Por isso, idosos não devem trocar o ibuprofeno por outro analgésico ou anti-inflamatório por conta própria. A escolha da alternativa depende da causa da dor e das condições de saúde de cada pessoa. Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico, especialmente diante de uso frequente de ibuprofeno ou presença de doença renal, cardíaca ou pressão alta.








