Ter mais gases em determinados dias não significa necessariamente que algum alimento fez mal ou que existe uma intolerância. O excesso pode surgir simplesmente porque a pessoa engoliu mais ar, comeu rapidamente ou porque as bactérias do intestino fermentaram carboidratos que não foram totalmente digeridos. O que merece mais atenção é quando o problema se torna frequente, intenso ou aparece acompanhado de outros sintomas.
De onde vêm tantos gases?
Existem duas fontes importantes de gás no aparelho digestivo. Uma delas é o ar que engolimos ao comer, beber e falar. A outra é a fermentação realizada pelas bactérias que vivem no intestino grosso.
Segundo o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, carboidratos que não são completamente digeridos no estômago e no intestino delgado podem chegar ao intestino grosso, onde são utilizados pelas bactérias, produzindo gases nesse processo. Isso faz parte do funcionamento normal da digestão.
Comer rápido também aumenta a flatulência?
Sim. Comer ou beber muito rapidamente pode fazer a pessoa engolir uma quantidade maior de ar, fenômeno conhecido como aerofagia. Parte desse ar sai pelos arrotos e outra parte pode seguir pelo aparelho digestivo.
Alguns hábitos favorecem essa entrada de ar:
- comer ou beber rapidamente;
- falar bastante enquanto mastiga;
- mascar chiclete com frequência;
- beber líquidos gaseificados;
- usar canudo com frequência.
Nessas situações, mudar a forma de comer pode ser mais útil do que retirar vários alimentos da dieta.

A flora intestinal também influencia os gases?
Sim. A chamada flora ou microbiota intestinal reúne diferentes microrganismos que participam da fermentação dos alimentos. A quantidade e o tipo de gás produzido podem variar de acordo com a composição da alimentação e com a atividade dessas bactérias.
Por isso, duas pessoas podem consumir a mesma refeição e perceber efeitos diferentes. Alimentos ricos em fibras e determinados carboidratos podem aumentar temporariamente a fermentação, enquanto condições como intolerância à lactose também podem favorecer gases quando um açúcar não é adequadamente digerido.
É preciso cortar alimentos que provocam gases?
Não necessariamente. Feijão, lentilha, verduras, frutas e alimentos integrais podem aumentar a produção de gás justamente porque fornecem carboidratos e fibras fermentáveis, mas muitos deles também fazem parte de uma alimentação saudável. Eliminar vários alimentos sem identificar um padrão pode tornar a dieta desnecessariamente restritiva.
Uma estratégia simples é observar por alguns dias se o desconforto aparece depois de determinadas refeições, se está relacionado à quantidade consumida e se melhora ao comer mais devagar. Aumentos muito rápidos no consumo de fibras também podem causar gases temporariamente.

Quando o excesso de gases merece investigação?
Gases intestinais ocasionais são comuns. Vale procurar avaliação quando há uma mudança persistente no padrão habitual ou quando o problema interfere nas atividades diárias.
Também merecem atenção gases acompanhados de dor abdominal persistente ou intensa, diarreia ou prisão de ventre prolongadas, perda de peso sem explicação, sangue nas fezes ou vômitos recorrentes. Nesses casos, a avaliação ajuda a identificar se existe alguma alteração digestiva por trás dos sintomas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Gases persistentes ou acompanhados de outros sintomas devem ser avaliados antes de iniciar dietas restritivas, suplementos ou medicamentos por conta própria.









