Pequenas placas amareladas que surgem nas pálpebras, principalmente perto do canto interno dos olhos, chamam atenção pelo aspecto e costumam ser confundidas com espinhas, cravos ou milia. Na maioria dos casos, porém, são xantelasmas, depósitos de gordura sob a pele que podem sinalizar níveis elevados de LDL, o colesterol ruim. Embora as lesões em si sejam benignas, elas costumam vir acompanhadas de alterações no perfil lipídico e de maior risco de infarto e outros problemas cardiovasculares. Por isso, essas marquinhas merecem atenção e um exame de sangue confirmatório.
O que é o xantelasma nas pálpebras?
O xantelasma palpebral é o subtipo mais comum de xantoma, formado pelo acúmulo de colesterol dentro de células chamadas macrófagos, logo abaixo da pele fina das pálpebras. As lesões aparecem como placas planas ou levemente elevadas, macias, de cor amarelada e crescimento lento.
Costuma ser simétrico, bilateral e mais frequente em pessoas com mais de 40 anos. Não dói, não coça e não causa alterações visuais, mas tende a progredir e permanecer se a causa metabólica não for tratada.
Como o xantelasma se relaciona ao colesterol alto e ao risco de infarto?
Grande parte das pessoas com xantelasma apresenta dislipidemia, especialmente aumento do LDL e do colesterol total. Esse excesso de gordura circulante contribui para a formação de placas de aterosclerose nas artérias, o que eleva o risco de infarto do miocárdio e AVC.
Ainda assim, algumas pessoas com o quadro possuem colesterol normal. Por isso, encontrar essas marcas amarelas nas pálpebras deve levar sempre à investigação laboratorial e à avaliação do risco cardiovascular global.

Como diferenciar o xantelasma de outras marcas nas pálpebras?
Nem toda bolinha ao redor dos olhos é xantelasma. Alguns detalhes ajudam a distinguir as lesões mais comuns:
- Xantelasma: placa plana ou levemente elevada, macia, amarelada, simétrica, indolor e de crescimento lento.
- Milia: pequenos cistos brancos, arredondados e firmes, geralmente pontuais e não amarelados.
- Siringoma: pápulas cor da pele, do tamanho de uma cabeça de alfinete, frequentes abaixo dos olhos.
- Espinhas ou cravos: lesões inflamadas, com ponto branco ou preto, sensíveis ao toque e temporárias.
- Verrugas: crescimentos ásperos, cor da pele ou acastanhados, únicos ou em pequenos grupos.
Diante da dúvida, o ideal é procurar um dermatologista, que pode confirmar o diagnóstico pelo exame clínico e orientar a investigação de como diminuir o colesterol ruim e a prevenção de complicações.
Quais exames avaliam o colesterol e o risco cardiovascular?
Ao suspeitar de xantelasma, o médico costuma solicitar um conjunto de exames de sangue para avaliar o metabolismo das gorduras. Confira os principais:
- Colesterol total: soma das frações LDL, HDL e VLDL na corrente sanguínea.
- LDL (colesterol ruim): principal responsável pelo acúmulo de placas nas artérias.
- HDL (colesterol bom): ajuda a remover o excesso de colesterol dos vasos.
- Triglicerídeos: outro tipo de gordura ligado ao risco cardiovascular.
- Glicemia de jejum e hemoglobina glicada: avaliam risco de diabetes, muitas vezes associado.
- Função da tireoide e do fígado: descartam causas secundárias da dislipidemia.
Esses exames formam o perfil lipídico e servem como base para calcular o risco cardiovascular. Para saber mais, veja os valores de referência do colesterol conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O que uma pesquisa publicada no BMJ revela sobre o xantelasma?
A ciência confirma que essas placas amareladas podem ser um sinal precoce de problemas cardiovasculares. Segundo o estudo Xanthelasmata, arcus corneae, and ischaemic vascular disease and death in general population, uma coorte prospectiva com 12.745 pessoas acompanhadas por até 33 anos e publicada no British Medical Journal (BMJ), os participantes com xantelasma tiveram risco 48% maior de infarto do miocárdio, 39% maior de doença isquêmica do coração e 69% maior de aterosclerose grave em comparação a quem não apresentava as lesões, independentemente dos níveis de colesterol.
Diante do surgimento dessas marcas, procure um médico clínico, dermatologista ou cardiologista para avaliação. Somente um profissional pode interpretar os exames, calcular o risco cardiovascular individual e indicar o tratamento adequado, que pode envolver mudanças no estilo de vida, controle da alimentação e, em alguns casos, uso de medicamentos.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.








