MASLD é o nome adotado em 2023 para enquadrar parte dos casos conhecidos como gordura no fígado. A mudança liga a esteatose hepática a alterações do metabolismo, como glicose elevada, pressão alta e excesso de peso. Para o paciente, isso influencia os critérios usados no diagnóstico e a avaliação do risco de fibrose.
O que mudou de NAFLD para MASLD?
A sigla NAFLD significava doença hepática gordurosa não alcoólica. Seu conceito dependia da exclusão de consumo relevante de álcool e de outras causas. MASLD significa doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica. Em vez de definir o quadro pelo que ele não é, o novo termo aponta para alterações cardiometabólicas presentes no paciente.
A expressão gordura no fígado continua útil em conversas e laudos, mas descreve apenas o acúmulo de lipídios nas células hepáticas. Já a nomenclatura clínica organiza as possíveis causas. A troca de NAFLD por MASLD não é apenas semântica, pois muda a lógica da classificação e reduz o caráter estigmatizante das palavras “gordurosa” e “alcoólica”.
Por que a nomenclatura foi revista em 2023?
Um consenso multissocietário publicado em junho de 2023 reuniu especialistas e representantes de pacientes para rever os termos. O documento formalizou a classificação centrada na disfunção metabólica, reorganizando os subtipos das doenças hepáticas esteatóticas e substituindo uma definição baseada principalmente em exclusões.
O consenso reconheceu que pressão arterial, glicemia, adiposidade abdominal, colesterol HDL e triglicerídeos ajudam a explicar o risco hepático e cardiovascular. Ele também criou uma categoria específica, chamada MetALD, para pessoas com disfunção metabólica e ingestão alcoólica acima do limite definido para MASLD. Por isso, informar o consumo de álcool com precisão continua necessário durante a consulta.

Quais critérios entram no diagnóstico?
Para classificar MASLD, é preciso identificar esteatose hepática e pelo menos um fator cardiometabólico. O acúmulo de gordura pode aparecer no ultrassom, em outros exames de imagem ou, em situações selecionadas, na biópsia. A avaliação clínica costuma considerar:
- índice de massa corporal elevado ou aumento da circunferência abdominal;
- glicemia alterada, pré-diabetes ou diabetes tipo 2;
- pressão arterial elevada ou uso de anti-hipertensivo;
- triglicerídeos altos ou tratamento para essa alteração;
- colesterol HDL baixo ou terapia direcionada ao perfil lipídico.
Ter pelo menos um fator cardiometabólico não revela sozinho a gravidade da lesão no fígado. Enzimas hepáticas normais também não descartam a condição. O médico ainda investiga medicamentos, hepatites virais, doenças genéticas e outras causas de esteatose hepática antes de concluir o diagnóstico.
O novo nome muda exames e acompanhamento?
O nome não transforma o aspecto do fígado no ultrassom, mas direciona uma investigação mais ampla. Além de glicemia, hemoglobina glicada, colesterol, triglicerídeos e pressão arterial, a equipe pode calcular o FIB-4, escore baseado em idade, plaquetas e enzimas hepáticas. Conforme o resultado, podem ser indicadas elastografia, imagem adicional ou avaliação com hepatologista.
- baixo risco geralmente permite acompanhamento periódico na atenção primária;
- resultado intermediário costuma exigir um teste complementar para medir rigidez hepática;
- alto risco pede investigação especializada de fibrose avançada e cirrose.
Uma diretriz publicada em 2024 e divulgada no periódico Hepatology reforçou a avaliação da fibrose em etapas com métodos não invasivos de imagem. Para compreender sintomas, causas e medidas terapêuticas, também é útil consultar as causas da gordura no fígado. A frequência dos exames depende do risco metabólico, dos resultados anteriores e da presença de diabetes ou doença cardiovascular.
O que conversar com o médico após essa mudança?
Quem recebeu antes um laudo de NAFLD não precisa concluir que surgiu uma doença diferente. Vale levar exames antigos, lista de medicamentos, medidas de pressão e informações sobre álcool para revisar a classificação. O acompanhamento da gordura no fígado deve combinar controle glicêmico, perfil lipídico, peso corporal e rastreio de cicatrização hepática, pois a esteatose pode permanecer silenciosa mesmo com enzimas normais.
Este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se houver sintomas, alterações em exames ou dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.








