O ronco com pausas na respiração pode ser um sinal de apneia obstrutiva do sono, condição em que a passagem do ar fica bloqueada repetidamente enquanto a pessoa dorme. Esses episódios podem provocar engasgos, despertares breves e sonolência durante o dia, mesmo após várias horas na cama. Embora nem todo ronco indique uma doença, perceber momentos de silêncio seguidos de uma retomada brusca da respiração é um motivo para investigar a qualidade do sono.
O que acontece quando a respiração para durante o sono?
Na apneia obstrutiva do sono, os músculos da garganta relaxam e os tecidos podem estreitar ou bloquear temporariamente a passagem do ar. Isso provoca redução da entrada de oxigênio e interrupções repetidas da respiração, que podem terminar com engasgos, suspiros ou despertares rápidos.
Essas interrupções fragmentam o descanso, mesmo quando a pessoa não se lembra de ter acordado. Por isso, alguém pode dormir durante várias horas e ainda apresentar cansaço, dificuldade de concentração e vontade excessiva de dormir durante o dia.

Quais sinais podem acompanhar o ronco com pausas?
Segundo o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI), os sintomas da apneia podem aparecer durante a noite ou ao longo do dia. Os principais sinais que merecem atenção incluem:
- Pausas na respiração percebidas por outra pessoa;
- Ronco alto e frequente, interrompido por momentos de silêncio;
- Engasgos ou sensação de sufocamento durante o sono;
- Sonolência excessiva e cansaço persistente durante o dia;
- Dor de cabeça ao acordar e dificuldade de concentração.
Esses sintomas podem levantar a suspeita de apneia do sono, mas não confirmam o diagnóstico. Algumas pessoas roncam sem apresentar interrupções respiratórias, enquanto outras podem ter apneia sem roncar intensamente.
O que uma revisão científica revela sobre o ronco?
A revisão sistemática Does This Patient Have Obstructive Sleep Apnea?, publicada na revista científica JAMA em 2013, analisou a capacidade dos sinais e sintomas de identificar a apneia obstrutiva do sono. Os pesquisadores observaram que engasgos e sensação de sufocamento durante a noite foram indicadores clínicos mais úteis do que o ronco isolado.
A revisão reforça que ouvir alguém roncar não é suficiente para determinar se existe apneia. A combinação de sintomas, o relato de quem observa o sono e, quando necessário, exames específicos ajudam a esclarecer o problema.
Como observar as pausas na respiração em casa?
Quem suspeita de alterações respiratórias durante o sono pode reunir informações úteis antes da consulta médica. Algumas atitudes simples ajudam a reconhecer o padrão dos episódios:
- Converse com quem divide o quarto e pergunte se percebe pausas, engasgos ou retomadas bruscas da respiração;
- Anote em quais noites os episódios são observados e se parecem frequentes;
- Observe se acorda cansado mesmo após dormir por tempo suficiente;
- Registre episódios de sonolência durante o trabalho, os estudos ou outras atividades;
- Informe ao médico se utiliza medicamentos que provocam sonolência ou costuma consumir álcool antes de dormir.
Essas anotações ajudam na avaliação, mas não substituem exames. Aplicativos e gravações caseiras também não são suficientes para confirmar ou descartar apneia.

Quando procurar um médico para investigar o sono?
Pausas respiratórias observadas, engasgos frequentes durante a noite ou sonolência diurna persistente justificam uma consulta com clínico geral, otorrinolaringologista ou médico especialista em sono. Conforme a avaliação, pode ser indicada a polissonografia, exame que registra a respiração e outros parâmetros durante o sono.
Se a sonolência estiver comprometendo a atenção, evite dirigir até receber orientação médica. Identificar a causa das interrupções respiratórias permite definir o tratamento adequado e melhorar a qualidade do descanso.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico.









