Cuidar dos ouvidos não significa retirar toda a cera que aparece no canal auditivo. O cerúmen faz parte da proteção natural do organismo, ajuda a lubrificar a pele e dificulta a entrada de poeira e microrganismos. O problema é que o uso frequente de cotonetes pode empurrar essa secreção para regiões mais profundas, favorecendo tampões, irritações e até lesões no tímpano.
Por que a cera do ouvido é importante?
O cerúmen é produzido por glândulas do canal auditivo externo e funciona como uma barreira protetora. Ele ajuda a reter partículas, reduz o ressecamento da pele e participa da defesa contra agentes que poderiam irritar ou infectar o ouvido.
Na maioria das pessoas, a cera migra naturalmente para a parte externa e é eliminada aos poucos. Por isso, a limpeza do ouvido não exige retirar todo o cerúmen nem introduzir objetos dentro do canal auditivo.
Por que o cotonete pode deixar o ouvido ainda mais tampado?
Quando a haste é introduzida no canal, parte da cera pode até ficar presa no algodão, mas outra parte tende a ser empurrada para regiões mais profundas. A repetição desse hábito pode compactar o cerúmen próximo ao tímpano e formar um tampão.
Além disso, a pele do canal auditivo é delicada. O atrito pode causar pequenas lesões, irritação e favorecer inflamações como a otite externa. Se o cotonete entrar profundamente ou sofrer um movimento brusco, também existe risco de trauma no tímpano.

Quais problemas o uso frequente de cotonete pode causar?
Introduzir cotonetes ou outros objetos dentro do ouvido pode provocar desde desconfortos leves até lesões que precisam de avaliação médica.
- Tampão de cerúmen: a cera pode ser compactada no fundo do canal e provocar sensação de ouvido entupido;
- Redução temporária da audição: o acúmulo pode dificultar a passagem do som;
- Coceira e irritação: o atrito remove parte da proteção natural da pele e favorece pequenas lesões;
- Sangramento: arranhões no canal podem provocar dor e presença de sangue;
- Perfuração do tímpano: em situações de trauma, o objeto pode atingir a membrana timpânica e provocar dor, perda auditiva ou zumbido.
Estudo relaciona cotonetes a milhares de lesões nos ouvidos
Os riscos não se limitam à formação de tampões. Segundo o estudo Pediatric Cotton-Tip Applicator-Related Ear Injury Treated in United States Emergency Departments, 1990-2010, publicado no The Journal of Pediatrics, milhares de crianças foram atendidas em serviços de emergência dos Estados Unidos por lesões relacionadas ao uso de hastes com algodão.
Os pesquisadores estimaram mais de 263 mil atendimentos entre 1990 e 2010. A limpeza do ouvido foi a situação mais frequentemente associada às lesões, enquanto presença de corpo estranho e perfuração da membrana timpânica estiveram entre os diagnósticos encontrados. Os resultados reforçam que objetos aparentemente simples podem provocar trauma quando usados dentro do canal auditivo.

Quando é melhor procurar um otorrinolaringologista?
Tentar remover cera em casa nem sempre é adequado, principalmente quando há sintomas ou histórico de problemas no ouvido. Alguns sinais devem levar à avaliação profissional.
- Ouvido persistentemente tampado: principalmente quando há redução da audição;
- Dor intensa ou crescente: pode indicar inflamação, infecção ou trauma;
- Sangramento ou secreção: não deve ser tratado introduzindo objetos para tentar limpar o canal;
- Zumbido ou tontura: merecem investigação quando surgem de forma nova ou persistente;
- Suspeita de tímpano perfurado: dor súbita, sangramento e queda da audição após introduzir um objeto exigem avaliação;
- Tampão que não melhora: a remoção pode precisar ser feita com técnica adequada pelo profissional.
Para a higiene diária, geralmente basta limpar delicadamente apenas a parte externa da orelha e evitar introduzir cotonetes, grampos ou outros objetos no canal. Quem apresenta excesso recorrente de cera, dor, secreção, diminuição da audição ou suspeita de tímpano perfurado deve procurar orientação médica, preferencialmente de um otorrinolaringologista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por médico ou outro profissional de saúde qualificado.








