Hipertensão e diabetes mal controlados podem danificar silenciosamente os rins durante anos e estão entre as principais causas de perda progressiva da função renal no Brasil. O problema é que esse comprometimento costuma avançar sem sintomas no início, enquanto o controle adequado da pressão arterial e da glicose pode diminuir o risco de progressão para doença renal avançada e necessidade de diálise.
Por que pressão alta e diabetes prejudicam os rins?
Os rins possuem uma rede de pequenos vasos sanguíneos responsáveis pela filtragem do sangue. Quando a pressão permanece elevada por muito tempo, essa estrutura sofre uma sobrecarga contínua, que pode lesionar os glomérulos e diminuir gradualmente a capacidade de filtração. Por isso, a hipertensão arterial precisa ser acompanhada mesmo quando não provoca sintomas.
No diabetes, o excesso persistente de glicose também danifica os vasos e as unidades filtrantes dos rins. Com o passar dos anos, pode surgir albumina na urina e redução da taxa de filtração glomerular. O risco é maior quando o diabetes permanece descompensado ou ocorre junto com pressão alta.
Quantos casos de diálise estão relacionados a essas doenças?
O Censo Brasileiro de Diálise 2024, realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, mostra que hipertensão e diabetes continuam sendo as causas subjacentes mais frequentes de falência renal entre os pacientes avaliados. Cada condição respondeu por aproximadamente 29% dos casos, o que representa 58% quando consideradas em conjunto.
Os dados ajudam a entender por que nefrologistas insistem no acompanhamento precoce dessas doenças. A nefrologista Kátia de Paula Farah, professora da Faculdade de Medicina da UFMG, já destacou que o crescimento dos casos de insuficiência renal está relacionado, entre outros fatores, à maior ocorrência de diabetes e hipertensão, reforçando a importância da prevenção antes que a perda renal seja avançada.

Quais exames ajudam a identificar lesões nos rins?
Pessoas com hipertensão ou diabetes não devem esperar sintomas para investigar os rins. Alguns exames simples conseguem detectar alterações ainda nas fases iniciais:
- Creatinina no sangue: ajuda a estimar a capacidade dos rins de filtrar o sangue.
- Taxa de filtração glomerular estimada: indica o nível de funcionamento renal a partir de dados como creatinina, idade e sexo.
- Relação albumina-creatinina na urina: identifica pequenas perdas de proteína que podem sinalizar dano renal precoce.
- Exame de urina: pode mostrar proteínas, sangue ou outras alterações que precisam ser investigadas.
Estudo brasileiro confirma maior risco em quem tem as duas condições
Estudos realizados no Brasil mostram que pressão alta e diabetes merecem atenção especial quando aparecem juntas. Entre os principais achados estão:
- A doença renal pode existir mesmo sem sintomas perceptíveis.
- Pessoas com hipertensão associada ao diabetes apresentam maior risco de doença renal crônica.
- Pressão sistólica elevada foi associada à presença de comprometimento renal.
- Albuminúria pode revelar dano mesmo quando a filtração ainda está relativamente preservada.
Segundo o estudo Prevalence of chronic kidney disease in Brazilians with arterial hypertension and/or diabetes mellitus, publicado no Journal of Clinical Hypertension, pesquisadores avaliaram 841 brasileiros acompanhados na atenção primária com hipertensão e/ou diabetes. A doença renal crônica até então não identificada estava presente em 15,4% dos participantes, e a combinação de hipertensão com diabetes apareceu entre os principais fatores associados ao problema.

Como diminuir o risco de perder a função dos rins?
Controlar a pressão e a glicemia é uma das medidas mais importantes para preservar os rins. Isso inclui usar corretamente os medicamentos prescritos, reduzir o excesso de sal, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e evitar tabagismo. Em pessoas com doença renal do diabetes, alguns medicamentos específicos também podem ser indicados pelo médico para diminuir a progressão da lesão renal.
Também é importante acompanhar regularmente a creatinina e a presença de albumina na urina, especialmente em quem já tem hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença renal. Alterações nesses exames devem ser avaliadas pelo clínico geral, endocrinologista ou nefrologista para definir o acompanhamento e o tratamento mais adequados.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por médico ou outro profissional de saúde.









