O infarto silencioso é um ataque cardíaco que acontece sem a clássica dor forte no peito, manifestando-se por sinais discretos como queimação no estômago, cansaço extremo, falta de ar leve, suor frio ou dor nas costas, sintomas facilmente confundidos com azia, gastrite ou estresse do dia a dia. Reconhecer esses sinais atípicos é fundamental porque o dano ao músculo cardíaco é real e pode ser tão grave quanto o de um infarto tradicional, especialmente em mulheres, idosos e pessoas com diabetes.
O que é um infarto silencioso?
O infarto silencioso, também chamado de infarto não reconhecido, ocorre quando uma artéria coronária é obstruída e parte do músculo cardíaco sofre lesão, mas sem os sintomas clássicos ou com manifestações tão sutis que passam despercebidas. Muitas pessoas só descobrem o episódio semanas depois, ao realizar um exame de rotina que revela cicatrizes no coração.
Segundo a American Heart Association, esse tipo de infarto pode representar quase metade dos casos de ataque cardíaco, o que reforça a importância do acompanhamento com cardiologista como estratégia de detecção precoce.
Por que ele se disfarça de azia ou cansaço?
Quando o fluxo sanguíneo para o coração é reduzido de forma parcial, o corpo pode enviar sinais indiretos por meio de nervos que compartilham vias com o estômago, o diafragma e a coluna. Assim, o desconforto surge como queimação epigástrica, náusea ou dor entre as escápulas, sintomas facilmente atribuídos a má digestão ou tensão muscular.
Esse padrão é especialmente comum em pessoas com diabetes, pois a neuropatia autonômica reduz a percepção da dor cardíaca. Nas mulheres, alterações hormonais e diferenças na microcirculação também favorecem apresentações atípicas, como descrito em materiais da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Quais sinais atípicos merecem atenção?
Muitos sintomas do infarto silencioso são inespecíficos e costumam aparecer de forma progressiva, o que atrasa a busca por ajuda médica. Fique atento aos seguintes sinais:
- Queimação ou dor na boca do estômago parecida com azia, mas sem melhora com antiácidos;
- Cansaço extremo desproporcional às atividades, que não passa com o repouso;
- Falta de ar leve ao subir escadas, caminhar ou mesmo em repouso;
- Suor frio súbito, sem relação com calor ou esforço físico;
- Dor nas costas, entre as escápulas, no pescoço ou na mandíbula;
- Náusea, tontura ou desconforto abdominal sem causa aparente;
- Palpitações e sensação de mal-estar generalizado que se repete ao longo de dias.
Como um estudo científico confirma esse padrão?
Pesquisas recentes reforçam que a apresentação atípica do infarto é frequente em grupos específicos e está diretamente ligada ao pior prognóstico. De acordo com o estudo Cardiac Autonomic Dysfunction and Risk of Silent Myocardial Infarction Among Adults With Type 2 Diabetes publicado no Journal of the American Heart Association, a disfunção do sistema nervoso autônomo em pacientes com diabetes tipo 2 aumenta significativamente o risco de infarto silencioso ao reduzir a percepção da dor cardíaca.
Os autores concluíram que o rastreio cardiovascular ativo deve ser priorizado nesses pacientes, já que a ausência de dor típica atrasa o diagnóstico e amplia o dano ao miocárdio. O achado ajuda a compreender por que muitos casos são interpretados como gastrite ou fadiga comum.

Quem tem mais risco e como se proteger?
O infarto silencioso é mais frequente em mulheres após a menopausa, idosos, diabéticos e pessoas com hipertensão, colesterol elevado ou histórico familiar de doença cardiovascular. Fumantes, sedentários e pessoas com obesidade também compõem o grupo de maior risco e devem manter acompanhamento regular com cardiologista.
A prevenção envolve controlar a pressão arterial, glicemia e colesterol, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada e evitar o tabagismo. Diante de qualquer sintoma persistente ou incomum, o mais seguro é procurar imediatamente um pronto-socorro para investigação com eletrocardiograma e dosagem de troponina, exames que ajudam a confirmar o infarto.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico. Diante de qualquer sintoma suspeito, procure orientação profissional imediatamente.









