O uso frequente de adoçantes artificiais tem sido tema de estudos que avaliam possíveis efeitos sobre a saúde cardiovascular. Pesquisas recentes, publicadas em periódicos como o BMJ, apontam associação entre consumo elevado dessas substâncias e maior risco de eventos como infarto e AVC. Ainda assim, órgãos como a Organização Mundial da Saúde reforçam que a associação observada não significa causa direta e que o consumo moderado, dentro dos limites estabelecidos, continua sendo considerado seguro.
O que são os adoçantes artificiais e onde eles estão?
Os adoçantes artificiais são substâncias sintéticas usadas para substituir o açúcar por conferirem sabor doce com poucas ou zero calorias. Os mais comuns são aspartame, sucralose, sacarina, ciclamato e acessulfame de potássio.
Além dos adoçantes de mesa em pó ou gotas, essas substâncias aparecem em uma ampla variedade de produtos industrializados, como refrigerantes zero, iogurtes light, gelatinas diet, sobremesas, gomas de mascar, medicamentos e barrinhas de cereais.
Por que o consumo frequente preocupa os cardiologistas?
A preocupação surge porque muitas pessoas consomem adoçantes de forma diária e automática, muitas vezes sem perceber, principalmente por meio de bebidas industrializadas. Esse padrão de consumo crônico é o que aparece com maior frequência nos estudos que investigam risco cardiovascular.
Estudos sugerem que alguns adoçantes podem influenciar a glicemia, a microbiota intestinal e a resposta inflamatória, mecanismos que estão relacionados ao desenvolvimento de doenças do coração. Ainda assim, apenas parte dessas hipóteses foi confirmada em humanos, o que exige cautela na interpretação dos resultados sobre o aspartame e seus efeitos.

Como um estudo científico corrobora essa associação?
Uma das pesquisas mais citadas sobre o tema acompanhou mais de 100 mil adultos franceses ao longo de vários anos e avaliou o consumo de diferentes tipos de adoçantes em relação a eventos cardiovasculares.
Segundo o estudo Artificial sweeteners and risk of cardiovascular diseases: results from the prospective NutriNet-Santé cohort, publicado em 2022 no periódico The BMJ e indexado no PubMed, o consumo mais elevado de adoçantes artificiais foi associado a um aumento de 9% no risco de doenças cardiovasculares em geral e de 18% no risco de doença cerebrovascular, com destaque para o aspartame e o acessulfame de potássio.
O que dizem OMS e Sociedade Brasileira de Cardiologia?
Instituições de referência têm revisto suas orientações à luz das evidências mais recentes, sem, no entanto, proibir o consumo dessas substâncias. Confira os principais posicionamentos:
- OMS: recomenda não usar adoçantes não calóricos como estratégia de emagrecimento a longo prazo;
- OMS: reforça que dados observacionais não estabelecem relação de causa e efeito;
- Sociedade Brasileira de Cardiologia: destaca a importância de reduzir o gosto pelo doce, e não apenas trocar açúcar por adoçante;
- Anvisa e Efsa: mantêm limites de ingestão diária aceitável considerados seguros para a maior parte da população;
- Diretrizes cardiovasculares: priorizam alimentos naturais, com pouco processamento e ricos em fibras;
- Consenso geral: consumo moderado dentro dos limites permanece considerado seguro para a maioria dos adultos.

Como reduzir o consumo de adoçantes no dia a dia?
A estratégia mais recomendada é diminuir gradualmente o sabor doce da alimentação, em vez de simplesmente trocar açúcar por adoçantes. Veja algumas orientações práticas:
- Reduzir refrigerantes zero, mesmo os sem calorias, evitando o consumo diário;
- Diminuir o açúcar no café aos poucos, sem substituir por adoçante em todas as doses;
- Ler rótulos de iogurtes, gelatinas, chicletes e medicamentos para identificar adoçantes;
- Preferir frutas frescas para satisfazer a vontade de doce;
- Cozinhar mais em casa, reduzindo alimentos ultraprocessados;
- Considerar opções naturais em pequenas quantidades, como estévia, quando necessário;
- Contar com nutricionista para adequar o consumo, principalmente em quadros de diabetes ou obesidade, quando o uso da sucralose ou de outros adoçantes precisa ser individualizado.
Diante de dúvidas sobre o consumo de adoçantes, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular, diabetes ou histórico familiar de doença do coração, o ideal é procurar avaliação com médico ou nutricionista, que poderá orientar as escolhas mais adequadas ao seu contexto.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









