A doença de Ménière é uma condição crônica do ouvido interno que provoca crises de vertigem, zumbido e perda auditiva flutuante, sintomas frequentemente confundidos com labirintite comum e outros tipos de tontura. Reconhecer o padrão característico dessas crises e buscar avaliação com otorrinolaringologista é essencial para diferenciar o quadro e definir o tratamento adequado.
O que é a doença de Ménière?
A doença de Ménière é um distúrbio do ouvido interno relacionado ao acúmulo anormal de endolinfa, líquido responsável pelo equilíbrio e pela audição, o que aumenta a pressão dentro do labirinto e gera crises recorrentes de sintomas otoneurológicos.
Segundo a Academia Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Sociedade Brasileira de Otologia, o diagnóstico é clínico e depende de critérios bem definidos, envolvendo tanto sintomas vestibulares quanto auditivos no ouvido acometido.
Por que a doença de Ménière é confundida com a labirintite comum?
As crises da doença de Ménière começam de forma súbita, com vertigem intensa e sensação de que tudo gira em volta, sintomas semelhantes aos de um quadro agudo de labirintite, o que leva muitos pacientes a acreditar que se trata do mesmo problema.
A diferença está no padrão recorrente das crises, na duração típica entre 20 minutos e 12 horas e na associação com zumbido, sensação de pressão no ouvido e perda auditiva flutuante, características que exigem investigação especializada para o diagnóstico correto.

Quais são os principais sintomas da doença de Ménière?
Os sintomas costumam aparecer em crises imprevisíveis, com combinação de sinais no ouvido afetado. Os mais característicos incluem:
- Crises recorrentes de vertigem rotatória, com duração de 20 minutos a algumas horas
- Zumbido no ouvido afetado, geralmente descrito como som constante ou intermitente
- Perda auditiva flutuante, especialmente em sons de baixa e média frequência
- Sensação de pressão ou plenitude auricular, como se o ouvido estivesse tampado
- Náuseas e vômitos durante as crises mais intensas de vertigem
- Instabilidade e insegurança ao andar, mesmo entre as crises
O que diz o estudo científico sobre o diagnóstico da doença?
A identificação correta da doença de Ménière depende de critérios clínicos bem estabelecidos por sociedades internacionais, o que ajuda a diferenciar o quadro de outras causas de tontura recorrente e a evitar tratamentos inadequados.
De acordo com a diretriz Clinical Practice Guideline Meniere Disease publicada na revista Otolaryngology Head and Neck Surgery e indexada no PubMed, o diagnóstico de doença de Ménière exige a presença de duas ou mais crises espontâneas de vertigem com duração entre 20 minutos e 12 horas, associadas a perda auditiva neurossensorial de baixa e média frequência documentada por audiometria e a sintomas auditivos flutuantes no ouvido afetado, como zumbido ou sensação de plenitude.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da doença de Ménière?
A investigação combina avaliação clínica detalhada, testes auditivos e vestibulares e exames complementares, sempre sob orientação de um médico otorrinolaringologista, que também pode solicitar um exame otoneurológico completo. As principais etapas incluem:
- Consulta com otorrinolaringologista, com histórico detalhado das crises e dos sintomas auditivos
- Audiometria e impedanciometria, para documentar a perda auditiva flutuante
- Testes vestibulares, como vectoeletronistagmografia e vídeo teste do impulso cefálico
- Exames de imagem, como ressonância magnética, para descartar outras causas de vertigem
- Tratamento individualizado, que pode incluir dieta com redução de sal, controle do estresse, medicamentos como diuréticos e betaistina, injeções intratimpânicas e, em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos
Se você apresenta crises repetidas de vertigem acompanhadas de zumbido ou alterações na audição, procure um médico otorrinolaringologista para uma avaliação completa e para diferenciar a doença de Ménière de outras causas de tontura, garantindo o tratamento mais adequado ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









