Reduzir o sal é a orientação mais conhecida para controlar a pressão arterial, mas existe outro fator igualmente decisivo e pouco lembrado: o baixo consumo de potássio. Esse mineral atua diretamente nos rins, ajudando o corpo a eliminar o excesso de sódio pela urina. Quando falta potássio na alimentação, o sódio se acumula, aumenta a retenção de líquidos e eleva a pressão nas artérias, mesmo em pessoas que já tentam maneirar no saleiro.
Como o potássio equilibra o sódio no organismo?
O potássio e o sódio funcionam como uma balança dentro das células. Enquanto o sódio retém água e aumenta o volume de sangue nas artérias, o potássio favorece a excreção desse excesso pelos rins, relaxando as paredes dos vasos sanguíneos.
Quando a dieta é pobre em frutas, legumes e feijões, essa balança desequilibra. O resultado é uma pressão arterial mais alta ao longo do tempo, além de sobrecarga renal e cardíaca, principalmente em pessoas com histórico familiar de hipertensão arterial.
Por que adultos e idosos consomem pouco potássio?
Com o envelhecimento, o apetite diminui e a alimentação tende a ficar mais monótona, com predomínio de pães, embutidos, sopas prontas e alimentos ultraprocessados, todos ricos em sódio e pobres em potássio.
Além disso, alguns medicamentos usados para tratar a pressão alta e a insuficiência cardíaca, como certos diuréticos, podem aumentar a perda de potássio pela urina, tornando ainda mais importante repor o mineral por meio de uma alimentação variada e colorida.

Quais alimentos são ricos em potássio?
Incluir fontes naturais de potássio no dia a dia é uma estratégia simples e eficaz para ajudar no controle da pressão arterial. As melhores opções são:
- Banana: uma unidade média fornece cerca de 400 mg de potássio, além de ser prática para consumir em lanches.
- Feijão: uma concha de feijão cozido oferece aproximadamente 300 a 400 mg do mineral, junto com fibras e proteína vegetal.
- Batata: especialmente com casca, a batata cozida ou assada é uma das maiores fontes, chegando a 900 mg por porção.
- Abacate: meia unidade fornece cerca de 480 mg, além de gorduras boas para o coração.
- Água de coco, laranja, espinafre e beterraba: também são ótimas opções para complementar a ingestão diária.
O que diz a ciência sobre potássio e pressão arterial?
A relação entre potássio e pressão foi analisada em uma ampla revisão sistemática com metanálise conduzida por pesquisadores ligados à Organização Mundial da Saúde. Segundo o estudo Effect of increased potassium intake on cardiovascular risk factors and disease, publicado no periódico britânico BMJ, aumentar a ingestão de potássio para cerca de 3.500 a 4.700 mg por dia reduziu significativamente a pressão arterial em adultos hipertensos e foi associado a menor risco de acidente vascular cerebral.
Esses achados reforçam a recomendação da OMS de consumir pelo menos 3.500 mg de potássio por dia, quantidade que a maioria dos brasileiros ainda não alcança, segundo dados do Ministério da Saúde.

Como aumentar o potássio e reduzir o sódio no dia a dia?
Pequenas mudanças na rotina alimentar fazem grande diferença no equilíbrio entre esses dois minerais. Confira as principais estratégias recomendadas por nutricionistas e cardiologistas:
- Substitua salgadinhos e biscoitos por frutas frescas, como banana, laranja ou mamão.
- Inclua feijão, lentilha ou grão-de-bico em pelo menos uma refeição principal do dia.
- Prefira batata, batata-doce ou mandioca cozidas com casca no lugar de purês industrializados.
- Use ervas frescas, alho e limão para temperar, reduzindo o sal e realçando o sabor natural dos alimentos.
- Evite embutidos, caldos em cubo, molhos prontos e refeições congeladas, campeões em sódio oculto.
- Mantenha uma boa hidratação e converse com o médico sobre a necessidade de acompanhar os níveis de potássio no sangue por meio de exames de rotina.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Em caso de pressão alta ou dúvidas sobre alimentação e uso de medicamentos, procure sempre orientação profissional qualificada.









