A ideia de que basta tomar sol para manter bons níveis de vitamina D é bastante difundida, mas está longe de refletir toda a realidade. Vários fatores biológicos e comportamentais reduzem a produção da vitamina na pele, mesmo em pessoas que se expõem regularmente ao sol. Compreender esses fatores ajuda a entender por que a deficiência é tão comum e por que a suplementação nunca deve ser iniciada por conta própria, sem exame de sangue e orientação médica.
Como a vitamina D é produzida pelo corpo?
A vitamina D é sintetizada na pele quando os raios ultravioleta do tipo B, presentes na luz solar, transformam uma substância derivada do colesterol em pré-vitamina D. Essa forma é posteriormente convertida em vitamina D ativa pelo fígado e pelos rins.
Além dessa produção cutânea, uma pequena parte pode ser obtida por meio da alimentação, principalmente com peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos fortificados. Ainda assim, a vitamina D obtida pela dieta costuma ser insuficiente para atender às necessidades diárias.
Por que tomar sol nem sempre garante bons níveis?
Vários fatores individuais interferem diretamente na quantidade de vitamina D produzida pela pele, mesmo com boa exposição ao sol. Entre os principais estão:
- Envelhecimento da pele, que reduz de forma progressiva a capacidade de sintetizar a vitamina.
- Pele com maior pigmentação, já que a melanina funciona como uma barreira natural contra a radiação ultravioleta.
- Uso de protetor solar em toda a área exposta, que bloqueia grande parte dos raios UVB necessários.
- Horário e latitude, com produção mais eficiente em horários próximos ao meio-dia e em regiões próximas ao Equador.
- Uso de roupas que cobrem grande parte do corpo, comum em regiões frias ou por questões culturais.
- Rotina em ambientes fechados, que reduz o tempo de exposição efetiva à luz solar.

Como a idade influencia a produção?
Com o passar dos anos, a pele perde parte da capacidade de converter a radiação solar em vitamina D. Estima-se que idosos produzam uma quantidade significativamente menor em comparação a adultos jovens, mesmo com o mesmo tempo de exposição.
Esse fator, combinado com a menor mobilidade e o tempo maior em ambientes fechados, torna a população mais velha um dos grupos com maior risco de deficiência. Nessas situações, o acompanhamento regular dos níveis por meio do exame de vitamina D é fundamental.
Existem outras condições que reduzem a absorção?
Além dos fatores ligados à síntese cutânea, algumas condições intestinais dificultam a absorção da vitamina D obtida pela alimentação. Doenças como doença celíaca, doença de Crohn, colite ulcerativa e quadros após cirurgia bariátrica reduzem o aproveitamento da vitamina no intestino.
A obesidade também interfere, já que a vitamina D é retida no tecido adiposo e fica menos disponível para o organismo. Certos medicamentos, como anticonvulsivantes e alguns corticoides, também podem afetar seu metabolismo.
Como uma revisão científica reforça essas informações?
A relevância desses fatores é reconhecida em publicações médicas de referência. Segundo a revisão Vitamin D Deficiency publicada no The New England Journal of Medicine, a deficiência de vitamina D é comum em todo o mundo e está relacionada não apenas à exposição solar limitada, mas também ao envelhecimento, à maior pigmentação da pele, ao uso de filtros solares, à obesidade e a doenças que comprometem a absorção intestinal.
O autor destaca que a avaliação laboratorial dos níveis séricos de 25-hidroxivitamina D é a forma mais confiável de identificar a deficiência, e que a suplementação deve ser individualizada, considerando idade, condições clínicas e fatores de risco de cada pessoa.

Quando procurar avaliação médica?
Sintomas como cansaço persistente, dores musculares difusas, fraqueza e infecções respiratórias frequentes podem estar associados à deficiência de vitamina D, mas também têm outras causas. Por isso, a investigação exige exame de sangue e avaliação clínica.
A suplementação por conta própria pode levar a excesso da vitamina no organismo, com risco de aumento do cálcio no sangue, problemas renais e alterações cardiovasculares. Apenas o médico pode indicar a dose adequada e o tempo de uso com base no perfil individual.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de dúvidas ou sintomas persistentes, procure orientação médica.









