A anemia por deficiência de ferro atinge principalmente mulheres em idade fértil, gestantes e quem tem menstruação intensa, e o tratamento quase sempre passa pela reposição do mineral em cápsulas. O sulfato ferroso é o mais tradicional, mas costuma provocar náusea, azia e constipação em boa parte das pacientes. Nesse cenário, o ferro bisglicinato quelato aparece como uma alternativa com absorção maior e efeitos intestinais mais leves, o que tem mudado a rotina de muitos consultórios.
Por que a mulher tem mais risco de anemia por falta de ferro?
O organismo feminino perde ferro todos os meses pela menstruação, além da demanda extra durante a gravidez e a amamentação. Somando dietas pobres em carnes vermelhas e vegetais verde-escuros, os estoques do mineral caem com facilidade.
Sintomas como cansaço, falta de ar, palidez, queda de cabelo e dificuldade de concentração são pistas comuns. O diagnóstico da anemia ferropriva é feito por hemograma, ferritina e outros exames que mostram a real extensão da deficiência.
Como o sulfato ferroso age no organismo?
O sulfato ferroso é a forma inorgânica mais usada no mundo e o principal medicamento distribuído pelo SUS. Ele libera íons de ferro no estômago e depende de um pH ácido para ser absorvido pelo intestino, o que explica parte dos efeitos adversos gastrointestinais.
Náusea, azia, dor abdominal, prisão de ventre e fezes escurecidas são queixas frequentes, especialmente em doses diárias mais altas. Esses efeitos fazem muitas mulheres abandonar o sulfato ferroso antes de completar o tratamento indicado pelo médico.

O que torna o bisglicinato de ferro diferente?
O ferro bisglicinato quelato é formado por um átomo de ferro ligado a duas moléculas do aminoácido glicina, o que protege o mineral da ação do ácido gástrico. Assim, ele atravessa o estômago intacto e é absorvido no intestino por uma via distinta do sulfato ferroso.
Como não depende do pH estomacal, sua absorção é mais estável e menos afetada por alimentos como leite, café e chá. Essa estrutura química também reduz a irritação da mucosa, o que diminui náusea, constipação e desconforto abdominal comuns em outros tratamentos para anemia.
Quando o bisglicinato de ferro é mais indicado?
A escolha do tipo de ferro deve ser sempre individual, com base em exames, tolerância e histórico da paciente. Ainda assim, algumas situações costumam favorecer o uso do bisglicinato quelato:
- Mulheres que já abandonaram o sulfato ferroso por causa de náusea, azia ou constipação
- Gestantes com anemia leve a moderada e queixas digestivas frequentes
- Pacientes com gastrite, refluxo, doença inflamatória intestinal ou cirurgia bariátrica
- Pessoas em uso de medicamentos que reduzem a acidez estomacal, como omeprazol
- Situações em que a baixa adesão ao tratamento coloca em risco a recuperação da hemoglobina

O que a ciência mostra sobre bisglicinato e sulfato ferroso?
A comparação direta entre as duas formas de ferro já foi avaliada em ensaios clínicos randomizados, sobretudo em mulheres com anemia gestacional, um dos grupos mais vulneráveis à deficiência do mineral. Essas pesquisas ajudam a orientar a escolha da suplementação mais adequada.
Segundo o ensaio clínico randomizado duplo-cego Efficacy of ferrous bis-glycinate versus ferrous glycine sulfate in the treatment of iron deficiency anemia with pregnancy, publicado no Journal of Maternal-Fetal and Neonatal Medicine e indexado no PubMed, gestantes tratadas com ferro bisglicinato apresentaram aumento médio de hemoglobina quase duas vezes maior do que as que receberam sulfato após oito semanas, além de taxa significativamente menor de efeitos adversos e maior adesão ao tratamento. Os autores concluem que o bisglicinato é uma opção mais eficiente e mais bem tolerada, mesmo em doses menores de ferro elementar.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um médico. A escolha do tipo de ferro, da dose e do tempo de uso deve ser sempre orientada por um hematologista, ginecologista ou clínico geral de confiança.









