A queda de libido raramente tem uma causa única e, embora a rotina exaustiva contribua, o desinteresse persistente pelo sexo costuma refletir alterações hormonais, quadros emocionais e efeitos de medicamentos. Compreender esses fatores é o primeiro passo para buscar avaliação adequada e recuperar a qualidade de vida sexual e afetiva.
Por que a testosterona baixa afeta o desejo sexual?
A testosterona atua diretamente em receptores cerebrais ligados ao desejo, tanto em homens quanto em mulheres, e sua redução gradual com a idade impacta a libido, a energia e o humor. Nos homens, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia associa esse declínio ao hipogonadismo tardio, com sintomas como fadiga e disfunção erétil.
Nas mulheres, a testosterona é produzida em menor quantidade pelos ovários e adrenais, e sua queda pode reduzir o desejo mesmo quando os níveis de estrogênio estão preservados. O diagnóstico exige exames laboratoriais e avaliação clínica cuidadosa, já que os sintomas da andropausa se confundem com outras condições.
Como a menopausa altera o desejo feminino?
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, a menopausa provoca queda acentuada de estrogênio e progesterona, o que reduz a lubrificação vaginal, gera desconforto na relação e diminui o interesse sexual. Esse cenário costuma vir acompanhado de ondas de calor, alterações de sono e oscilações de humor.
Além do impacto físico, a transição hormonal afeta a autoimagem e a vida afetiva, o que reforça a queda do desejo. Tratamentos hormonais, lubrificantes e mudanças no estilo de vida podem aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a resposta sexual.

Quais fatores emocionais podem reduzir a libido?
Ansiedade, estresse crônico, depressão e conflitos no relacionamento estão entre as causas emocionais mais frequentes de perda do desejo. Confira a seguir os principais gatilhos observados na prática clínica.
- Depressão, que reduz o prazer em atividades antes valorizadas, incluindo o sexo.
- Ansiedade e estresse crônico, que elevam o cortisol e comprometem a resposta sexual.
- Baixa autoestima e insatisfação com a imagem corporal.
- Conflitos conjugais não resolvidos e falta de comunicação com o parceiro.
- Traumas sexuais anteriores não elaborados em psicoterapia.
Como estudo científico confirma o papel hormonal na libido
Uma revisão sistemática com metanálise reuniu 46 ensaios clínicos randomizados envolvendo mais de 8.400 mulheres e confirmou que a testosterona em doses fisiológicas melhora o desejo sexual, a excitação, o prazer e a frequência de eventos sexuais satisfatórios em mulheres na pós-menopausa com desejo hipoativo.
Trata-se do estudo Safety and efficacy of testosterone for women a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trial data, publicado no periódico The Lancet Diabetes & Endocrinology. Segundo o Safety and efficacy of testosterone for women publicado no The Lancet Diabetes & Endocrinology, a via transdérmica apresentou perfil de segurança favorável em curto prazo, embora dados de longo prazo ainda sejam limitados.

Antidepressivos podem interferir na libido?
Sim, medicamentos antidepressivos, sobretudo os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, estão entre as causas medicamentosas mais frequentes de disfunção sexual, podendo reduzir o desejo, atrasar o orgasmo e diminuir a lubrificação. As condutas mais comuns discutidas com o médico assistente incluem:
- Ajustar a dose do medicamento em uso.
- Substituir por outro antidepressivo com menor impacto sexual, como a bupropiona.
- Associar medicações específicas para disfunção sexual sob prescrição.
- Realizar acompanhamento psicoterápico paralelo.
- Nunca interromper o tratamento por conta própria, pelo risco de piora do quadro depressivo.
A queda de libido pode ter causas hormonais, emocionais, medicamentosas ou combinadas, o que torna essencial uma avaliação médica multidisciplinar com ginecologista, endocrinologista, urologista e, quando necessário, psiquiatra e psicoterapeuta, para investigar cada fator e definir o tratamento mais seguro e personalizado.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado. Em caso de sintomas persistentes, procure orientação médica.









