Depois de uma cirurgia, é comum imaginar que o melhor para a recuperação seja permanecer deitado o maior tempo possível. No entanto, levantar e caminhar assim que houver liberação médica é um dos principais cuidados para ajudar a evitar a trombose no pós-operatório. A movimentação favorece a circulação do sangue nas pernas e pode reduzir o risco de formação de coágulos, desde que respeite as limitações do procedimento e as orientações da equipe responsável.
Por que caminhar depois da cirurgia ajuda a prevenir trombose?
Durante uma operação e nos dias seguintes, a pessoa pode permanecer muitas horas imóvel. Isso faz com que o sangue circule mais lentamente pelas veias profundas das pernas, favorecendo a formação de coágulos. A própria cirurgia também pode provocar alterações temporárias na coagulação sanguínea, aumentando esse risco.
Ao caminhar, os músculos da panturrilha se contraem e ajudam a impulsionar o sangue de volta ao coração. Esse mecanismo reduz a estagnação do sangue nas pernas. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos inclui a movimentação precoce entre as medidas recomendadas para prevenir coágulos após cirurgias, juntamente com outras intervenções determinadas pelo risco de cada paciente.
Quando o paciente pode começar a levantar da cama?
Não existe um horário único que sirva para todas as operações. Algumas pessoas conseguem sentar e dar pequenos passos ainda no dia do procedimento, enquanto outras precisam permanecer em repouso por mais tempo. O tipo de cirurgia, a anestesia, a estabilidade clínica e eventuais restrições de movimento influenciam essa decisão.
Depois da autorização médica, a recuperação pode começar com movimentos simples e evoluir progressivamente:
- Sentar-se na cama: realizar a mudança de posição com auxílio da enfermagem, observando possíveis tonturas ou fraqueza.
- Ficar em pé: levantar com apoio quando a equipe confirmar que o movimento é seguro.
- Fazer pequenas caminhadas: percorrer distâncias curtas, acompanhado quando necessário, aumentando a atividade conforme a orientação profissional.
- Movimentar os tornozelos: flexionar e estender os pés durante o repouso, quando esse exercício estiver liberado.
A recomendação de evitar a trombose depois da cirurgia inclui caminhadas após liberação médica e exercícios leves para as pernas. O paciente não deve tentar levantar sozinho se estiver com tontura, sonolência, dor intensa ou restrições determinadas pelo cirurgião.

Caminhar é suficiente para impedir a formação de coágulos?
Embora seja uma medida importante, caminhar não elimina completamente o risco de trombose. Pessoas submetidas a cirurgias de maior porte, especialmente procedimentos ortopédicos, abdominais ou pélvicos, podem precisar de cuidados adicionais. Idade avançada, obesidade, histórico de trombose e imobilidade prolongada também influenciam a avaliação.
Dependendo do caso, a equipe pode prescrever anticoagulantes preventivos, meias de compressão adequadas ou dispositivos pneumáticos que comprimem as pernas de maneira intermitente. Esses recursos não são necessários para todos os pacientes e devem ser utilizados conforme indicação profissional. Anticoagulantes nunca devem ser iniciados ou interrompidos por conta própria, pois podem aumentar o risco de sangramentos.
Quais cuidados a família deve observar depois da alta?
Quem acompanha pais ou familiares após uma cirurgia pode ajudar a manter a rotina de movimentação autorizada, lembrar os horários dos medicamentos prescritos e verificar se as orientações recebidas no hospital estão sendo seguidas. Também é importante saber até quando as medidas preventivas devem continuar, já que a trombose pode surgir dias ou semanas depois da operação.

Inchaço repentino em uma perna, dor na panturrilha, calor ou vermelhidão exigem avaliação médica rápida. Já falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos orienta pacientes e familiares a reconhecer esses sinais durante a recuperação. A prevenção deve continuar conforme o plano individual estabelecido pela equipe cirúrgica.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A mobilização após uma cirurgia deve ser autorizada pela equipe responsável, respeitando o procedimento realizado e as condições clínicas do paciente.









