Perceber que o cheiro do café, das frutas ou da comida ficou mais fraco depois dos 60 anos pode estar relacionado ao envelhecimento natural do olfato. Com o passar do tempo, o sistema responsável por identificar os odores pode ficar menos sensível, fazendo com que alguns aromas sejam percebidos com menor intensidade. Entretanto, problemas nasais, infecções respiratórias e determinados medicamentos também podem provocar essa mudança. A perda de olfato não deve ser atribuída automaticamente à idade, principalmente quando aparece de repente, piora rapidamente ou permanece por muito tempo. Além de afetar o prazer de comer, a alteração pode dificultar a identificação de situações perigosas dentro de casa.
Por que o olfato pode diminuir depois dos 60 anos?
Para perceber um cheiro, pequenas moléculas presentes no ar precisam alcançar células sensoriais localizadas na parte superior do nariz. Essas células enviam sinais nervosos ao cérebro, que interpreta as informações e permite reconhecer diferentes aromas.
Com o envelhecimento, podem ocorrer alterações nessas células e nas estruturas responsáveis pelo processamento dos odores. Como resultado, alguns cheiros precisam estar mais intensos para serem identificados, enquanto outros se tornam difíceis de distinguir.
Segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD), os problemas relacionados ao olfato se tornam mais frequentes com o envelhecimento. A instituição explica que essas alterações podem diminuir a capacidade de reconhecer odores e interferir na alimentação, na qualidade de vida e na segurança cotidiana.

Quais problemas podem diminuir a capacidade de sentir cheiros?
Embora o envelhecimento seja uma das possíveis causas, existem diversas condições que podem prejudicar o olfato. Algumas dificultam a passagem das moléculas de odor pelo nariz, enquanto outras afetam diretamente as células sensoriais ou as vias nervosas responsáveis por transmitir os sinais ao cérebro.
Entre as principais causas estão:
- Rinite e sinusite: a inflamação e a obstrução nasal podem dificultar a chegada dos odores às células olfatórias.
- Infecções respiratórias: gripes, resfriados e COVID-19 podem provocar redução temporária ou prolongada do olfato.
- Pólipos nasais: alterações benignas dentro do nariz podem prejudicar a circulação do ar e a percepção dos cheiros.
- Medicamentos: determinados antibióticos, antialérgicos e outros tratamentos podem interferir no olfato em algumas pessoas.
- Tabagismo: a exposição frequente à fumaça pode prejudicar as estruturas responsáveis pela identificação dos odores.
- Traumatismos na cabeça: pancadas podem afetar os nervos e outras estruturas envolvidas na percepção dos cheiros.
Algumas doenças neurológicas também podem estar associadas à redução do olfato, mas isso não significa que toda pessoa com dificuldade para sentir cheiros tenha uma doença desse tipo. A investigação depende da evolução e dos outros sintomas presentes.
O que observar quando o cheiro dos alimentos fica mais fraco?
A maneira como a mudança começou pode fornecer informações importantes. Uma redução lenta e discreta pode acompanhar o envelhecimento, enquanto uma perda repentina ou que surge após uma infecção respiratória pode apresentar outras explicações.
Alguns aspectos que merecem atenção incluem:
- Início dos sintomas: observar se a dificuldade apareceu de repente ou se desenvolveu ao longo dos meses.
- Presença de nariz entupido: perceber se existe congestão, secreção ou dificuldade para respirar pelo nariz.
- Infecções recentes: lembrar se a alteração começou depois de gripe, resfriado ou COVID-19.
- Mudanças nos medicamentos: verificar se algum tratamento foi iniciado ou teve a dose modificada.
- Alteração no sabor dos alimentos: perceber se comidas conhecidas passaram a parecer menos saborosas.
O olfato participa diretamente da percepção do sabor dos alimentos. Por isso, quando os cheiros ficam mais fracos, a comida pode parecer sem gosto, mesmo quando a língua continua identificando sabores básicos, como doce, salgado e amargo.
Conhecer as possíveis causas de perda de olfato ajuda a entender por que a avaliação deve considerar tanto alterações nasais quanto outras condições de saúde.
Como manter a segurança em casa quando o olfato diminui?
Sentir cheiros não serve apenas para aproveitar os aromas dos alimentos. O olfato também funciona como um sistema de alerta, ajudando a identificar fumaça, vazamentos de gás e alimentos deteriorados. Quando essa capacidade diminui, alguns riscos podem passar despercebidos.
Algumas medidas ajudam a tornar o ambiente doméstico mais seguro:
- Verificar detectores de fumaça: conferir regularmente se os aparelhos estão funcionando e realizar a manutenção recomendada.
- Manter equipamentos de gás em boas condições: realizar inspeções adequadas e considerar detectores de gás compatíveis com a instalação.
- Observar a conservação dos alimentos: conferir prazos de validade, condições de armazenamento e tempo de permanência na geladeira.
- Não confiar apenas no cheiro: alimentos contaminados podem não apresentar alterações perceptíveis de odor ou aparência.
- Utilizar temporizadores: programar alarmes durante o preparo das refeições para reduzir o risco de esquecer alimentos no fogo.
- Evitar provar alimentos suspeitos: descartar produtos que possam estar deteriorados, sem tentar confirmar a segurança pelo sabor.
Quando existe suspeita de vazamento de gás, não se deve tentar confirmar o problema pelo cheiro. É importante seguir as orientações de segurança, evitar acionar interruptores ou aparelhos elétricos, sair do local e solicitar ajuda especializada.

Quando a perda de olfato precisa de avaliação médica?
Uma redução discreta e gradual da capacidade de sentir cheiros pode ocorrer com o envelhecimento. Entretanto, mudanças persistentes, progressivas ou sem explicação clara precisam ser avaliadas por um clínico geral ou otorrinolaringologista.
A perda repentina do olfato também merece avaliação médica, especialmente quando não existe resfriado, congestão nasal ou outra causa evidente. Alterações após uma pancada na cabeça, obstrução persistente de apenas uma narina ou sangramentos nasais recorrentes também precisam ser investigados.
Se a perda de olfato aparecer acompanhada de fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar, confusão repentina ou alterações importantes da visão, é necessário procurar atendimento de emergência, pois esses sintomas podem indicar um problema neurológico agudo.
Durante a consulta, o médico poderá examinar as cavidades nasais, revisar os medicamentos utilizados e, quando necessário, solicitar testes específicos do olfato. Identificar a origem da alteração ajuda a definir os cuidados adequados, sem considerar toda mudança na percepção dos cheiros uma consequência inevitável da idade.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









