Quando não há garantia de que a água foi tratada corretamente, o Ministério da Saúde orienta filtrar ou coar e depois ferver por cinco minutos, contando o tempo a partir do início da fervura. Esse cuidado ajuda a eliminar microrganismos capazes de provocar doenças, como bactérias, vírus e parasitas. Entretanto, ferver água não significa que ela estará segura em qualquer situação, pois o calor não remove contaminantes químicos. Além do tempo de fervura, a maneira de armazenar a água também é importante para evitar uma nova contaminação.
Como ferver água corretamente para beber?
O tempo deve começar a ser contado somente quando a água estiver fervendo, com bolhas grandes e constantes. Não basta aquecer até aparecerem pequenas bolhas no fundo da panela, pois isso ainda não significa que a água entrou em ebulição.
Para realizar o procedimento em casa, siga estas etapas:
- Filtre ou coe a água: utilize um filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo para retirar partículas visíveis.
- Coloque em uma panela limpa: use um recipiente adequado para aquecimento.
- Espere começar a ferver: observe quando surgirem bolhas grandes e contínuas.
- Conte cinco minutos: mantenha a água fervendo durante esse período, sem começar a contagem antes da ebulição.
- Deixe esfriar: aguarde até atingir uma temperatura adequada para consumo, evitando contato com utensílios sujos.
- Guarde corretamente: transfira para um recipiente limpo, próprio para alimentos e com tampa.
Essa orientação aparece nas recomendações oficiais do Ministério da Saúde sobre cuidados com a água, especialmente em situações de emergência ou quando não há acesso confiável à água tratada. A fervura é indicada como alternativa de desinfecção quando não há hipoclorito de sódio a 2,5% disponível.

Por que é importante filtrar antes de ferver?
Filtrar ou coar ajuda a retirar areia, terra e outras partículas que podem estar misturadas à água. Esse procedimento melhora suas condições para a etapa seguinte, mas não garante, sozinho, que ela esteja livre de microrganismos causadores de doenças.
A fervura complementa esse cuidado porque o calor inativa muitos microrganismos que podem provocar infecções intestinais. Por isso, passar a água por um pano ou coador comum não substitui a desinfecção quando sua qualidade é desconhecida.
Ferver água elimina todas as contaminações?
Não. A fervura é eficaz contra muitos agentes infecciosos, mas não elimina substâncias químicas dissolvidas. Produtos como agrotóxicos, combustíveis e determinados metais podem continuar presentes mesmo após vários minutos de aquecimento.
Assim, se houver suspeita de contaminação por produtos químicos, especialmente após acidentes industriais, vazamentos ou contato com substâncias perigosas, a água não deve ser considerada potável apenas porque foi fervida. Nessas situações, é necessário utilizar outra fonte comprovadamente segura e seguir as orientações das autoridades sanitárias.
Também é importante lembrar que água transparente e sem cheiro não é necessariamente própria para consumo. Alguns contaminantes não provocam mudanças perceptíveis na aparência, no sabor ou no odor.
Como guardar a água fervida sem contaminar novamente?
Depois de ferver água, é importante esperar que ela esfrie e armazená-la em uma garrafa ou vasilha higienizada e tampada, preferencialmente com abertura estreita. Isso reduz o contato com poeira, insetos, mãos e utensílios que possam introduzir novos microrganismos.
O ideal é separar um recipiente exclusivamente para água de beber, mantê-lo protegido do sol e do calor excessivo e evitar colocar as mãos ou copos diretamente dentro dele. Para retirar a água, prefira despejá-la pela abertura do recipiente.
Mesmo após o tratamento, a água pode voltar a ficar contaminada se for guardada em recipientes sujos ou ficar exposta ao ambiente. Por isso, a limpeza regular das garrafas e vasilhas faz parte dos cuidados com a segurança da água.

Quando a água contaminada pode causar problemas de saúde?
Beber água contaminada pode provocar infecções gastrointestinais, com sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e febre. A intensidade varia conforme o agente causador e as condições de saúde da pessoa.
Um dos principais riscos é a desidratação, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas que apresentam perdas importantes de líquidos. Boca seca, urina muito escura ou em pequena quantidade, tontura e fraqueza podem indicar que o organismo está perdendo mais líquidos do que consegue repor.
Diarreia intensa, vômitos persistentes, sangue nas fezes, dificuldade para ingerir líquidos ou sinais de desidratação exigem avaliação médica. Sonolência intensa, confusão mental, desmaio ou diminuição acentuada da urina são sinais de maior gravidade e precisam de atendimento urgente.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









