A glicose pode subir durante a gripe mesmo quando a pessoa está comendo menos do que o habitual. Isso acontece porque a infecção provoca uma resposta de defesa no organismo, estimulando a liberação de hormônios que aumentam o açúcar no sangue e dificultam a ação da insulina. Em pessoas com diabetes, essa alteração pode tornar o controle da glicemia mais difícil durante os dias de doença. Entretanto, a falta de apetite também pode provocar quedas de glicose, especialmente em quem utiliza insulina ou determinados medicamentos para diabetes.
Por que a gripe aumenta a glicose no sangue?
Durante uma infecção, o organismo libera hormônios como cortisol e adrenalina para ajudar a enfrentar o estresse causado pela doença. Essas substâncias estimulam o fígado a liberar mais glicose na circulação e podem reduzir temporariamente a capacidade das células de responder à insulina, hormônio responsável por ajudar o açúcar a entrar nas células.
Segundo as orientações dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), os hormônios liberados durante uma doença podem elevar a glicemia, mesmo quando a pessoa não consegue comer normalmente. Por isso, episódios de gripe e outras infecções exigem atenção especial de quem tem diabetes.

Comer menos durante a gripe pode baixar a glicose?
Sim. Embora a infecção possa elevar a glicemia, comer pouco também aumenta o risco de hipoglicemia, especialmente quando a pessoa continua utilizando medicamentos que reduzem o açúcar no sangue. Esse risco pode ser maior quando existem náuseas, vômitos ou dificuldade para manter as refeições habituais.
Isso significa que a glicose na gripe pode variar bastante ao longo do dia. Algumas pessoas apresentam valores elevados por causa da resposta hormonal à infecção, enquanto outras podem ter quedas importantes devido à redução da alimentação. Por esse motivo, não é seguro presumir que a glicose estará baixa apenas porque a pessoa está comendo menos.
Como controlar a glicose durante os dias de gripe?
Quem tem diabetes deve seguir o plano de cuidados para dias de doença, elaborado com a equipe de saúde. Esse planejamento ajuda a definir como acompanhar a glicemia, manter a alimentação e lidar com possíveis alterações durante infecções.
Alguns cuidados importantes incluem:
- Medir a glicose regularmente: verificar os valores com a frequência recomendada pelo profissional de saúde, que pode ser maior durante a gripe.
- Manter a hidratação: beber água ao longo do dia, respeitando eventuais restrições de líquidos indicadas pelo médico.
- Observar a alimentação: tentar manter refeições menores e regulares quando houver falta de apetite, conforme o plano alimentar individual.
- Seguir o tratamento: não interromper ou modificar medicamentos e doses de insulina por conta própria.
- Verificar as cetonas quando indicado: especialmente em pessoas com diabetes tipo 1 ou glicemia persistentemente elevada, conforme orientação médica.
Alguns medicamentos utilizados para aliviar sintomas gripais também podem interferir na glicemia. Por isso, pessoas com diabetes devem informar ao médico ou farmacêutico quais tratamentos utilizam antes de tomar novos medicamentos.

Quando a glicose alta durante a gripe é preocupante?
Uma elevação temporária da glicose pode acontecer durante infecções, mas valores persistentemente altos precisam de atenção, principalmente quando não melhoram com as medidas previstas no plano de cuidados. Em algumas situações, a falta de insulina pode provocar o acúmulo de cetonas no sangue e causar cetoacidose diabética, uma complicação grave.
É importante procurar atendimento médico diante dos seguintes sinais:
- Glicose muito elevada ou que permanece acima dos limites definidos pela equipe de saúde;
- Vômitos persistentes ou incapacidade de manter líquidos no estômago;
- Dificuldade para respirar ou respiração anormalmente rápida;
- Sonolência intensa, confusão mental ou fraqueza importante;
- Presença de cetonas elevadas, quando realizada a medição.
Dificuldade para respirar, confusão mental ou suspeita de cetoacidose exigem atendimento de urgência. Mesmo quando a gripe parece leve, pessoas com diabetes precisam acompanhar a evolução dos sintomas e da glicemia, pois a necessidade de tratamento pode mudar durante a infecção. Se os valores permanecerem alterados após a recuperação, é importante buscar avaliação para revisar o controle do diabetes.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








