Ter veias saltadas nas pernas mesmo mantendo o hábito de caminhar pode estar relacionado à predisposição familiar para varizes. Isso acontece porque fatores hereditários podem influenciar a estrutura das paredes e o funcionamento das válvulas das veias, favorecendo sua dilatação ao longo do tempo. A atividade física ajuda a circulação sanguínea, mas não elimina a possibilidade de desenvolver varizes hereditárias. Quando as veias ficam mais aparentes, provocam desconforto ou começam a apresentar alterações, é importante avaliar se existe algum problema na circulação venosa.
Por que as varizes podem aparecer mesmo em pessoas ativas?
As veias das pernas precisam transportar o sangue de volta ao coração, muitas vezes contra a força da gravidade. Para isso, possuem pequenas válvulas que ajudam a impedir o retorno do sangue na direção dos pés. A contração dos músculos da panturrilha durante a caminhada também contribui para esse movimento.
Quando as válvulas não funcionam adequadamente ou as paredes das veias ficam enfraquecidas, parte do sangue pode retornar e se acumular nos vasos. Esse processo aumenta a pressão dentro das veias, favorecendo sua dilatação e o aparecimento de trajetos tortuosos e salientes.
Segundo o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI), o histórico familiar está entre os fatores que aumentam o risco de varizes. A instituição também destaca que alterações nas paredes e válvulas venosas contribuem para o acúmulo de sangue, enquanto a atividade física pode ajudar a melhorar seu retorno ao coração.

Ter familiares com varizes aumenta o risco?
Sim. Pessoas com pais, irmãos ou outros familiares próximos que apresentam varizes podem ter maior predisposição a desenvolver o mesmo problema. Entretanto, isso não significa que todos os integrantes da família terão veias dilatadas ou que os sintomas aparecerão com a mesma intensidade.
A hereditariedade é apenas um dos fatores envolvidos. Outras condições também podem contribuir para o desenvolvimento das varizes, como:
- Envelhecimento: alterações progressivas nas paredes e válvulas das veias podem favorecer a dilatação;
- Gravidez: mudanças hormonais e aumento da pressão sobre as veias podem dificultar o retorno sanguíneo;
- Excesso de peso: pode aumentar a pressão exercida sobre os vasos das pernas;
- Longos períodos na mesma posição: permanecer muitas horas sentado ou em pé pode dificultar a circulação venosa;
- Histórico de trombose: lesões nas válvulas venosas após uma trombose podem comprometer o retorno do sangue.
É importante lembrar que nem toda veia visível representa uma variz. Pessoas com pouca gordura sob a pele ou maior desenvolvimento muscular podem apresentar veias superficiais mais aparentes sem necessariamente ter insuficiência venosa.
Caminhar ajuda a evitar que as varizes piorem?
A caminhada estimula a contração dos músculos da panturrilha, que funcionam como uma espécie de bomba para impulsionar o sangue das pernas em direção ao coração. Por isso, movimentar-se regularmente pode ajudar a reduzir a sensação de peso e o desconforto associados à circulação venosa.
Entretanto, mesmo quem caminha todos os dias pode desenvolver varizes. O exercício não corrige válvulas venosas que já apresentam alterações e não elimina a predisposição hereditária. Seu papel está principalmente em favorecer a circulação e contribuir para a saúde vascular.
Além da caminhada, algumas medidas podem ajudar no dia a dia:
- Evitar ficar muito tempo parado: alternar períodos sentado e em pé, movimentando-se sempre que possível;
- Movimentar os tornozelos: flexionar e estender os pés durante períodos prolongados sentado;
- Elevar as pernas: apoiar as pernas em uma posição elevada durante o descanso pode aliviar temporariamente o inchaço e a sensação de peso;
- Manter atividades físicas regulares: escolher exercícios adequados às condições de saúde e à capacidade individual;
- Cuidar do peso corporal: quando necessário, buscar orientação para reduzir fatores que aumentam a pressão sobre as veias.
Esses cuidados podem aliviar sintomas, mas não fazem as varizes já formadas desaparecerem. O uso de meias de compressão também deve ser orientado por um profissional, pois a pressão e o modelo precisam ser adequados às condições circulatórias de cada pessoa.
Como saber se as veias saltadas precisam de tratamento?
Algumas varizes provocam principalmente alterações na aparência das pernas, enquanto outras podem causar dor, sensação de peso, coceira, cãibras ou inchaço nos tornozelos, especialmente ao final do dia.
Quando existem sintomas frequentes, o angiologista ou cirurgião vascular pode avaliar a circulação e solicitar um ultrassom Doppler venoso, exame que permite observar o fluxo sanguíneo e o funcionamento das válvulas.
Dependendo dos resultados, o tratamento pode envolver medidas para aliviar os sintomas ou procedimentos específicos, como escleroterapia e técnicas endovenosas. A escolha considera a extensão das varizes nas pernas, as condições de saúde e o desconforto apresentado.

Quando as veias saltadas exigem avaliação médica rápida?
É importante procurar atendimento quando as varizes começam a provocar dor persistente, inchaço frequente, alterações na cor da pele ou feridas próximas aos tornozelos. Essas manifestações podem indicar problemas na circulação venosa que precisam de acompanhamento.
Inchaço súbito em uma perna, especialmente acompanhado de dor, vermelhidão ou aumento da temperatura local, exige avaliação médica urgente. Esses sintomas podem indicar trombose venosa profunda e não devem ser atribuídos automaticamente às varizes.
O sangramento de uma veia dilatada também requer atendimento imediato. Nesse caso, deve-se deitar, elevar a perna e fazer pressão direta sobre o local com um pano ou gaze limpa enquanto se busca ajuda. Se houver falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio, é necessário procurar um serviço de emergência.
Mesmo quando existe histórico familiar, acompanhar mudanças nas veias e observar os sintomas ajuda a identificar situações que precisam de tratamento. A predisposição genética não pode ser eliminada, mas os cuidados com a circulação e a avaliação profissional podem ajudar a controlar os sintomas e prevenir complicações.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









