Chegar de uma viagem longa e perceber que apenas uma perna está inchada pode ser mais do que consequência de ficar muitas horas sentado. Quando o inchaço aparece de um lado só, principalmente acompanhado de dor na panturrilha, calor ou vermelhidão, existe a possibilidade de trombose venosa profunda. A condição ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda e exige avaliação médica rápida, mesmo que o desconforto pareça leve.
Por que viagens longas aumentam o risco de trombose?
Durante viagens de ônibus, carro ou avião, permanecer sentado por várias horas reduz a contração dos músculos da panturrilha. Esses músculos funcionam como uma bomba que ajuda o sangue a retornar das pernas ao coração. Com pouca movimentação, o fluxo sanguíneo nas veias fica mais lento, favorecendo a formação de coágulos em pessoas suscetíveis.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) alertam que viagens superiores a quatro horas podem aumentar o risco de trombose, independentemente do meio de transporte. Para a maioria das pessoas saudáveis, o risco absoluto continua baixo. Entretanto, quanto maior o período sem movimentar as pernas, maior pode ser a preocupação, especialmente quando existem outros fatores de risco.
Como reconhecer os sinais de trombose depois da viagem?
Um leve inchaço nos dois tornozelos pode acontecer após muitas horas sentado. A situação merece mais atenção quando existe uma diferença nova entre as pernas, principalmente se uma delas apresenta desconforto persistente ou alterações na pele.
Entre os principais sintomas de trombose venosa profunda estão:
- Inchaço em apenas uma perna: a panturrilha, o tornozelo ou toda a perna podem ficar visivelmente maiores que o outro lado;
- Dor ou sensibilidade: desconforto na panturrilha ou na coxa, que pode piorar ao caminhar ou ficar em pé;
- Calor local: a pele da região afetada pode ficar mais quente ao toque;
- Vermelhidão ou mudança de cor: a perna pode apresentar tonalidade avermelhada, arroxeada ou diferente da habitual;
- Sensação de peso ou tensão: desconforto que permanece mesmo depois de terminar a viagem.
Nem todos esses sinais aparecem juntos. Algumas pessoas apresentam sintomas discretos ou não percebem alterações. Além disso, a trombose pode se manifestar nos dias ou semanas seguintes à viagem, não necessariamente logo após o desembarque.

Quem tem maior risco de desenvolver trombose durante uma viagem?
O risco aumenta quando o tempo prolongado sentado se combina com condições que favorecem a coagulação do sangue. Entre elas estão histórico pessoal ou familiar de trombose, cirurgia recente, obesidade, gravidez, pós-parto, câncer ativo, imobilização de uma perna e uso de anticoncepcionais que contêm estrogênio ou terapia hormonal.
A idade também influencia, com aumento progressivo do risco a partir dos 40 anos. Isso não significa que pessoas jovens estejam completamente protegidas. Quem apresenta fatores de risco importantes, especialmente histórico de coágulos ou cirurgia recente, deve conversar com o médico antes de realizar viagens prolongadas para avaliar medidas preventivas individualizadas.
Como movimentar as pernas para reduzir o risco durante a viagem?
A prevenção começa com pequenas mudanças durante o trajeto. Movimentar os tornozelos e contrair as panturrilhas ajuda o sangue a circular, enquanto levantar e caminhar periodicamente evita longos períodos de imobilidade.
Algumas medidas práticas incluem:
- Levantar e caminhar, quando possível, a cada uma ou duas horas;
- Fazer paradas durante viagens de carro ou ônibus para caminhar alguns minutos;
- Alternar movimentos de levantar os calcanhares e as pontas dos pés enquanto estiver sentado;
- Evitar permanecer muito tempo na mesma posição e usar roupas confortáveis;
- Conversar com o médico sobre meias de compressão quando houver risco aumentado de trombose.
O uso preventivo de aspirina ou anticoagulantes não deve ser iniciado por conta própria. Esses medicamentos podem provocar sangramentos e não são indicados rotineiramente para viajantes. As medidas de movimentação ajudam a reduzir o risco, mas não oferecem proteção absoluta.

Quando a perna inchada depois da viagem exige atendimento?
Um inchaço novo e inexplicado em apenas uma perna, especialmente acompanhado de dor, calor ou vermelhidão, exige avaliação médica no mesmo dia. O diagnóstico pode envolver exame físico, exames de sangue e ultrassonografia Doppler. Não é possível confirmar ou descartar trombose apenas observando a perna. Enquanto houver suspeita, evite massagear a região ou tentar resolver o inchaço com exercícios intensos.
Se surgirem falta de ar repentina, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio, é necessário acionar imediatamente o SAMU, pelo número 192. Esses sintomas podem indicar embolia pulmonar, complicação grave que acontece quando um coágulo chega aos pulmões e bloqueia a circulação sanguínea.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde.









