Consumir cálcio é importante para manter a estrutura dos ossos, mas esse mineral não age sozinho. A vitamina D participa diretamente de sua absorção no intestino e do equilíbrio de cálcio no organismo. Nas mulheres, principalmente após a menopausa, cuidar desses nutrientes faz parte da proteção da saúde óssea, embora a osteoporose também seja influenciada por alterações hormonais, idade, atividade física, doenças e outros fatores.
Por que a vitamina D interfere no aproveitamento do cálcio?
O cálcio presente nos alimentos precisa ser absorvido pelo intestino antes de ficar disponível para diferentes funções do organismo, incluindo a manutenção do tecido ósseo. A vitamina D favorece esse processo. Um posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica explica que a forma ativa da vitamina D estimula a absorção intestinal de cálcio e fósforo.
Por isso, uma deficiência importante de vitamina D pode prejudicar o aproveitamento do cálcio mesmo quando a alimentação fornece o mineral. Isso não significa, porém, que aumentar a vitamina D seja suficiente para evitar a osteoporose. Nas mulheres após a menopausa, a queda do estrogênio acelera a perda de massa óssea e é um dos principais motivos para o aumento do risco de fraturas.
De onde vem a vitamina D?
O organismo consegue produzir vitamina D na pele pela ação da radiação ultravioleta B. Ela também pode ser obtida pela alimentação, embora esteja naturalmente presente em um número relativamente pequeno de alimentos. A quantidade produzida pela pele varia conforme fatores como exposição solar, horário, estação do ano, local onde a pessoa vive e características individuais.
Entre as fontes que podem contribuir para a ingestão estão:
- peixes gordurosos, como sardinha, salmão e atum;
- gema de ovo;
- alguns cogumelos;
- leites, bebidas vegetais e outros produtos fortificados com vitamina D, quando disponível no produto.
O Tua Saúde detalha outras fontes de vitamina D e as formas de avaliar esse nutriente. Não é recomendado aumentar deliberadamente a exposição ao sol de maneira desprotegida apenas para tentar elevar a vitamina, devido aos riscos da radiação ultravioleta para a pele.

Como saber se a vitamina D está baixa?
Quando existe indicação para investigar a vitamina D, o exame mais utilizado é a dosagem sanguínea de 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D. Essa é a principal forma circulante utilizada para estimar as reservas do nutriente no organismo. A interpretação não deve ser feita apenas comparando um número com a internet, porque os valores desejáveis podem variar conforme idade, presença de osteoporose, doenças associadas e outros fatores de risco.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia inclui a 25-OHD entre os exames que podem fazer parte da investigação de pessoas com maior risco de osteoporose e reforça que a suplementação de cálcio e vitamina D deve ser individualizada. Portanto, o mais adequado é discutir com o médico se há indicação para realizar o exame, principalmente quando já existe osteoporose, risco de fratura ou suspeita de deficiência.

Tomar vitamina D por conta própria protege contra osteoporose?
Não necessariamente. Suplementos podem ser indicados quando há deficiência, ingestão inadequada ou determinadas condições clínicas, mas doses maiores não significam ossos mais fortes. O excesso de vitamina D pode elevar demais o cálcio no sangue e provocar efeitos adversos. Por isso, não é recomendado iniciar doses elevadas sem avaliação profissional.
A proteção dos ossos envolve uma estratégia mais ampla: alimentação com quantidade adequada de cálcio, situação adequada da vitamina D, exercícios de força e com sustentação do peso corporal, prevenção de quedas e avaliação dos fatores individuais de risco. Mulheres após a menopausa ou com histórico de fratura por trauma leve devem conversar com o médico sobre a necessidade de investigar a densidade óssea e outros fatores associados à osteoporose.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por médico ou outro profissional de saúde qualificado.









