Procurar terapia pode parecer difícil mesmo quando a pessoa reconhece que não está bem. Vergonha, medo de ser julgada e a ideia de que deveria conseguir resolver tudo sozinha podem adiar esse primeiro passo. Mas a psicoterapia não é reservada apenas para crises graves ou transtornos mentais: ela também pode ajudar a lidar com estresse, conflitos, perdas, mudanças de vida e emoções que estão pesando no dia a dia.
Por que tanta gente sente vergonha de procurar terapia?
Parte desse desconforto está relacionada ao estigma que ainda envolve a saúde mental. Uma revisão sistemática com meta-análise sobre estigma e busca por cuidados de saúde mental encontrou associação entre atitudes negativas em relação à procura de ajuda e menor probabilidade de efetivamente buscar atendimento.
Também pesa a crença de que pedir ajuda representa fraqueza ou incapacidade de resolver os próprios problemas. Na prática, reconhecer que uma situação está difícil e procurar recursos para enfrentá-la é uma forma ativa de cuidado, da mesma maneira que buscar orientação profissional diante de uma dificuldade física.
É verdade que terapia é apenas para quem está muito mal?
Não. A American Psychological Association explica que a psicoterapia pode ajudar em situações como problemas de relacionamento, luto, estresse, dificuldades profissionais e sofrimento emocional, além de fazer parte do tratamento de transtornos como ansiedade e depressão.
Isso significa que não é necessário esperar os problemas se tornarem insuportáveis para procurar um psicólogo. O Tua Saúde também explica que a psicoterapia pode ajudar a compreender emoções e desenvolver estratégias para lidar com dificuldades pessoais. O objetivo e a duração do acompanhamento variam conforme as necessidades de cada pessoa.

O que acontece na primeira consulta com o psicólogo?
A primeira sessão costuma ser um momento de conhecimento e avaliação, e não um teste em que a pessoa precisa saber exatamente o que dizer. O psicólogo pode perguntar o que motivou a busca por terapia, há quanto tempo aquela dificuldade existe, como está a rotina, quais situações estão causando sofrimento e o que a pessoa espera do acompanhamento.
Também podem ser explicados aspectos como sigilo, frequência das sessões, abordagem utilizada e funcionamento do tratamento. É possível começar de maneira simples, inclusive dizendo “não sei por onde começar”. Sentir nervosismo ou dificuldade para falar nas primeiras consultas não significa que a terapia não vai funcionar.
Como tornar o primeiro passo menos difícil?
Não é necessário chegar à primeira consulta com todos os sentimentos organizados. Algumas atitudes podem tornar a procura por ajuda menos intimidante:
- comece pelo motivo mais concreto: dificuldade para dormir, preocupação constante, conflitos familiares ou sensação de sobrecarga já são pontos de partida;
- procure informações sobre o profissional: saber como funciona o atendimento e qual é sua abordagem pode reduzir a insegurança;
- lembre que a primeira sessão não cria uma obrigação: é possível avaliar se existe conforto e confiança para continuar com aquele profissional;
- converse com alguém de confiança: apoio de uma pessoa próxima pode facilitar a decisão de marcar a consulta;
- não espere chegar ao limite: procurar ajuda cedo pode facilitar o cuidado antes que o sofrimento prejudique ainda mais a rotina.

Onde procurar terapia gratuita ou com custo reduzido?
No SUS, o cuidado em saúde mental pode começar pela Unidade Básica de Saúde. Conforme a necessidade, a pessoa pode receber acompanhamento na própria rede ou ser encaminhada para outros serviços. Os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, oferecem atendimento gratuito e podem ser procurados diretamente, especialmente quando existe sofrimento psíquico mais intenso.
Outra possibilidade são clínicas-escola de universidades. Algumas oferecem atendimento psicológico gratuito e outras trabalham com valores reduzidos, dependendo da instituição, do projeto e da disponibilidade de vagas. O Centro Escola do Instituto de Psicologia da USP, por exemplo, mantém projetos gratuitos de atendimento à comunidade. Vale consultar universidades da própria cidade para saber como funcionam inscrição e triagem.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação de um profissional de saúde mental. Quando o sofrimento se torna intenso, prejudica atividades do dia a dia ou envolve risco à própria segurança, é importante procurar atendimento profissional o quanto antes.









