Depois dos 60 anos, revisar a carteira de vacinação é tão importante quanto manter outros cuidados de saúde em dia. Entre as vacinas recomendadas para adultos mais velhos estão as que protegem contra doenças causadas pelo pneumococo e contra o herpes-zóster. As duas ajudam a prevenir infecções que podem trazer complicações importantes com o avanço da idade, mas há uma diferença prática: a disponibilidade delas no SUS não é a mesma.
Por que essas vacinas ganham importância com a idade?
O envelhecimento é acompanhado por mudanças na resposta do sistema imunológico, o que pode aumentar a vulnerabilidade a algumas infecções e suas complicações. O calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações para idosos inclui tanto a vacinação pneumocócica quanto a vacina recombinante contra herpes-zóster entre as recomendações para essa fase da vida.
O calendário de vacinação do idoso do Tua Saúde também reúne essas vacinas e outras que precisam ser verificadas depois dos 60, como influenza, covid-19, hepatite B, difteria e tétano. A necessidade de cada dose depende do histórico de vacinação, da idade e de condições de saúde.
O que a vacina pneumocócica realmente previne?
Embora seja popularmente chamada de “vacina da pneumonia”, ela não previne todas as pneumonias. As vacinas pneumocócicas protegem contra diferentes tipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, que pode provocar pneumonia, meningite e infecções invasivas. Segundo a SBIm, a VPC20, que protege contra 20 sorotipos do pneumococo, é recomendada de rotina a partir dos 50 anos em dose única para quem não possui esquema prévio que modifique essa indicação.
Quem já recebeu outras vacinas pneumocócicas deve verificar a carteira antes de tomar uma nova dose, pois o esquema e os intervalos mudam conforme as vacinas utilizadas anteriormente. Por isso, não é recomendável simplesmente repetir a vacinação sem conferir o histórico.

E a vacina contra herpes-zóster?
O herpes-zóster acontece pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Além das lesões dolorosas na pele, algumas pessoas desenvolvem neuralgia pós-herpética, uma dor que pode continuar mesmo depois que as lesões desaparecem. A SBIm recomenda a vacina recombinante contra herpes-zóster a partir dos 50 anos, inclusive para pessoas que já tiveram a doença.
O esquema recomendado é de duas doses, normalmente com intervalo de dois meses. Pessoas imunocomprometidas também podem ter indicação, mas o momento da vacinação pode precisar ser planejado conforme doença, transplante, quimioterapia ou medicamentos que reduzem a imunidade.
Quais dessas vacinas estão disponíveis no SUS em 2026?
A situação é diferente para cada imunizante. Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde ampliou a oferta da Pneumo 20 para pessoas com 85 anos ou mais. Para pessoas de 60 a 84 anos, ela também permanece disponível no SUS em situações específicas, como para idosos acamados ou institucionalizados e para pessoas contempladas pelas estratégias de imunobiológicos especiais.
Já a vacina recombinante contra herpes-zóster continua sendo encontrada na rede privada. Em janeiro de 2026, a decisão publicada pelo Ministério da Saúde foi de não incorporá-la ao SUS para idosos a partir de 80 anos e pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos avaliadas naquele processo.

Quem tem mais de 60 anos deve tomar as duas?
Para muitas pessoas, as duas fazem parte das recomendações de vacinação nessa fase da vida, mas a decisão deve considerar quais doses já foram tomadas, doenças existentes e tratamentos em uso. Levar a carteira de vacinação a uma unidade de saúde ou ao médico ajuda a identificar o que está atrasado e evita aplicações desnecessárias.
Também vale lembrar que pneumococo e herpes-zóster não são as únicas preocupações depois dos 60. Influenza, covid-19, tétano, difteria e outras vacinas podem precisar de doses ou reforços conforme o histórico individual e o calendário atualizado.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Recomendações e disponibilidade de vacinas podem ser atualizadas pelo Ministério da Saúde e pelas sociedades médicas, por isso o calendário deve ser conferido no momento da vacinação.









