A fibrilação atrial nem sempre provoca o coração acelerado ou as palpitações que muita gente associa a uma arritmia. Algumas pessoas não sentem nada, enquanto outras percebem apenas cansaço, falta de ar leve ou menor disposição para atividades habituais. Mesmo silenciosa, porém, a condição merece atenção porque está associada ao aumento do risco de formação de coágulos e AVC.
Como a fibrilação atrial pode existir sem palpitações?
Na fibrilação atrial, a atividade elétrica dos átrios, as câmaras superiores do coração, fica desorganizada e o pulso tende a se tornar irregular. A intensidade dos sintomas, porém, varia muito. A frequência dos batimentos, a duração dos episódios, outras doenças cardíacas e a própria percepção individual ajudam a explicar por que algumas pessoas sentem palpitações fortes e outras praticamente não percebem a alteração.
As diretrizes de 2024 da Sociedade Europeia de Cardiologia destacam que episódios assintomáticos de fibrilação atrial podem ocorrer e que sintomas inespecíficos, como fadiga, são mais comuns do que algumas manifestações tipicamente cardíacas. Até quem costuma sentir a arritmia pode ter episódios sem sintomas.
Cansaço e falta de ar podem ser as únicas pistas
Quando existem sintomas, eles nem sempre chamam atenção imediatamente para o coração. Algumas pessoas percebem apenas que se cansam mais depressa, têm dificuldade maior para fazer exercícios ou sentem falta de ar em esforços que antes eram bem tolerados. Tontura, fraqueza e palpitações também podem ocorrer.
Esses sinais têm muitas outras causas e não permitem diagnosticar fibrilação atrial sozinhos. O Tua Saúde explica que a fibrilação atrial pode causar cansaço, respiração curta, tontura e palpitações, mas também ser descoberta sem sintomas durante um eletrocardiograma de rotina.

Se não causa sintomas, por que a fibrilação atrial preocupa?
A ausência de palpitações não torna a arritmia inofensiva. Como os átrios não se contraem normalmente, o sangue pode ficar mais parado dentro do coração, favorecendo a formação de coágulos. Se um desses coágulos alcançar uma artéria cerebral, pode provocar um AVC.
A American Heart Association explica que a fibrilação atrial pode favorecer coágulos e está associada a um risco maior de AVC. O risco individual não é igual para todos e depende de fatores como idade, hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca e histórico prévio de AVC. É por isso que nem toda pessoa com fibrilação atrial recebe exatamente o mesmo tratamento.
Como uma fibrilação atrial silenciosa pode ser descoberta?
Às vezes, a primeira pista aparece durante uma consulta comum. Ao verificar o pulso ou auscultar o coração, o profissional pode perceber que os batimentos estão irregulares. O eletrocardiograma é o exame utilizado para confirmar a fibrilação atrial quando a arritmia está presente durante o registro.
Alguns aparelhos automáticos de pressão também possuem sistemas que avisam quando detectam irregularidade nos batimentos durante a medição. Um documento de sociedades internacionais de ritmo cardíaco descreve aparelhos de pressão com algoritmos de detecção de pulso irregular como ferramentas que podem ajudar a levantar a suspeita de fibrilação atrial. O aviso do aparelho, porém, não fecha o diagnóstico e precisa ser confirmado por um registro de eletrocardiograma.

E se o eletrocardiograma estiver normal?
A fibrilação atrial pode ser intermitente. Nesse caso, a pessoa pode estar com ritmo normal justamente nos poucos segundos em que o eletrocardiograma é realizado. Quando existe suspeita apesar de um ECG inicial normal, o médico pode indicar monitorização por mais tempo, como Holter ou outros dispositivos capazes de registrar o ritmo durante horas ou dias.
Batimento irregular repetidamente identificado, palpitações recorrentes, cansaço inexplicado ou falta de ar merecem avaliação. Dor no peito, desmaio, dificuldade intensa para respirar ou sinais súbitos de AVC, como boca torta, fraqueza de um lado do corpo e dificuldade para falar, exigem atendimento de urgência.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento indicado por um profissional de saúde.









