Um estudo publicado em 2026 no JAMA Network Open acompanhou 38.283 mulheres durante os seis anos anteriores e os seis anos posteriores à menopausa para investigar como diferentes padrões alimentares se relacionavam ao ganho de peso. As mulheres que mantinham padrões alimentares ricos em frutas, vegetais, grãos integrais, castanhas e leguminosas apresentaram menor ganho de peso e menor risco de desenvolver obesidade. A pesquisa também considerou o uso de terapia hormonal, mostrando que alimentação e mudanças hormonais não precisam ser encaradas como explicações concorrentes para o peso nessa fase.
O que o estudo acompanhou durante os 12 anos?
A pesquisa utilizou dados do Nurses’ Health Study II e analisou mulheres com média de 45,6 anos no início do período estudado. Os pesquisadores consideraram aproximadamente seis anos antes e seis anos depois da menopausa. A alimentação foi avaliada por questionários aplicados a cada quatro anos, enquanto o peso era informado a cada dois anos.
No total, as participantes ganharam em média 0,80 kg por ano durante o período analisado, e 5.214 desenvolveram obesidade. O estudo publicado no JAMA Network Open comparou diversos padrões alimentares e sua associação com a mudança de peso e o aparecimento de obesidade durante a transição da menopausa.
Quais formas de alimentação se associaram a menor ganho de peso?
Os resultados favoreceram principalmente padrões que tinham muitos alimentos vegetais de boa qualidade e menor presença de carnes vermelhas e processadas, batatas fritas, excesso de sódio e outros alimentos associados a maior resposta de insulina. Entre eles estavam a dieta mediterrânea, DASH, alimentação vegetal saudável e a chamada dieta de saúde planetária.
O padrão com menor potencial de estimular a liberação de insulina apresentou a maior diferença no ganho anual de peso entre os grupos comparados: cerca de 0,28 kg a menos por ano no grupo com melhor pontuação em relação ao de pior pontuação. Já a dieta de saúde planetária esteve entre as que apresentaram menor risco de obesidade. Isso representa uma associação observada ao longo do acompanhamento, e não prova que seguir uma dessas dietas, isoladamente, impeça o ganho de peso.

O que esses padrões alimentares tinham em comum?
Apesar de receberem nomes diferentes, vários dos padrões associados aos resultados mais favoráveis compartilhavam características simples. Eles priorizavam alimentos pouco processados e fontes vegetais de fibras, proteínas e gorduras insaturadas.
- frutas e vegetais variados;
- feijão, lentilha, grão-de-bico e outras leguminosas;
- castanhas e sementes;
- grãos integrais;
- fontes de gorduras insaturadas;
- menor consumo de carnes vermelhas e processadas, batatas fritas e excesso de sódio.
Essa orientação é compatível com os cuidados alimentares recomendados durante essa fase. O conteúdo do Tua Saúde sobre alimentação na menopausa destaca frutas, vegetais, cereais integrais e outros alimentos nutritivos como parte de uma dieta equilibrada para ajudar no controle do peso e da saúde metabólica.
E a reposição hormonal, mudou os resultados?
Os pesquisadores ajustaram as análises para diversos fatores que poderiam interferir no peso, incluindo idade, atividade física, índice de massa corporal, tabagismo, consumo de álcool e uso de terapia hormonal após a menopausa. Mesmo após esses ajustes, permaneceram associações entre qualidade da dieta e ganho de peso.
Em uma análise de subgrupos, a relação entre um padrão alimentar com maior potencial inflamatório e ganho de peso foi inclusive mais pronunciada entre mulheres que utilizavam terapia hormonal. O achado não significa que a reposição cause ganho de peso nem que a alimentação substitua o tratamento hormonal. A terapia hormonal na menopausa tem indicações, benefícios e contraindicações que precisam ser avaliados individualmente pelo ginecologista.

O estudo significa que existe uma dieta ideal para a menopausa?
Não exatamente. Por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa identifica relações entre alimentação e peso, mas não consegue provar que determinado padrão alimentar seja diretamente responsável pelas diferenças observadas. Além disso, as participantes eram predominantemente profissionais de saúde brancas, o peso era autorreferido e o estudo não conseguiu distinguir ganho de gordura de mudanças na massa muscular.
A principal mensagem prática é que a qualidade dos alimentos parece continuar relevante durante toda a transição da menopausa. Alimentação, atividade física, sono, composição corporal, idade e mudanças hormonais podem atuar juntos, por isso o controle do peso nessa fase não deve ser reduzido apenas à queda do estrogênio ou à quantidade de calorias consumidas.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional individualizada.









