O infarto nem sempre começa com uma dor forte e inconfundível no peito. Nas mulheres, a dor ou o desconforto torácico continua sendo um sintoma frequente, mas pode vir acompanhado de náusea, falta de ar, cansaço incomum e desconforto nas costas, mandíbula ou estômago. Como algumas dessas manifestações lembram azia ou má digestão, existe o risco de esperar pela melhora em casa quando, na verdade, é necessário atendimento de emergência.
O que acontece durante um infarto?
O infarto agudo do miocárdio acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco é reduzido ou interrompido, geralmente por um coágulo formado em uma artéria coronária. Sem oxigênio suficiente, as células do coração começam a sofrer lesão, por isso reconhecer os sinais e receber atendimento rapidamente pode limitar os danos.
A dor ou pressão no centro do peito continua sendo uma manifestação importante tanto em homens quanto em mulheres. A diferença é que outras queixas podem ganhar destaque e desviar a atenção do coração. A American Heart Association alerta que mulheres também podem apresentar falta de ar, náusea, desconforto no estômago, dor nas costas ou ombros e cansaço ou fraqueza incomuns.
Por que o infarto pode parecer uma má digestão?
Náusea, mal-estar e desconforto na parte superior do abdômen podem facilmente ser atribuídos ao que foi comido, principalmente quando não existe aquela imagem clássica de uma dor intensa no peito. A própria American Heart Association destaca que azia e problemas cardíacos podem produzir desconfortos parecidos e serem confundidos entre si.
O cuidado é não criar uma divisão rígida entre “sintomas de homem” e “sintomas de mulher”. O conteúdo do Tua Saúde sobre sintomas de infarto feminino explica que dor ou pressão no peito também é comum, enquanto enjoo, cansaço excessivo, falta de ar e desconforto nos braços, costas, pescoço, queixo ou estômago podem aparecer junto ou separadamente.

Quais sinais aumentam a suspeita de infarto?
Não existe um teste caseiro capaz de separar com segurança uma indigestão de um problema cardíaco. Alguns sinais, porém, tornam a situação especialmente preocupante, principalmente quando são novos, surgem de forma súbita ou aparecem em conjunto:
- pressão, peso, aperto ou dor no peito;
- dor ou desconforto que se espalha para braço, costas, pescoço ou mandíbula;
- falta de ar, mesmo sem dor intensa no peito;
- suor frio, tontura ou sensação de desmaio;
- náusea ou desconforto na região do estômago acompanhado de outros sinais;
- cansaço ou fraqueza intensos e fora do habitual.
Uma queimação após comer pode realmente ser refluxo ou azia, mas o local ou a sensação de queimação, isoladamente, não excluem um infarto. Quando há dúvida, tentar esperar o desconforto passar ou tratá-lo apenas como problema digestivo pode atrasar o diagnóstico.
É possível ter infarto sem aquela dor forte no peito?
Sim. Algumas pessoas apresentam manifestações menos evidentes, e isso não significa que o quadro seja menos grave. Falta de ar, náusea, fraqueza, suor frio ou desconforto em outras regiões da parte superior do corpo podem fazer parte do episódio. Por outro lado, esses sintomas também têm muitas outras causas, portanto não devem ser usados para diagnosticar um infarto por conta própria.
A combinação e o contexto dos sintomas são avaliados no serviço de emergência junto com exames, especialmente eletrocardiograma e marcadores sanguíneos como a troponina. É essa avaliação que permite confirmar ou afastar uma lesão cardíaca.

Quando chamar o SAMU?
Dor ou pressão no peito acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea, desmaio ou desconforto que se espalha para braços, costas, pescoço ou mandíbula deve ser tratada como uma possível emergência. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU pelo número 192 em caso de suspeita de infarto.
Mesmo quando os sintomas parecem leves ou lembram má digestão, não é seguro esperar para descobrir se desaparecerão quando existe suspeita de problema cardíaco. No infarto, o tempo até o atendimento influencia diretamente a possibilidade de preservar o músculo do coração.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou atendimento de emergência.









