O risco de acidente vascular cerebral não depende de uma única causa. Um grande estudo internacional, o INTERSTROKE, identificou dez fatores potencialmente modificáveis que, em conjunto, estiveram associados a cerca de 90% do risco atribuível de AVC na população estudada. A pressão alta foi o fator de maior peso, enquanto falta de atividade física, alimentação, tabagismo, fatores psicossociais e outras condições também tiveram participação importante.
O que o estudo INTERSTROKE descobriu?
Publicado na revista The Lancet, o INTERSTROKE avaliou 26.919 participantes de 32 países, incluindo 13.447 pessoas que haviam sofrido um primeiro AVC e 13.472 participantes sem AVC usados para comparação. O objetivo foi estimar quanto diferentes fatores potencialmente modificáveis estavam associados ao risco de AVC em várias regiões do mundo.
Os pesquisadores chegaram a dez grupos principais de fatores:
- pressão alta;
- baixa atividade física;
- alterações na relação entre apolipoproteínas ApoB e ApoA1;
- alimentação de pior qualidade;
- maior relação entre cintura e quadril;
- fatores psicossociais, incluindo estresse;
- tabagismo;
- doenças cardíacas;
- consumo de álcool;
- diabetes.
Juntos, eles corresponderam a 90,7% do risco atribuível populacional calculado no estudo. Isso não significa que 90% de todos os AVCs tenham uma causa única ou que eliminar um fator garanta prevenção, mas mostra o grande peso que condições e hábitos potencialmente modificáveis podem ter na população.
Por que a pressão alta aparece como o fator de maior peso?
No INTERSTROKE, histórico de hipertensão ou pressão arterial de 140 por 90 mmHg ou mais apresentou risco atribuível populacional de 47,9%, o maior entre os fatores avaliados. A hipertensão também mostrou associação especialmente forte com o AVC hemorrágico, que acontece quando um vaso sanguíneo no cérebro se rompe.
A pressão elevada ao longo do tempo pode danificar os vasos sanguíneos e favorecer tanto obstruções quanto sangramentos. Por isso, descobrir e controlar a pressão alta é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco cardiovascular, mesmo quando a pessoa não sente sintomas.

Qual é o papel do sedentarismo e do estresse?
A atividade física regular apareceu como um fator protetor importante no estudo. Em outras palavras, a falta de movimento contribui para aumentar o risco ao lado de outros fatores, como excesso de gordura abdominal, diabetes e pressão alta. Exercício também pode ajudar no controle do peso, da glicemia e da própria pressão arterial.
Os fatores psicossociais também tiveram associação com AVC. Análises posteriores do próprio INTERSTROKE encontraram relação entre estresse percebido em casa ou no trabalho e maior chance de AVC. Isso não quer dizer que um dia estressante provoque um derrame diretamente. O risco depende de intensidade, duração e da interação com outros fatores de saúde e estilo de vida.
Quais mudanças ajudam a reduzir o risco de AVC?
Como vários fatores se sobrepõem, a prevenção costuma envolver mais de uma frente. Entre as medidas que ajudam a reduzir o risco estão:
- medir e tratar a pressão alta conforme orientação médica;
- praticar atividade física regularmente;
- não fumar;
- manter alimentação equilibrada e peso adequado;
- controlar diabetes e alterações de colesterol;
- evitar consumo excessivo de álcool;
- acompanhar doenças cardíacas, como fibrilação atrial.
Esses cuidados não eliminam totalmente a possibilidade de AVC, porque idade, genética e outros fatores também influenciam o risco. Ainda assim, o INTERSTROKE reforça que uma parcela relevante do risco populacional está ligada a fatores sobre os quais é possível atuar.

Quais sinais de AVC exigem atendimento imediato?
Fraqueza ou dormência súbita de um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar, perda repentina da visão, desequilíbrio ou dor de cabeça muito intensa e inesperada podem indicar AVC. O AVC é uma emergência médica, e diante de sinais suspeitos é necessário procurar atendimento imediatamente ou ligar para o SAMU pelo 192.
Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as possibilidades de limitar danos ao cérebro e reduzir sequelas, especialmente nos casos em que há indicação de tratamentos que dependem do tempo desde o início dos sintomas.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico.









