Preparar o café de sempre e perceber um cheiro estranho, parecido com algo queimado ou estragado, pode causar preocupação, especialmente quando outras pessoas dizem que o aroma está normal. Essa mudança na percepção dos cheiros é conhecida como parosmia e pode aparecer depois de resfriados, infecções virais ou outras alterações do olfato. Na parosmia, o nariz ainda percebe os odores, mas o cérebro recebe ou interpreta essas informações de maneira diferente, fazendo aromas familiares parecerem desagradáveis ou desconhecidos. Embora exista possibilidade de recuperação, mudanças persistentes ou sem causa aparente merecem avaliação médica.
Por que um cheiro conhecido pode parecer completamente diferente?
O olfato funciona por meio de células especializadas localizadas na parte superior do nariz. Quando moléculas liberadas pelo café, perfume ou outros produtos chegam a essas células, elas enviam sinais ao cérebro, que interpreta as informações e identifica o cheiro. Esse processo permite reconhecer aromas familiares e diferenciá-los de outros odores.
Quando ocorre alguma alteração nesse sistema, a percepção pode ficar distorcida. Assim, um cheiro antes agradável pode passar a lembrar fumaça, produtos químicos ou comida estragada. Isso não significa necessariamente que o alimento ou o perfume mudou de composição, mas que a maneira de perceber seu aroma está diferente.

Resfriados e infecções podem provocar essa alteração?
Sim. Infecções respiratórias, incluindo algumas infecções virais, podem prejudicar temporariamente as estruturas envolvidas no olfato. Em determinadas pessoas, a capacidade de sentir cheiros diminui durante a doença e, posteriormente, alguns aromas começam a ser percebidos de maneira distorcida. Essa situação pode acontecer inclusive quando a congestão nasal já desapareceu.
De acordo com o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD), em uma publicação de 2025 sobre alterações do olfato, a parosmia acontece quando a percepção normal dos odores é modificada. O instituto também explica que infecções virais, inflamações nasais, traumatismos e determinados medicamentos podem estar associados a problemas olfatórios.
Existem diferentes alterações que podem ser confundidas:
- Parosmia: um cheiro que realmente existe passa a ser percebido de forma diferente ou desagradável.
- Anosmia: perda completa da capacidade de sentir cheiros.
- Hiposmia: redução da sensibilidade aos odores, que ficam mais difíceis de perceber.
- Fantosmia: sensação de sentir um cheiro que não está presente no ambiente.
Essa distinção é importante porque nem toda mudança do olfato apresenta a mesma causa ou exige a mesma abordagem. Além das infecções, alterações nasais, exposição a certas substâncias e outros problemas de saúde também podem interferir na percepção dos aromas.
O que fazer quando café, perfume ou comida começam a cheirar mal?
Quando a alteração aparece depois de uma infecção respiratória, a recuperação pode ocorrer gradualmente. Algumas pessoas voltam a reconhecer os cheiros conforme melhoram da doença, enquanto outras apresentam sintomas por períodos mais prolongados. Não existe um prazo único que determine quando o olfato voltará ao normal.
É útil observar quais aromas parecem diferentes, quando a mudança começou e se existe dificuldade para sentir outros odores. Essas informações podem ajudar na consulta. Também é importante evitar a exposição repetida a perfumes muito fortes ou substâncias irritantes na tentativa de recuperar o olfato.
Em alguns casos, o médico pode recomendar treinamento olfatório, uma técnica que utiliza a exposição regular e orientada a diferentes aromas conhecidos. Essa abordagem pode ajudar determinadas pessoas com alterações após infecções, mas seus resultados variam e não existe garantia de recuperação completa.
Enquanto a percepção estiver prejudicada, também é importante reforçar a segurança doméstica. Não se deve confiar apenas no cheiro para identificar alimentos estragados, fumaça ou vazamentos de gás. Verificar a validade e a conservação dos alimentos e manter detectores de fumaça e gás funcionando, quando disponíveis, são cuidados importantes.

Quando uma mudança no olfato precisa ser investigada?
Uma alteração passageira durante um resfriado pode melhorar espontaneamente. Entretanto, quando os cheiros continuam distorcidos por semanas, surgem sem motivo aparente ou interferem na alimentação e na qualidade de vida, é recomendado procurar um médico, preferencialmente um otorrinolaringologista.
A avaliação também é importante quando a alteração ocorre depois de uma pancada na cabeça ou aparece acompanhada de obstrução nasal persistente, sangramentos recorrentes ou outros sintomas incomuns. Se houver fraqueza repentina de um lado do corpo, dificuldade para falar ou confusão súbita, é necessário atendimento de emergência.
O médico pode examinar o nariz, revisar o histórico de infecções e medicamentos e realizar testes específicos do olfato. Conhecer as possíveis causas de perda de olfato também ajuda a entender por que essas alterações precisam ser investigadas conforme suas características.
Embora sentir um cheiro estranho no café ou no perfume não signifique automaticamente uma doença grave, a mudança não deve ser ignorada quando persiste. Identificar sua origem permite orientar os cuidados e acompanhar a recuperação de maneira adequada.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









