A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix que pode afetar pessoas e animais. No Brasil e em outras regiões da América do Sul, os gatos têm papel importante na transmissão da doença. Arranhões e mordidas de um animal infectado podem levar o fungo até a pele humana, mas a doença tem tratamento e a suspeita não é motivo para abandonar o animal.
O que é a esporotricose e por que os gatos estão envolvidos?
Os fungos que causam a esporotricose podem ser encontrados no ambiente, especialmente no solo e em matéria vegetal. A infecção acontece quando eles conseguem entrar no organismo por uma lesão na pele. Além dessa forma ambiental, existe a transmissão por animais infectados.
O CDC explica que a espécie Sporothrix brasiliensis tem se espalhado de gatos para pessoas na América do Sul. Os gatos também podem transmitir o fungo para outros gatos. Isso não significa que todo gato represente risco, mas animais com esporotricose precisam ser diagnosticados e tratados.
Como a esporotricose passa do gato para uma pessoa?
A transmissão pode ocorrer principalmente quando um gato infectado arranha ou morde e o fungo é introduzido na pele. O contato de uma pele já machucada com as lesões do animal também merece cuidado. O Ministério da Saúde identifica os gatos como os principais transmissores da esporotricose zoonótica atualmente.
Além dos animais, o contato com espinhos, farpas de madeira, vegetais em decomposição e outros materiais contaminados também pode provocar a infecção. Portanto, a esporotricose em humanos não ocorre exclusivamente após contato com gatos.

Quais sinais podem aparecer na pele?
Na forma mais comum da doença em pessoas, a alteração começa na região pela qual o fungo entrou. Uma pequena lesão pode aumentar e se transformar em ferida. Em alguns casos, surgem novos caroços acompanhando o trajeto dos vasos linfáticos próximos à região afetada.
Entre as manifestações que podem aparecer estão:
- caroço ou pequena lesão avermelhada no local de entrada do fungo;
- feridas ou úlceras na pele, que podem apresentar secreção;
- nódulos que surgem próximos à primeira lesão;
- lesões nas mucosas dos olhos, nariz ou boca em algumas situações.
Existem formas menos comuns que podem atingir pulmões, ossos, articulações ou outros órgãos, principalmente em determinadas condições de saúde. Como as feridas podem se parecer com outros problemas de pele, o diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência.
O que fazer quando um gato apresenta feridas suspeitas?
Feridas profundas, que não cicatrizam, especialmente no focinho, orelhas ou patas, estão entre os sinais que podem ocorrer nos gatos. Porém, outras doenças também provocam lesões semelhantes. O animal precisa ser levado ao médico veterinário para receber o diagnóstico correto.
O Ministério da Saúde orienta que animais com suspeita sejam separados de pessoas e de outros animais e avaliados por um veterinário. Enquanto isso, alguns cuidados são importantes:
- evitar tocar diretamente nas feridas;
- usar luvas para manipular o animal doente;
- manter o gato em local seguro, conforme a orientação veterinária;
- não abandonar o animal, pois isso favorece a disseminação da doença;
- seguir o tratamento pelo período indicado pelo veterinário.

Esporotricose tem tratamento?
Sim. Tanto pessoas quanto gatos podem ser tratados com medicamentos antifúngicos, mas as doses e a duração são diferentes e precisam ser determinadas pelo médico ou veterinário. O tratamento humano pode durar vários meses, dependendo da forma e da gravidade da infecção.
Quem desenvolver uma ferida suspeita após arranhão, mordida ou contato com um gato doente deve procurar atendimento médico e informar essa exposição. Tratar a pessoa e cuidar adequadamente do animal são medidas importantes para interromper a transmissão, e o medicamento não deve ser iniciado ou oferecido ao gato por conta própria.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica ou veterinária.








