Encontrar um biscoito sem açúcar na prateleira do supermercado pode dar a impressão de que ele contém poucos carboidratos ou não interfere na glicemia. Entretanto, retirar o açúcar de uma receita não significa eliminar outros ingredientes que fornecem carboidratos, como farinha de trigo, amido de milho e fécula de batata. Por isso, mesmo produtos identificados como “zero açúcar” podem apresentar quantidades consideráveis desse nutriente. Para entender o que realmente está sendo consumido, é necessário observar a tabela nutricional, o tamanho da porção e a lista de ingredientes, sem depender apenas das informações destacadas na embalagem.
Por que o biscoito sem açúcar ainda pode ter carboidratos?
Os carboidratos não estão presentes apenas no açúcar utilizado para adoçar alimentos. Farinhas, cereais e amidos também fornecem esse nutriente, que pode ser transformado em glicose durante a digestão. Assim, um biscoito preparado sem adição de açúcar pode continuar tendo uma quantidade relevante de carboidratos por causa dos ingredientes usados para formar sua massa.
Alguns fabricantes substituem o açúcar por adoçantes ou outros ingredientes que preservam o sabor e a textura. Entretanto, essa mudança não garante que o produto tenha menos carboidratos ou calorias do que a versão tradicional. A composição depende da receita e das quantidades utilizadas.
A Associação Americana de Diabetes (ADA) explica que alimentos identificados como sem açúcar ou sem adição de açúcar não são necessariamente livres de carboidratos. A instituição também destaca que a quantidade e o tipo de carboidrato consumido influenciam a resposta da glicose no sangue, especialmente em pessoas com diabetes.

Qual é a diferença entre carboidratos e açúcares no rótulo?
A tabela nutricional brasileira apresenta informações que ajudam a distinguir os diferentes componentes do alimento. Embora estejam relacionados, carboidratos, açúcares totais e açúcares adicionados não significam a mesma coisa.
Na hora de conferir o pacote, é importante observar:
- Carboidratos: indicam a quantidade desse nutriente presente no alimento, incluindo fontes como açúcares e amidos;
- Açúcares totais: representam os açúcares presentes no produto, sejam naturalmente encontrados nos ingredientes ou adicionados durante a fabricação;
- Açúcares adicionados: mostram a quantidade de açúcares acrescentados ao alimento durante o processamento;
- Fibras alimentares: ajudam a avaliar outras características nutricionais do produto e podem influenciar a digestão e a resposta glicêmica;
- Valor energético: informa as calorias fornecidas pela porção, considerando carboidratos, proteínas, gorduras e outros componentes energéticos.
Um biscoito pode apresentar zero grama de açúcares adicionados e, ainda assim, conter carboidratos provenientes da farinha. Portanto, o valor de açúcares adicionados não deve ser confundido com a quantidade total de carboidratos.
Como comparar dois pacotes de biscoito corretamente?
O primeiro cuidado é verificar o tamanho da porção indicada na tabela nutricional. Algumas embalagens apresentam valores correspondentes a poucos biscoitos, enquanto outras utilizam porções maiores. Comparar apenas os números sem observar essa diferença pode levar a interpretações equivocadas.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a rotulagem nutricional brasileira exige a declaração de nutrientes por 100 g ou 100 ml, além das informações por porção. Isso facilita a comparação entre produtos semelhantes.
Se um pacote informa 18 g de carboidratos em uma porção de 30 g e outro apresenta 15 g em uma porção de 25 g, ambos fornecem 60 g de carboidratos por 100 g. Apesar dos números diferentes por porção, a concentração é igual nesse exemplo ilustrativo.
Também vale conferir as gorduras saturadas, o sódio, as fibras e os ingredientes utilizados. Para entender melhor essas informações, veja como ler os rótulos dos alimentos e identificar diferenças importantes entre produtos.
Um biscoito sem açúcar é automaticamente mais saudável?
Não necessariamente. A ausência de açúcar pode ser uma característica útil em determinadas situações, mas não define sozinha a qualidade nutricional do alimento. Alguns biscoitos sem açúcar continuam sendo produzidos com farinhas refinadas, gorduras e outros ingredientes característicos de produtos industrializados.
Além disso, expressões como “diet”, “light” e “zero açúcar” possuem significados específicos e não devem ser interpretadas como garantia de poucas calorias ou de ausência de carboidratos. A escolha deve considerar a composição completa, a frequência de consumo e a quantidade ingerida.

Quem controla a glicemia precisa evitar esses biscoitos?
Pessoas com diabetes ou outras condições que exigem acompanhamento da glicemia não precisam considerar todos os biscoitos sem açúcar proibidos. Entretanto, devem observar a quantidade de carboidratos consumida, o tamanho da porção e os demais alimentos que fazem parte da refeição.
A resposta glicêmica também pode variar conforme a composição do produto, os medicamentos utilizados, a atividade física e as características individuais. Por isso, a indicação “sem açúcar” não significa que o alimento possa ser consumido livremente ou que não altere a glicemia.
O acompanhamento com nutricionista e médico ajuda a estabelecer quantidades adequadas, organizar a alimentação e orientar o controle da glicose de acordo com as necessidades de cada pessoa, sem depender de restrições generalizadas ou promessas presentes nas embalagens.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









