A osteoporose afeta principalmente os ossos do corpo, mas a perda de densidade óssea também pode ter relação com os ossos da mandíbula e da maxila, que ajudam a sustentar os dentes. Isso não significa, porém, que a osteoporose faça os dentes caírem diretamente. A saúde da gengiva, a periodontite, a higiene bucal e outros fatores continuam tendo papel importante na perda dentária.
O que a osteoporose pode mudar na região da boca?
A osteoporose é caracterizada pela redução da massa óssea e por alterações na estrutura dos ossos, tornando-os mais frágeis. Embora as fraturas mais conhecidas ocorram no quadril, na coluna e no punho, os maxilares também são formados por tecido ósseo e passam continuamente por processos de renovação.
Uma revisão publicada em 2024 sobre osteoporose dos maxilares descreve alterações na microestrutura óssea dessa região e possíveis repercussões para a saúde periodontal, cicatrização e alguns tratamentos odontológicos. Isso ajuda a explicar por que a relação entre osteoporose e saúde bucal é estudada, embora nem toda pessoa com osteoporose apresente problemas nos dentes.
O osso que sustenta os dentes também pode perder densidade?
Os dentes ficam presos ao chamado osso alveolar, estrutura que faz parte da mandíbula e da maxila. Estudos já encontraram associação entre menor densidade mineral do esqueleto e alterações na densidade dos ossos dos maxilares, mas os resultados não são uniformes. Uma revisão sistemática sobre o tema concluiu que as evidências disponíveis ainda apresentam diferenças importantes entre os métodos utilizados e não permitem estabelecer uma relação simples para todos os pacientes.
Por isso, ter osteoporose não significa necessariamente que o osso ao redor de cada dente esteja comprometido. A avaliação odontológica considera também gengiva, placa bacteriana, mobilidade dos dentes e perda óssea localizada, que pode ter outras causas.

Osteoporose pode fazer os dentes caírem?
Não é correto afirmar que a osteoporose provoca diretamente a perda dos dentes. Pesquisas observacionais encontram associações entre baixa densidade mineral óssea, menor número de dentes e doença periodontal em alguns grupos, especialmente entre pessoas mais velhas, mas isso não demonstra que uma condição seja a causa isolada da outra.
A periodontite, por exemplo, é uma doença inflamatória provocada principalmente pelo acúmulo de placa e tártaro e pode destruir os tecidos que sustentam os dentes. Entre os sinais que merecem avaliação do dentista estão:
- sangramento frequente da gengiva;
- gengiva inchada ou avermelhada;
- retração da gengiva;
- dentes que começam a ficar moles ou mudar de posição;
- espaços entre os dentes que surgem ou aumentam.
O tratamento da osteoporose muda os cuidados no dentista?
Em algumas situações, sim. Medicamentos anti-reabsortivos, como determinados bifosfonatos e o denosumabe, podem estar associados a uma complicação rara chamada osteonecrose dos maxilares. Segundo a American Dental Association, o risco é baixo nas doses utilizadas para osteoporose, mas merece atenção principalmente diante de procedimentos que envolvem o osso, como algumas extrações.
Isso não significa que o tratamento da osteoporose deva ser interrompido antes de ir ao dentista. A própria entidade ressalta que os benefícios dos medicamentos na prevenção de fraturas geralmente superam esse risco. Quem usa esses remédios deve informar ao dentista qual medicamento toma, há quanto tempo e em qual dose. Não se deve suspender bifosfonatos, denosumabe ou outros tratamentos por conta própria.

Como cuidar dos dentes quando há osteoporose?
Manter consultas odontológicas regulares, escovar os dentes adequadamente, usar fio dental e tratar precocemente inflamações da gengiva ajuda a preservar os tecidos que sustentam os dentes. Se houver necessidade de implante, extração ou outra cirurgia odontológica, é importante informar o diagnóstico de osteoporose e todos os medicamentos em uso.
A osteoporose e os problemas dentários podem compartilhar fatores relacionados à idade e à saúde geral, mas são condições diferentes. Alterações nos dentes ou na gengiva precisam ser avaliadas pelo dentista, enquanto o acompanhamento da perda de massa óssea deve continuar com o profissional responsável pelo tratamento da osteoporose.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação médica ou odontológica individualizada.









