Glitter de artesanato não deve ser colocado diretamente sobre bolos, doces ou outras partes que serão ingeridas. Muitos desses produtos contêm plásticos ou outros materiais que não são ingredientes alimentares, e a indicação “atóxico” não significa que possam ser comidos. Para escolher um brilho comestível, é preciso conferir no rótulo se o produto é destinado ao uso em alimentos e verificar sua lista de ingredientes.
Por que glitter de artesanato não deve ser usado no bolo?
Produtos desenvolvidos para trabalhos manuais seguem uma finalidade diferente dos ingredientes usados em confeitaria. Em 2025, a Anvisa esclareceu que materiais plásticos não são autorizados como componentes de alimentos. Isso inclui o polipropileno micronizado, que já foi encontrado em pós e glitters vendidos para decoração.
A Agência também determinou, em 2026, o recolhimento de produtos para confeitaria que continham polímeros plásticos. O problema não está apenas no aspecto do glitter: se um material não foi autorizado para consumo, sua composição e sua segurança não podem ser tratadas como equivalentes às de um ingrediente alimentar.
“Atóxico” significa que o glitter pode ser comido?
Não. “Atóxico” e “comestível” não são sinônimos. Um produto pode ser classificado como atóxico para a finalidade a que se destina e, mesmo assim, não ter sido fabricado nem avaliado para ser ingerido. Portanto, essa expressão isolada na embalagem não é suficiente para usar o glitter em uma área comestível do bolo.
A FDA também orienta a não usar diretamente em alimentos glitters identificados apenas como “não tóxicos” ou destinados exclusivamente à decoração. A recomendação é escolher produtos fabricados especificamente para serem comestíveis.

Como reconhecer um glitter realmente comestível?
A aparência não permite fazer essa distinção. Glitters alimentícios e de artesanato podem apresentar cores, formatos e brilhos muito semelhantes. Por isso, a Anvisa orienta observar informações obrigatórias no rótulo. O conteúdo do Tua Saúde sobre como ler a lista de ingredientes no rótulo dos alimentos também ajuda a identificar os componentes declarados pelo fabricante.
Antes de colocar o produto no bolo, confira:
- se há indicação clara de que é destinado ao uso alimentício;
- a denominação do produto, como corante ou produto para fins alimentícios;
- a lista completa de ingredientes ou composição;
- lote e data de validade;
- informações sobre glúten e alergênicos, quando aplicáveis;
- se as instruções permitem o uso diretamente sobre a parte que será consumida.
Quais ingredientes acendem um alerta no rótulo?
A Anvisa informa que substâncias plásticas como polipropileno, PET e PMMA não são autorizadas como componentes de alimentos. Portanto, um glitter que apresente esses materiais na composição não deve ser usado para decorar diretamente bolos, brigadeiros, cupcakes ou outras preparações que serão comidas.
Já produtos comestíveis devem utilizar ingredientes e aditivos autorizados para alimentos. Dependendo da formulação, podem aparecer açúcares, amidos, goma arábica, maltodextrina e corantes permitidos. O Tua Saúde explica também o que são corantes e outros aditivos alimentares. Termos como “biodegradável”, “decorativo” ou “atóxico”, sozinhos, não substituem a indicação de uso alimentar.

E se o brilho for apenas para decorar o bolo?
Um enfeite não comestível pode ser usado somente quando permanece separado da parte que será ingerida e pode ser retirado completamente antes de servir. A FDA orienta que decorações não comestíveis sejam removidas do alimento antes do consumo. Polvilhar glitter de artesanato diretamente sobre cobertura, chocolate ou glacê não permite essa separação.
Na dúvida sobre um produto, o mais seguro é não usá-lo em alimentos até confirmar sua composição e finalidade no rótulo ou com o fabricante. Estar à venda em uma loja de confeitaria ou aparecer anunciado para decorar bolos não é, por si só, garantia de que o glitter seja próprio para ingestão.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientações das autoridades sanitárias ou de profissionais de saúde.









